Sempre fui um sonhador. Sonhava em viver as estórias que via nos filmes. Sim, estamos numa rede social de escritores e leitores, mas ler nunca foi meu forte, porém continuo tentando, a marretadas é verdade.
Sonhava em ser o Rocky Balboa, o Farris Buller, o Van Damme em vários de seus filmes. Muitas vezes, quando não tinha nada para fazer - e no anos 90, antes da internet, esses momentos eram recorrentes - gostava de me acomodar num canto e ficar me imaginando salvando o mundo e recebendo o beijo da mocinha no final.
Hoje pensei uma coisa muito doida! Eu sempre soube a história da minha vida, mas até agora não tinha percebido como elas foram o interessantes. Belas aventuras foram.
Já nasci numa polêmica. Meus pais são primos de primeiro grau. Minhas avós materna e paterna são irmãs. Apesar de ser estranho e de por isso eu não ter crescido num lar tradicional, sempre gostei disso. Eu me gabava para os meus primos que eu era mais da família do que eles!
Com alguns meses de idade quase morri. Algum familiar estava me dando banho no tanque da área de serviço e me deixou sozinho. Eu escorreguei e caí para o fundo do tanque que estava cheio de água. Sabe por que não morri? Tinha um garoto, que morava na casa ao lado olhando por cima muro. Ele me viu afundar, pulou o muro e me salvou. Se a curiosidade matou o gato, a mim salvou. Deve ser porque sou meio feinho.
Pouco tempo depois meu avô me levou à praia com ele. À noite quando me devolveu, conta minha mãe que eu chorava muito. Enquanto ela me dava banho na banheira de bebê, vomitei. Pedaços grandes de peixe, pois não tinha dente ainda, e cerveja! C E R V E J A ! ! ! Pois é, meu primeiro porre foi com menos de ano de idade!
Já com uns 3 ou 4 anos estava eu em casa fazendo pirraça para não ir para o jardim de infância. Desde pequeno detesto sair de casa. Nesse dia em especial eu estava decidido a não ir, mas me forçaram. Na esquina de casa veio uma abelha e me ferroou no tornozelo que o inchou imediatamente. Voltaram comigo pra casa. Vitória💪
Ah e tinha o tio Viny! Até hoje tenho um chumbinho perto da clavícula esquerda de um tiro que ele acertou em mim. O doido pediu para eu segurar uma banda de limão para ele tentar acertar com espingarda. Acertou em mim. Recentemente precisei fazer uma ressonância e o questionário perguntava se há algum metal em meu corpo. Citei o tal chumbinho e o médico não deixou eu fazer o exame! A dor na lombar para a qual fui buscar tratamento volta de vez em quando.
Aínda falando do Viny, teve uma ocasião que a Volkswagem (ou Chevrolet) fez uma apresentação lá perto de casa e fomos ver. O piloto de teste, Carlos Cunha, foi quem comandou a apresentação. Eu tinha 5 ou seis anos e aínda me lembro de várias manobras! Pois bem, saímos dali e o tio Viny me colocou no banco do carona e me levou para dar uns cavalos de pau no carro dele! Hoje é maneiro falar, mas eu podia ter morrido!
Outra vez estava com mamãe e meu padrasto esperando um ônibus, que era de frente para um baile funk, em São Gonçalo. De repente vimos uma multidão correndo em nossa direção. À frente dela um sujeito magricelo corria desesperadamente tentando escapar. Ao que pude levantar depois, ele era da Jurumenha, e estava curtindo o baile da comunidade rival. Mamãe mandou eu entrar no banheiro do trailer atrás do ponto. Onde o fugitivo resolveu entrar? No bendito banheiro. Ficamos nós dois lá dentro. Dona Jô temendo por minha vida pegou o 22 do meu padrasto, colocou na cintura, fechou a passagem pressionando as mãos contra os batentes da porta e ao melhor estilo Capitão Nascimento gritou: Não vai passar ninguém! Minha mãe explicou que eu estava lá dentro e conseguiu convencer os funkeiros a dar umas jardas pro "alemão" tentar fugir. Assim escapei de ser linchado pela turma do morro do tamanco. Mas foi tenso.
Ainda tenho muitas lembranças que fiquei com vontade de compartilhar, mas acho que vou deixar para outra postagem.