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Prehab não passa de conserto disfarçado?

Master_Of_Disaster
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Boa parte do prehab é só consertar problemas que uma programação ruim criou em primeiro lugar. Não quero dizer que reabilitação seja invenção, lesões acontecem, e algumas pessoas realmente precisam de trabalho corretivo antes que o treino normal volte a parecer possível. Mas ultimamente venho notando o quanto a cultura moderna da musculação transforma erros previsíveis de programação em rituais especializados que depois são vendidos de volta às pessoas como sabedoria avançada. O ombro talvez se

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A indústria do conserto

Boa parte do prehab é só consertar problemas que uma programação ruim criou em primeiro lugar.

Não quero dizer que reabilitação seja invenção, lesões acontecem, e algumas pessoas realmente precisam de trabalho corretivo antes que o treino normal volte a parecer possível. Mas ultimamente venho notando o quanto a cultura moderna da musculação transforma erros previsíveis de programação em rituais especializados que depois são vendidos de volta às pessoas como sabedoria avançada. O ombro talvez seja o exemplo mais claro.

O problema do ombro

Muitos praticantes passam anos atrás de números de empurrada. Supino, desenvolvimento, paralelas, mais empurrada, empurrada mais pesada. Enquanto isso, o trabalho direto de deltoide lateral, deltoide posterior, costas altas, rotação externa, toda aquela parte chata de estabilização, é tratado como enchimento ou treino de vaidade. Aí, no fim das contas, o ombro começa a doer.

De repente a mesma pessoa que pulou elevação lateral por cinco anos agora tem um ritual de aquecimento de 20 minutos antes de cada treino de membros superiores:

  • elásticos

  • rotações externas

  • ativação escapular

  • exercícios de manguito

  • circuitos de mobilidade

Em algum momento eu começo a me perguntar se isso é sofisticação ou só cobrança de dívida. Faz tua elevação lateral, cara.

Se o seu treino ignorou por anos as estruturas que sustentam o ombro e agora exige uma cerimônia diária de manutenção só pra tolerar empurrar peso, isso não é necessariamente prova de que você ficou mais inteligente. Às vezes só significa que a programação original passou batido por um tempo até a conta chegar. Boa parte do “prehab” de ombro é trabalho de conserto pra ego lifting.

E claro que o conserto vende bem. “Blinde seus ombros” soa avançado. Aquecimentos especializados parecem conhecimento de iniciado. “Treine deltoide posterior e costas altas com consistência” soa dolorosamente chato em comparação. Então as pessoas pulam a coisa chata e depois compram o pacote de reparo.

O padrão Knees-Over-Toes

É também por isso que o mundo do Ben Patrick me parece ao mesmo tempo útil e um pouco suspeito. Eu adoro o que ele faz, a ênfase em amplitude total de movimento, ângulos, todo tipo de exercício... Muita gente realmente negligencia certos tecidos, amplitudes de movimento e músculos estabilizadores. O problema começa quando ideias corretivas básicas são embrulhadas em novidade e vendidas como conhecimento oculto. Você não precisa ouvir falar do Charles Poliquin como se ele fosse o Einstein do fitness... Não é tão difícil assim, na real. Garanta que todos os seus músculos sejam fortes, inclusive os menores que a gente não vê com facilidade. Garanta que você os atinja de todos os ângulos. Garanta que você corrija os elos fracos. Às vezes o “segredo” é só trabalho direto vestido de fantasia.

Um padrão mais simples

O critério ao qual eu sempre volto é bem simples: antes de adicionar mais um ritual corretivo, pergunte-se se o seu programa de fato chegou a treinar com seriedade os músculos e as amplitudes ao redor em primeiro lugar.

Um programa sensato de membros superiores não precisa virar uma religião construída em torno de aquecimentos e exercícios de ativação. A maioria das pessoas provavelmente só precisa de uma programação mais equilibrada lá no começo:

  • deltoides laterais

  • deltoides posteriores

  • costas altas

  • amplitudes controladas

  • menos empurrada por ego

Se o programa original ignorou fraquezas óbvias, então boa parte do que chamam de prehab é provavelmente só conserto. E se é conserto, a resposta geralmente não é adorar o conserto. É parar de programar feito um idiota em primeiro lugar.

Thoughts

  • meioagachamento

    Oxe, lendo isso fiquei meio perdida, visse. Eu sou iniciante e já faço uns dez minutos de elástico e rotação externa antes de treinar porque me mandaram fazer. Como é que eu sei se isso é conserto de um erro que eu nem cometi ainda ou se é só o básico que todo mundo devia fazer?

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  • barbearia_ferro

    O texto botou o dedo na ferida que quase ninguém quer ouvir. Esse aquecimento de 20 minutos com elástico é o sujeito fugindo das duas séries de elevação lateral que ele devia ter feito cinco anos atrás. Vejo isso direto, mermão: cara que supina pesado, ombro estralando, e a única solução que ele aceita é um circuito de manguito, nunca botar deltoide posterior na conta de verdade. Conserto vende fácil porque parece avançado. Trabalho chato em volume não rende post.

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  • frangocomtudo

    Eu pulei elevação lateral por uns dois anos achando que era enchimento e adivinha quem ganhou ombro estalando. Hoje faço deltoide posterior e costas altas religiosamente e a tal dor sumiu sem ritual nenhum de elástico. O texto tá certo: a parte chata e direta resolve, o pacote de reparo vendido depois é que é furada. Eu só queria ter ouvido isso antes de pular a coisa chata.

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  • treino_do_real

    "Faz tua elevação lateral, cara" devia estar emoldurado na minha sala. A maior parte do meu serviço é tirar as três coisas que estão fazendo todo o resto não funcionar, e quase sempre uma delas é anos de empurrada por ego sem nada de estabilizador. Mas eu uso aquecimento dirigido com vários alunos e funciona, então cuidado pra não jogar o ritual fora junto com o exagero. Vinte minutos é teatro, cinco minutos certeiros não são.

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  • sem_po_magico

    A parte que o texto acerta em cheio é a do conserto que vende bem. "Blinde seus ombros" é a mesma jogada do pote de pré-treino: te empurram identidade no lugar de resultado. Trabalho direto de deltoide posterior não cabe num funil de venda, uai, é barato e chato demais. Aí embrulham a mesma ideia velha num nome em inglês e cobram caro pela tal sabedoria avançada. O básico bem feito nunca vai ter um pacote pra vender em cima.

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  • le_a_bula

    O texto manda recado certo no Ben Patrick e no Charles Poliquin: ideia corretiva básica embrulhada em novidade e vendida como conhecimento oculto. Eu leio a seção de métodos justamente por isso, o "segredo" quase sempre é trabalho direto velho de fantasia nova. Só não concordo que todo aquecimento de manguito seja dívida, parte é manutenção barata e sensata pra quem empurra muito. A crítica é ao marketing, não ao exercício.

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  • dorNaoEdano

    Eu sou a fisioterapeuta que o texto está provocando e concordo com boa parte. Muito do que chamam de prehab de ombro é cobrança de dívida de quem pulou deltoide posterior e costas altas por cinco anos. Onde eu travo é no "se o ombro dói, foi programação ruim", porque dor não lê o teu histórico de planilha. Ela aparece por carga, sono, estresse, vida. Trabalho corretivo bem feito não é fantasia, prehab vendido como segredo de iniciado é que é.

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