Êêê... boi...eia boiada.....
O berrante cortava o silêncio da estrada...
E ali, na porteira, havia uma cruz...
Na porteira da fazenda,
Havia um velho cruzeiro,
E um menino todo dia
Esperava o boiadeiro.
Quando a boiada passava,
Ele tirava o seu chapéu,
Juntava as mãos e rezava,
Pedindo a bênção do céu.
Era o menino da cruz,
Que rezava com devoção,
E cada boiadeiro que passava
Guardava aquela oração.
Um dia ganhou um chapéu,
Outro dia um berrante,
Mas o maior presente que tinha
Era a fé no peito constante.
O berrante então soava,
Pela estrada de chão batido,
E o menino junto à cruz
Ficava ali agradecido.
Um boiadeiro bondoso
Lhe deu seu velho chapéu,
Outro deixou seu berrante,
Como lembrança do céu.
Era o menino da cruz,
Que rezava com devoção,
E cada boiadeiro que passava
Guardava aquela oração.
Um dia ganhou um chapéu,
Outro dia um berrante,
Mas o maior presente que tinha
Era a fé no peito constante.
Mas certo dia, de repente,
A porteira se abriu...
A boiada se assustou,
E feito um trovão partiu.
O chão tremia debaixo
Dos cascos daquele gado,
E o menino estava sozinho,
Bem no meio do caminho.
Ele não correu, não fugiu,
Nem perdeu sua esperança.
Ajoelhou junto ao cruzeiro
Como quem confia e descansa.
Tirou o chapéu da cabeça,
Baixou os olhos ao chão:
“-Meu Deus, proteja essa boiada,
E tenha de mim compaixão.”
Era o menino da cruz,
De joelhos diante do altar,
E enquanto fazia sua prece,
A boiada começou a parar.
O boi que vinha na frente
Parou diante do menino,
E atrás dele toda a boiada
Parou naquele caminho.
Parecia que um anjo
Estava ali naquele lugar...
O boi baixou sua cabeça,
E os outros vieram parar.
Um por um, diante da cruz,
Foram baixando ao chão...
E aquela enorme boiada
Ficou em paz na oração.
Quando o menino terminou
E levantou os olhos pro céu,
A boiada se levantou
E seguiu seu rumo fiel.
Ninguém sabe o que aconteceu
Naquela tarde de verão...
Só sabem que diante da cruz
Venceu a força da oração.
E até hoje, naquela porteira,
Quando o berrante começa a tocar,
Tem quem diga que vê um menino
De joelhos diante do altar.
Com seu velho chapéu na cabeça,
E a cruz iluminada ao lado...
Rezando por todo boiadeiro
Que passa por aquele chão sagrado.
Era o menino da cruz,
Um menino de fé e oração...
E quem passa por aquela porteira
Leva Deus no coração.
Era o menino da cruz...
E a cruz ficou como sinal:
Que a fé de um coração sincero
Pode acalmar até uma boiada inteira.
Com Deus no coração, uma boiada inteira pára, para ouvir uma oração.....
"É Deus que nos fortalece, nos proteje, vive em nossos corações......."