Ampulheta com neve no lugar de areia dá a ideia de um tempo que derrete em vez de cair. Pra mim quem partiu ali não volta, o poema todo já sabe disso e só a última pergunta ainda finge que não.
Ampulheta de Inverno...
Pensamento
Ampulheta com neve no lugar de areia dá a ideia de um tempo que derrete em vez de cair. Pra mim quem partiu ali não volta, o poema todo já sabe disso e só a última pergunta ainda finge que não.
Conteúdo da publicação
Qual o peso nas mãos de quem ficou e quem partiu?
Transparente, o véu tênue que nos separa,
Embrenhado por suas mãos nuas, quentes;
A areia do sol, como lágrimas da mente,
Diante teu toque, que então nos prepara.
Escorrendo pelas mãos, a neve repara,
O dócil tato das mãos de quem a sente;
E eu, à espera, à espera do "de repente",
Que não cala, persiste e então declara.
Será o vento quem trará teu regresso,
Ou apenas tua lembrança que se esvai,
Deixando-me no frio mais adverso?
As areias do tempo não encontram paz,
E buscarão novamente o rumo do universo,
Ou a incerteza que na neve se desfaz?
Thoughts
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PermalinkDesde o Por me acabarem palavras a Poetisa vai ficando mais de carne e osso, aqui até as mãos dela têm temperatura. E justo no poema em que ela chega mais perto é o que fala de regresso.
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PermalinkReparei que as mãos voltam em quase todos os versos, quentes, nuas, deixando a neve escorrer, sentindo. Pra um poema sobre quem foi embora, quem mais lembra aqui é o tato, antes da cabeça. Comigo acontece parecido com cheiro, reconheço gente pelo perfume muito antes de lembrar o rosto :)
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PermalinkAmpulheta com neve no lugar de areia dá a ideia de um tempo que derrete em vez de cair. Pra mim quem partiu ali não volta, o poema todo já sabe disso e só a última pergunta ainda finge que não.
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Transparente, o véu tênue que nos separa, Embrenhado por suas mãos nuas, quentes; A areia do sol, como lágrimas da mente, Diante teu toque, que então nos prepara.