A resposta do marido quando ela quis trocar, que seria desrespeito com a mãe, volta inteira na sala da casa onde estavam hospedados, e ele sem uma palavra. Dá pra ver que você guardou essa frase até o momento certo. Me fez pensar em quantas regras de família só valem pra quem chegou depois. Obrigado por mais uma crônica!
C 0041 VESTIDO, TROCA, INDIGESTÃO
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A resposta do marido quando ela quis trocar, que seria desrespeito com a mãe, volta inteira na sala da casa onde estavam hospedados, e ele sem uma palavra. Dá pra ver que você guardou essa frase até o momento certo. Me fez pensar em quantas regras de famí
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Série Crônicas
Há cinco anos vivo uma rotina tranquila: meu marido, nossa casa, nossos dois cachorros. Uma vida construída a nosso modo, sem grandes interferências. Até a chegada do envelope.
Meu cunhado estava com o casamento marcado e meu marido foi convidado para ser padrinho. O convite oficial trazia o nome dele grafado com destaque; o meu, adicionado logo abaixo. Fiquei feliz, afinal, seria a minha primeira vez como madrinha. Comprei a ideia de imediato: a oportunidade de usar um vestido novo e aproveitar uma festa ao lado do meu marido era o que me importava.
As instruções sobre o evento, no entanto, chegavam em cascata: o noivo avisava à mãe, que avisava ao meu marido, que, por fim, me repassava a informação de que os vestidos das madrinhas seriam todos da mesma cor. Todos os preparativos e decisões seguiam esse exato fluxo restrito, da minha sogra para o filho.
A data da cerimônia se aproximava quando meu marido comunicou: — A minha mãe vai conosco para escolhermos os vestidos.
Concordei. O dia da prova chegou e a minha sogra demonstrou uma gentileza rara, sorridente e amigável. Aproveitei a tarde, eu estava feliz. Ela me ajudou a escolher o meu vestido e eu opinei sobre o dela. Ao final, alugamos os trajes e voltamos para casa com a promessa de retornar em poucos dias para buscá-los, após os ajustes.
Os dias passaram e a dúvida surgiu. Havia experimentado uma segunda peça que, em retrospecto, me agradava muito mais. Decidi que queria trocar. Ainda havia tempo hábil de sobra até o casamento.
Ao comentar em casa, meu marido foi incisivo: — Não, você não vai trocar o vestido. A minha mãe te ajudou a escolher e seria extremamente desrespeitoso com ela se você fizesse isso.
Tentei argumentar, mas ele se manteve irredutível, encerrando o assunto.
Chegou a semana do evento e viajamos. Na manhã do casamento, a noiva, a minha sogra e as outras madrinhas seguiram para um salão de beleza reservado exclusivamente para elas. Eu segui para outro salão, que havia marcado por conta própria no centro da cidade. Apesar da separação logística, eu estava satisfeita, concentrada nos meus próprios preparativos para a noite.
A noite caiu. Estávamos reunidos na sala da casa onde nos hospedamos, prontos para sair, quando a minha sogra fez uma entrada triunfal.
— Tcharam! — exclamou ela.
Eu olhei, sem palavras. Ela não vestia a peça que havíamos escolhido juntas.
— A senhora trocou o vestido? — perguntei.
— Troquei. Aquele era horrível, não gostei da cor, da textura e não queria alugar. Mandei fazer este. O que você achou? — Ela abriu um sorriso largo, sustentando o olhar.
Respondi no tom mais educado que consegui encontrar: — Realmente, é muito bonito. Por que a senhora não me avisou que tinha mudado de ideia? Eu também mudei.
— Porque não te devo satisfação — falou ela, encerrando o assunto e se virando para sair.
Voltei-me para o meu marido, que observava a cena a poucos passos de distância.
— Você não me deixou trocar o meu porque seria desrespeitoso com a sua mãe. E, olha só, ela trocou.
Ele abaixou a cabeça. Não respondeu uma única palavra.
O evento ocorreu como planejado. A cerimônia foi belíssima e a decoração da festa estava impecável. Sentei, o garçom serviu algumas entradas, comi, mas uma pontada aguda me atingiu logo após o primeiro prato. Passei o resto da noite indisposta, sentindo um peso denso e amargo revirando o estômago.
Thoughts
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PermalinkO convite com o nome dele em destaque e o seu embaixo já avisava a ordem das coisas. Na família do meu ex era igual, o recado passava pela mãe e chegava em mim por último.
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PermalinkA resposta do marido quando ela quis trocar, que seria desrespeito com a mãe, volta inteira na sala da casa onde estavam hospedados, e ele sem uma palavra. Dá pra ver que você guardou essa frase até o momento certo. Me fez pensar em quantas regras de família só valem pra quem chegou depois. Obrigado por mais uma crônica!
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PermalinkMas que desfeita! Eu teria ficado arrasada!
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PermalinkMenina, o marido de cabeça baixa sem dar uma palavra, depois de todo aquele discurso sobre respeito. Aquilo pesou mais que o vestido da sogra! Aposto que a conversa continuou no carro.
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