Antes de este homem ter permissão de tocar numa barra, ele precisa primeiro fazer seus 30 min de preparo. Sai a bolinha de lacrosse, e ele rola o glúteo nela no chão da academia com a cara de um homem recebendo uma péssima notícia ao telefone. Depois o rolo de espuma, na perna inteira, fazendo careta teatral diante de nós que ele decidiu que estão ali, mesmo que a ciência ainda não consiga enxergar esses nós. Depois o elastiquinho de resistência, em volta das coxas acima dos joelhos pros passos laterais, as caminhadas de monstro, as conchinhas, toda a rotina de sala de espera de fisioterapia. Depois o elástico é preso ao rack pra distrair a cápsula do quadril dele, seja lá o que isso signifique, enquanto ele fica pendurado nele e faz uma careta. Quarenta minutos depois, suado e profundamente aquecido, ele finalmente está pronto pra treinar, só que agora está cansado e é hora de ir pra casa.
Ele chama isso de mobilidade. Ele decidiu que está tenso. Ele está sempre tenso. A tensão é a personalidade inteira dele e seu eterno trabalho-em-andamento, e nenhuma quantidade de rolar jamais conclui o serviço, o que ele lê como prova de que precisa rolar mais, em vez de prova de que rolar não faz nada.
Aqui vai o segredo que ninguém na mesa dos elásticos quer ouvir. A maior parte do que você chama de tensão é fraqueza. O músculo não está curto demais. Ele está sem controle além de certa amplitude, então o seu sistema nervoso, com toda a razão, pisa no freio e protege a posição, e essa proteção parece exatamente tensão. Aí você ataca a sensação com uma bolinha de lacrosse e compra uns noventa segundos de amplitude emprestada, que somem na sua segunda série de trabalho, porque você não deixou nada mais forte. Você sedou o alarme. Você não consertou nada.
A cura de verdade pra ser fraco e trêmulo no fundo do agachamento é, e sinto muito que uma indústria inteira de borrachas vá odiar isso, agachar até o fundo e ficar forte ali. Carregue a amplitude que você não consegue controlar até conseguir controlá-la.
Carregue a amplitude que você não consegue controlar até conseguir controlá-la. Falei duas vezes porque é simples assim.
Força numa posição é o que convence o sistema nervoso de que é seguro deixar você entrar naquela posição em primeiro lugar. Isso é mobilidade. Mobilidade de verdade é só força utilizável no fim da sua amplitude, e ela é construída com carga, devagar, não comprada em borracha.
Algumas restrições são válidas, porém. Aquecer é ótimo e muito útil. Não estou te dizendo pra chegar gelado e sair correndo a toda. Estou te dizendo que prehab é, na maior parte do tempo, programação ruim de jaleco segurando uma bolinha de lacrosse, e que se o seu aquecimento dura mais que o seu treino, você não tem uma prática de mobilidade. Você tem um jeito elaborado, suado e profundamente sincero de evitar a única coisa que de fato teria mudado o seu corpo, que é ficar forte em algum lugar onde você não é. Ache um jeito de fortalecer o que está tenso e fraco e você vai ver como aquilo relaxa.