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URBEX,Lo e Bru, a igreja assombrada

Eduardo13
Pensamento

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CarlaoDoBar

Padre que sai correndo antes de todo mundo eu nunca vi, mas já vi segurança de festa fazer igual na primeira garrafa quebrada. O Bru tinha razão de reclamar, quem promete proteção não pode ser o primeiro na porta.

Padre que sai correndo antes de todo mundo eu nunca vi, mas já vi segurança de festa fazer igual na primeira garrafa quebrada. O Bru tinha razão de reclamar, quem promete proteção não pode ser o primeiro na porta.

Conteúdo da publicação

URBEX,Lo e Bru, a igreja assombrada.

Lo , Bru e Trice acordaram de madrugada e saíram para mais uma transmissão Urbex

O interior de São Paulo guardava lugares esquecidos pelo tempo. Estradas estreitas, fazendas abandonadas e casarões antigos escondidos entre árvores enormes faziam parte da paisagem. Mas havia um lugar que os moradores evitavam até mesmo durante o dia.

Era uma velha igreja de paredes rachadas, ligada a uma mansão gigantesca, apodrecida e tomada por trepadeiras. As janelas estavam quebradas, o telhado ameaçava desabar e o sino da torre tocava sozinho nas noites de tempestade.

Diziam que alguma coisa vivia lá dentro.

Foi justamente para aquele lugar que Lo, Bru e Trice resolveram viajar.

Lo estava com sua câmera na mão, gravando tudo. Bru carregava sua mochila, enquanto Trice observava a construção pela janela do carro.

— Rapaz, Lo… você tem certeza de que esse lugar é seguro? — perguntou Bru, olhando para a torre da igreja.

— Fala, galera, cês tão focados! — anunciou Lo para a câmera. — Hoje nós estamos aqui no interior de São Paulo, numa igreja antiga que, segundo os moradores, é mal-assombrada!

Bru olhou para ele.

— Você falou que a gente vinha conhecer uma igreja histórica!

— E não é isso?

— Uma igreja histórica.

— É! Mas você esqueceu de mencionar a parte de ser mal-assombrada!

Trice soltou uma risada.

— Vocês dois são uns medrosos. É só uma igreja velha.

Naquele momento, o sino da torre tocou.

DONG… DONG… DONG…

Os três ficaram imóveis.

Lo olhou para o alto.

— Ué… tem alguém lá em cima?

— Não tem eletricidade nesse lugar há décadas! — respondeu Bru. — Como é que esse sino está tocando?

— Deve ser o vento — disse Lo, embora sua voz tivesse perdido a confiança.

— Vento não puxa corda, seu animal! — retrucou Bru.

Antes que começassem outra discussão, a porta lateral da igreja se abriu lentamente.

Um homem idoso apareceu. Usava uma batina preta, segurava um crucifixo e tinha um rosto marcado pelo cansaço. Seus olhos pareciam carregar uma história que ele preferia não contar.

— Vocês não deveriam estar aqui — disse ele.

Lo imediatamente apontou a câmera.

— Boa tarde, senhor! Somos exploradores urbanos. Eu sou o Lo, esse é o Bru e aquela é a Trice. O senhor é o responsável pela igreja?

O homem respirou fundo.

— Sou o padre Josias Bolsonete. E, se prezam pela própria segurança, aconselho que vão embora antes do anoitecer.

Bru engoliu em seco.

— Padre, o senhor disse isso porque a igreja está condenada e pode cair ou porque tem alguma coisa aqui dentro

O sacerdote olhou para a mansão ao lado.

— Por causa daquilo que habita este lugar.

Lo sorriu, tentando parecer corajoso.

— Ah, padre! Com todo respeito, uma igreja não vai ter nada perigoso. É um lugar sagrado! O que poderia acontecer aqui? No máximo, aparece um fantasma rezando uma Ave-Maria!

Bru começou a rir, mas parou quando percebeu que o padre não estava sorrindo.

— Meu filho — disse Josias, aproximando-se —, há coisas que nem mesmo as paredes de uma igreja conseguem manter afastadas.

A lenda da criatura

O padre os conduziu para dentro da igreja. O ar era gelado, apesar do calor do lado de fora. Bancos quebrados estavam espalhados pelo chão, imagens de santos tinham os rostos danificados e grossas teias de aranha cobriam o altar.

Josias acendeu algumas velas.

— Há mais de cinquenta anos, esta igreja e a mansão pertenciam a uma família muito rica. O patriarca, Augusto Valença, era um homem cruel. Segundo os antigos moradores, ele realizava experiências secretas nos porões da mansão. Queria criar algo capaz de superar a força de qualquer homem.

Trice franziu a testa.

— Experiências? Que tipo de experiências?

— Ninguém sabe ao certo. Certa noite, houve um incêndio. A família desapareceu, os empregados fugiram e a mansão foi fechada. Mas, depois daquela noite, começaram os relatos.

O padre fez uma pausa.

— Primeiro, eram apenas ruídos. Passos pesados no andar de cima, pancadas nas paredes, portas arrancadas das dobradiças. Depois, os moradores começaram a ver uma criatura.

Bru cruzou os braços.

— Que criatura?

Josias ergueu a vela, como se temesse que alguma coisa estivesse escondida nas sombras.

— Uma coisa enorme. Parecida com um gorila, mas muito maior. Seus braços quase arrastavam no chão. O corpo era coberto por uma espécie de pele escura, grossa como pedra. E os olhos…

O padre baixou a voz.

— Os olhos brilhavam em vermelho.

Lo tentou rir.

— Ah, padre! Então é um gorilão de olhos vermelhos? Deve ser algum animal que escapou de um circo!

— Animais não derrubam portas de ferro com um único golpe — respondeu Josias.

O sorriso de Lo desapareceu.

— Portas de ferro?

— E não deixam marcas de mãos humanas nas paredes, a quase três metros de altura.

Bru deu um passo para trás.

— Lo… eu acho que já temos conteúdo suficiente para o canal. Vamos embora, fazer uma edição bonita e fingir que investigamos o lugar.

— Calma, Bru! Nós nem vimos a criatura ainda.

— E É EXATAMENTE POR ISSO QUE EU QUERO IR EMBORA!

Trice colocou a mão no rosto.

— Vocês são impossíveis!

O padre continuou:

— Durante anos, tentei descobrir a origem daquela coisa. Acredito que ela esteja presa na mansão, mas, quando a noite chega, às vezes atravessa a igreja. Por isso, ninguém permanece aqui depois do pôr do sol.

Lo olhou para a janela.

O céu já estava ficando escuro.

— Padre… só por curiosidade… que horas são?

— quase 18 horas

Então um barulho -BUM!

Todos se viraram.

Outro golpe fez o chão tremer.

BUUUUM!

A porta de madeira se curvou para dentro.

O padre apertou o crucifixo.

— Meu Deus… não pode ser. Ela nunca veio tão cedo.

Trice agarrou o braço de Lo.

— Lo, o que é aquilo?

Um ruído profundo veio do outro lado da porta. Não era um rosnado de animal comum. Parecia o som de algo enorme respirando, faminto e furioso.

Então, três riscos compridos surgiram na madeira, como se garras gigantescas estivessem rasgando a porta.

Bru já estava quase chorando.

— Lo… meu amigo… eu quero deixar registrado que fui contra essa viagem desde o começo!

Lo ergueu a câmera com as mãos trêmulas.

— Galera… se vocês estão vendo isso, é porque… é porque…

Uma mão gigantesca, coberta por pelos negros e dedos compridos, agarrou o batente. Em seguida, surgiu uma cabeça monstruosa, com mandíbula larga, dentes enormes e dois olhos vermelhos que pareciam brasas acesas.

A criatura era ainda maior do que o padre havia descrito.

Ela abaixou a cabeça para entrar na igreja.

E olhou diretamente para os três.

Por alguns segundos, ninguém se mexeu.

Então Bru soltou um grito tão alto que até os santos pareciam ter se assustado.

— AAAAAAAH! É O GORILA DO INFERNO!

Lo largou a câmera, agarrou Trice pela mão e correu em direção ao altar.

— CORRE, BRU! CORRE!

— EU TÔ CORRENDO, MAS MINHAS PERNAS NÃO ESTÃO COLABORANDO!

O padre Josias permaneceu diante da criatura, segurando o crucifixo e pronunciando uma oração.

A criatura rugiu.

As velas se apagaram de uma só vez.

E, na escuridão, uma voz rouca e sobrenatural ecoou pela igreja:

Lo, Bru e Trice se esconderam atrás de um banco quebrado.

Bru segurou Lo pelo braço e sussurrou:

— Você disse que uma igreja não tinha nada perigoso!

Lo olhou para a enorme sombra que avançava pelo corredor.

— Eu retiro o que disse!

Mas, quando a luz da lua atravessou uma janela quebrada, Lo percebeu algo que o deixou ainda mais assustado.

E o sacerdote, em vez de demonstrar surpresa, parecia reconhecer aquele monstro.

— Você voltou… — murmurou Josias.

A criatura abriu a boca, revelando dentes enormes.

E respondeu:

— VOCÊ PROMETEU QUE NUNCA CONTARIA A VERDADE!

O padre empalideceu.

Trice olhou para Lo. Bru parou de tremer por um instante.

Porque agora estava claro que aquela não era apenas uma igreja assombrada.

O padre Josias escondia um segredo — e a criatura conhecia a verdade.

LO E BRU — A IGREJA ASSOMBRADA

Capítulo II — O Monstro, a Armadilha e o Ouro Perdido

O rugido da criatura fez as paredes da velha igreja tremerem. Lo, Bru e Trice estavam encolhidos atrás de um banco, enquanto o padre Josias permanecia diante do monstro, segurando o crucifixo.

De repente, o sacerdote arregalou os olhos e gritou:

— SALVEM SUAS VIDAS! CADA UM POR SI!

E saiu correndo como se tivesse visto o próprio diabo!

— UÉ, PADRE! E A PROTEÇÃO DIVINA?! — berrou Lo.

Josias atravessou a porta da igreja e desapareceu na escuridão da noite.

Bru ficou indignado.

— O homem é padre! Devia ficar aqui fazendo oração!

— Bru, você queria que ele ficasse para servir de jantar para o gorila?!

A criatura soltou outro rugido e começou a avançar pelo corredor, destruindo os bancos com os braços enormes.

— DEPOIS A GENTE DISCUTE ISSO! CORRE! — gritou Trice.

Os três dispararam em direção a uma porta lateral e entraram numa salinha antiga, provavelmente usada para guardar objetos da igreja. Lo fechou a porta e empurrou um armário contra ela.

Bru caiu sentado no chão, ofegante.

— Pronto. Acabou. Minha carreira de explorador urbano terminou. Vou abrir uma barraca de pastel. É menos perigoso!

— Você nem sabe fritar um ovo! — respondeu Lo.

— E VOCÊ SABE ENFRENTAR UM GORILA DO INFERNO?!

Lo abriu a boca para responder, mas não encontrou argumento.

Do lado de fora, ouviram passos pesados.

TUM… TUM… TUM…

A maçaneta começou a girar lentamente.

Os três prenderam a respiração.

Mas, de repente, os passos se afastaram.

Trice levantou-se.

— Vou dar uma olhada no resto da sala. Talvez exista outra saída.

— Você vai aonde?! — perguntou Bru.

— Até ali, Bru. Não vou para o Japão!

Trice afastou algumas caixas e encontrou uma passagem estreita que levava a um cômodo nos fundos. Curiosa, começou a investigar.

Lo e Bru ficaram sozinhos.

Um ruído veio de trás deles.

CREC… CREC…

Bru virou a cabeça bem devagar.

— Lo…

— O quê?

— Você ouviu isso?

— Ouvi.

Outro ruído.

GRRRRRRRR…

Grrrrrauuuu.....

Bru ficou branco.

— Ele está atrás de nós, não é?

Lo olhou para a frente.

— Não se mexe…

Bru começou a tremer.

— Lo… eu acho que ele está respirando no meu pescoço!

Então Bru deu um salto espetacular e caiu diretamente no colo de Lo, agarrando-se a ele como uma criança assustada.

— AAAAAAAH! ELE VAI COMER A GENTE!

— SAI DO MEU COLO, BRU! VOCÊ PESA UMA TONELADA!

— NÃO VOU SAIR! EU TENHO FAMÍLIA!

A porta se abriu violentamente.

Os dois gritaram e saíram correndo, tropeçando um no outro. Bru ainda estava agarrado a Lo quando atravessaram o corredor.

— SOLTA, HOMEM!

— ENQUANTO EU ESTIVER VIVO, SOLTO NÃO!

Foi então que Trice apareceu, segurando uma lanterna e apontando para um pequeno aparelho no fundo do cômodo.

— PAREM DE GRITAR! EU DESCOBRI UMA COISA!

Lo e Bru pararam tão bruscamente que quase caíram.

— O quê? — perguntou Lo, tentando recuperar o fôlego.

Trice apontou para o aparelho.

— Um projetor! E olhem aquilo!

A descoberta de Trice.

Trice explicou que havia encontrado uma pequena abertura na parede, voltada para o interior da igreja. O aparelho estava ligado a uma estrutura improvisada, com espelhos, lentes e um equipamento que produzia fumaça.

A projeção, ampliada pela neblina artificial, criava a imagem gigantesca do monstro de olhos vermelhos.

Lo ficou olhando para o equipamento.

— Então… aquele gorila enorme que apareceu na igreja…

— Era uma projeção — completou Trice. — Uma imagem feita para parecer real no meio da fumaça e da escuridão.

Bru soltou Lo imediatamente.

— ESPERA AÍ! VOCÊ ESTÁ DIZENDO QUE EU PULEI NO COLO DESSE HOMEM POR CAUSA DE UM FILME?!

Lo ajeitou a blusa, ofendido.

— Você pulou no meu colo porque quis!

— Eu estava sob pressão psicológica!

— Você quase arrancou meu pescoço!

Trice cruzou os braços.

— Vocês dois podem parar? Ainda não sabemos quem está por trás disso.

Lo examinou o projetor.

— O padre sabia exatamente o que estava acontecendo. E fugiu antes que o monstro aparecesse de verdade.

Bru arregalou os olhos.

— Você está insinuando que alguém é o gorila?!

— Não exatamente. Mas aposto que o padre sabe mais do que contou.

Trice apontou para uma porta entreaberta, no final do corredor.

— Então vamos descobrir.

A armadilha

Os três seguiram por uma passagem que ligava a igreja à antiga mansão. O lugar estava cheio de teias de aranha, móveis apodrecidos e caixas cobertas de poeira.

Numa sala de armazenamento, encontraram cordas, redes grossas e antigas roldanas, provavelmente utilizadas para erguer objetos pesados.

Lo teve uma ideia.

— Vamos fazer uma armadilha.

Bru olhou para a rede.

— Que, segundo a Trice, era uma projeção!

— E se houver outra criatura de verdade?!

— Então você pula no meu colo de novo!

— ENGRAÇADINHO!

Trice, porém, já estava examinando as cordas.

O plano era simples: usar a rede suspensa por uma roldana e fazê-la cair sobre quem entrasse no corredor. Lo ficou escondido atrás de uma coluna, segurando a corda. Trice se posicionou junto à parede, enquanto Bru ficou encarregado de atrair o suposto monstro.

— Por que eu? — sussurrou Bru.

— Por que eu? Precisamos arranjar um cachorro alemão e dar o nome de Scooby para servir de isca.

—Ja tive um sonho assim,e é Porque você grita muito bem — respondeu Lo.

— Quando eu sair daqui, vou trocar de amigos!

Poucos minutos depois, um vulto surgiu no corredor.

Era enorme, coberto por uma roupa escura, com uma cabeça monstruosa e olhos vermelhos brilhantes.

A criatura soltou um rugido assustador.

Bru apontou para ela.

— OLHA, LO! É O GORILA! E DESSA VEZ NÃO É FILME!

— PUXA A CORDA! — gritou Trice.

Lo puxou.

A rede despencou do teto e envolveu o monstro, que caiu de joelhos, debatendo-se furiosamente.

— PEGAMOS! — comemorou Lo.

Trice correu até a criatura e prendeu a rede com uma corda adicional.

Bru, ainda mantendo uma distância prudente, ergueu um pedaço de madeira.

— PEGAMOS, ESTOU ME SENTINDO UM HERÓI.....

— Fique parado, seu macaco demoníaco! Aqui quem manda é a humanidade!

O monstro tentou se levantar, mas a rede o manteve preso.

Lo aproximou-se, apontando a câmera.

— Muito bem, senhor criatura. Vamos descobrir quem é você!

Bru puxou a cabeça monstruosa.

— Vamos tirar essa máscara!

E arrancou-a de uma vez.

Os três ficaram imóveis.

Debaixo da máscara estava o rosto suado e furioso do…

— PADRE JOSIAS BOLSONETE?! — gritaram juntos.

O sacerdote tentou esconder o rosto, mas já era tarde.

Bru deixou cair o pedaço de madeira.

— O PADRE ERA O GORILA?!

Lo começou a rir.

— Padre, o senhor quase fez o Bru ter um infarto!

— Eu não tive infarto! — protestou Bru. — Apenas experimentei uma reação fisiológica extrema diante de um perigo imaginário!

Trice apontou para a roupa escura, a máscara e os dispositivos presos ao traje.

— Foi o senhor quem montou tudo isso?

Josias percebeu que não havia mais como escapar. Baixou a cabeça.

— Sim. A projeção, a fumaça, os ruídos… tudo foi planejado.

Lo cruzou os braços.

— Mas por quê?

O padre permaneceu em silêncio por alguns segundos. Depois, soltou um suspiro.

— Por causa do ouro.

O segredo da mansão

Josias contou que, muitos anos antes, Augusto Valença havia escondido uma fortuna em ouro em algum lugar entre a mansão e a igreja.

Antes de desaparecer, o antigo proprietário teria deixado pistas sobre o esconderijo. A história passou de geração em geração, mas ninguém jamais encontrou o tesouro.

— Descobri documentos antigos que indicavam a existência de uma passagem subterrânea — confessou o padre. — Mas os moradores tinham medo de entrar aqui. Então criei a lenda da criatura para manter todos afastados enquanto procurava o ouro.

Trice ficou indignada.

— O senhor assustou a cidade inteira! E usou uma igreja para esconder seus golpes?

— Eu precisava de tempo — respondeu Josias. — E acreditava que, quando encontrasse o tesouro, poderia ir embora e começar uma nova vida.

Bru balançou a cabeça.

— Padre, o senhor podia ter escolhido uma profissão mais tranquila. Sei lá… vendedor de seguros!

Lo apontou para a mansão.

— Espere aí. Se o senhor ainda está procurando o ouro, então não o encontrou.

O padre não respondeu.

Trice percebeu uma chave antiga presa ao cinto dele.

— E essa chave abre o quê?

Josias tentou escondê-la, mas Lo foi mais rápido e a retirou.

— Acho que vamos descobrir!

Os quatro seguiram até a mansão, Trice havia visto uma fechadura escondida enquanto investigava a mansão, então desceram uma escadaria escondida atrás de um armário. No fundo, encontraram uma parede de pedras com uma pequena fechadura.

A chave girou.

CLAC!

Uma seção da parede se abriu, revelando uma câmara subterrânea.

Lá dentro havia baús antigos, moedas espalhadas pelo chão e barras de ouro cobertas de poeira.

Bru ficou de boca aberta.

— Minha Nossa Senhora… é ouro de verdade!

Lo ergueu a câmera.

— Galera, vocês não vão acreditar! Viemos investigar uma igreja assombrada e encontramos um tesouro!

Trice, porém, não estava sorrindo. Ela havia encontrado um documento sobre uma mesa de pedra.

— Pessoal… acho que vocês precisam ler isto.

Era um antigo registro da propriedade. O texto indicava que parte da fortuna pertencia a herdeiros legítimos de Augusto Valença, e outra parte havia sido confiada à igreja para obras de caridade.

Lo olhou para o padre.

— Então o senhor não podia simplesmente ficar com tudo.

Josias abaixou a cabeça.

— Eu sei.

Bru apontou para o tesouro.

— E agora? Vamos chamar a polícia?

— Vamos — respondeu Trice. — O tesouro precisa ser examinado, e a origem de tudo isso deve ser esclarecida.

O padre não tentou fugir novamente. Sentou-se num degrau, derrotado.

Lo aproximou a câmera para registrar o desfecho.

— Padre Josias, tem alguma coisa a dizer aos nossos espectadores?

O homem suspirou.

— Nunca deixem a ganância controlar suas vidas.

Bru assentiu solenemente.

— E nunca confiem num padre que tem um gorila guardado no armário!

Lo caiu na gargalhada.

— Bru, pelo amor de Deus!

— O quê? Depois do que eu passei hoje, tenho direito de falar!

Os três começaram a rir enquanto subiam as escadas da mansão.

Mas, quando estavam prestes a sair, Trice olhou para trás.

No fundo da câmara, atrás de um dos baús, havia uma pequena porta de ferro que ninguém tinha percebido.

E, do outro lado dela, ouviram três batidas.

TOC… TOC… TOC…

O sorriso de Trice desapareceu.

— Lo… Bru… vocês ouviram isso?

Bru agarrou o braço de Lo imediatamente.

— Não. Não ouvi nada. E, se ouvi, não quero saber!

Lo apontou a lanterna para a porta.

— Padre Josias… o que tem ali atrás?

Pela primeira vez naquela noite, o sacerdote pareceu verdadeiramente aterrorizado.

— Aquela porta… não fui eu quem fechou.

A lanterna piscou.

E, do outro lado, alguma coisa começou a arranhar o ferro.

RRRRRRRRR…

Bru soltou um grito.

— EU SABIA! O GORILA TINHA UM IRMÃO!

LO E BRU — A IGREJA ASSOMBRADA

Capítulo Final — O Verdadeiro Monstro!

RRRRRRRRR… TOC! TOC! TOC!

As batidas na porta de ferro ficaram cada vez mais fortes.

Lo arregalou os olhos. Trice levou as mãos à boca. O padre Josias começou a rezar, enquanto Bru olhava para todos os lados, procurando uma saída.

— Padre… o que foi que o senhor trancou aí dentro?! — perguntou Lo.

— EU JÁ DISSE QUE NÃO FUI EU! — gritou Josias.

De repente, a porta de ferro estremeceu violentamente!

BANG!— CORRE, CAMBADA! — berrou Bru.

E foi uma correria desesperada, deixando o tesouro para trás!

Lo disparou escada acima, Trice correu logo atrás, o padre Josias quase perdeu os sapatos, e Bru, como sempre, passou na frente de todo mundo.

— NÃO OLHEM PARA TRÁS! — gritava Bru.

— MAS O QUE TEM LÁ ATRÁS?! — perguntou Lo, correndo.

— NÃO SEI! E NÃO QUERO SABER!

Os quatro atravessaram a mansão, passaram pela igreja, derrubaram um banco, tropeçaram numa imagem caída e saíram pela porta principal como se estivessem disputando uma final olímpica.

Lá fora, continuaram correndo pela estrada de terra até chegarem ao carro.

Lo abriu a porta, Trice entrou, o padre Josias pulou no banco de trás e Bru tentou entrar pela janela antes de perceber que a porta estava aberta.

— LIGA ESSA PORCARIA, LO!

— CALMA! EU TÔ TENTANDO, Ai....pummm.... PEIDEI!

— ISSO É FALTA DE REMÉDIO..... ABRE Essas janelas....vou vomitar.....

O carro arrancou levantando uma nuvem de poeira, Ninguém disse uma palavra durante alguns segundos, então Trice ligou para as autoridades, falando do tesouro encontrado, mas não falou nada sobre o padre arrependido.

Então Lo olhou pelo retrovisor.

— Bom… pelo menos descobrimos que o gorila era uma farsa.

Bru virou-se para ele, indignado.

— UMA FARSA?! EU QUASE MORRI TRÊS VEZES HOJE!

Trice começou a rir.

Até o padre Josias soltou uma pequena gargalhada nervosa.

E assim os quatro desapareceram pela estrada, jurando nunca mais voltar àquela igreja.

Mas, dentro da mansão abandonada…

A porta de ferro permanecia entreaberta.

Um pequeno ratinho saiu de trás de um baú, olhou na direção por onde todos haviam fugido e mexeu os bigodinhos.

Depois, tranquilamente, caminhou até a porta, segurando um pedacinho de queijo entre as patas.

Era ele quem estava arranhando o ferro!

O ratinho parou, olhou para a câmera imaginária e soltou um pequeno guincho:

— Quiiiiiiiiii.....

E voltou para dentro da mansão.

FIM! 😂🐭

Thoughts

  • so_o_texto_diz

    O padre pregando contra a ganância sentado no degrau, depois de montar um gorila de projetor pra caçar ouro, é a parte mais séria da história. Tem Mateus 6 ali: o tesouro no porão e a igreja caindo aos pedaços.

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  • CarlaoDoBar

    Padre que sai correndo antes de todo mundo eu nunca vi, mas já vi segurança de festa fazer igual na primeira garrafa quebrada. O Bru tinha razão de reclamar, quem promete proteção não pode ser o primeiro na porta.

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