É incrível como pessoas intensas conseguem sofrer e sentir saudades de paixões diferentes.
Talvez porque, para nós, cada pessoa que passa pela nossa vida e nos encanta em algum detalhe nunca passe completamente.
Alguma coisa sempre fica.
Um gesto, uma voz, um cheiro, o calor de um corpo, a delicadeza de um toque.
Um instante.
Um olhar.
E talvez seja assim que nos apaixonamos por cada uma delas: não necessariamente pela pessoa inteira, mas por aquilo que, de alguma forma, despertou algo dentro de nós.
Cada pessoa deixa uma marca diferente.
Algumas ficam pelo cheiro.
Outras, pelo toque.
Algumas pelo calor.
Outras pela maneira como nos fizeram sentir.
Mas há aquelas que ficam pelos olhos.
E, como uma verdadeira apreciadora de olhares, confesso: me apaixono por cada um deles.
Pelos intensos.
Pelos doces.
Pelos brilhantes.
Pelos sombrios.
Pelos que parecem esconder segredos.
Pelos que são como flechas e atravessam a gente sem pedir licença.
Pelos quentes, que parecem tocar antes mesmo que exista qualquer toque.
Gosto da sensação de encontrar um olhar e sentir que, por alguns segundos, existe um universo inteiro acontecendo ali.
Como se eu pudesse olhar dentro de cada pessoa assim que encontro seus olhos.
E é justamente aí que me apaixono.
Naquilo que não foi dito.
Naquilo que não foi tocado.
Naquilo que um simples olhar conseguiu revelar.
Porque existe algo na intensidade de um olhar que é tão simples e, ao mesmo tempo, tão complexo, que chega a ser impossível explicar.
Talvez seja por isso que alguns olhos ficam.
Mesmo quando a pessoa vai embora.
Mesmo quando o tempo passa.
Mesmo quando a história termina.
O olhar permanece.
Gravado em algum lugar da memória, como uma pequena parte daquela pessoa que continua vivendo dentro da gente.
E talvez seja esse o destino de quem sente demais:
colecionar pessoas dentro de si,
não por inteiro,
mas em pequenos detalhes.
Um cheiro.
Um toque.
Um sorriso.
Um calor.
E, principalmente, um olhar…