Qual o peso nas mãos de quem ficou e quem partiu?
Transparente, o véu tênue que nos separa,
Embrenhado por suas mãos nuas, quentes;
A areia do sol, como lágrimas da mente,
Diante teu toque, que então nos prepara.
Escorrendo pelas mãos, a neve repara,
O dócil tato das mãos de quem a sente;
E eu, à espera, à espera do "de repente",
Que não cala, persiste e então declara.
Será o vento quem trará teu regresso,
Ou apenas tua lembrança que se esvai,
Deixando-me no frio mais adverso?
As areias do tempo não encontram paz,
E buscarão novamente o rumo do universo,
Ou a incerteza que na neve se desfaz?