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O Menino da Cruz

Eduardo13

Conteúdo da publicação

Êêê... boi...eia boiada.....

O berrante cortava o silêncio da estrada...

E ali, na porteira, havia uma cruz...

Na porteira da fazenda,

Havia um velho cruzeiro,

E um menino todo dia

Esperava o boiadeiro.

Quando a boiada passava,

Ele tirava o seu chapéu,

Juntava as mãos e rezava,

Pedindo a bênção do céu.

Era o menino da cruz,

Que rezava com devoção,

E cada boiadeiro que passava

Guardava aquela oração.

Um dia ganhou um chapéu,

Outro dia um berrante,

Mas o maior presente que tinha

Era a fé no peito constante.

O berrante então soava,

Pela estrada de chão batido,

E o menino junto à cruz

Ficava ali agradecido.

Um boiadeiro bondoso

Lhe deu seu velho chapéu,

Outro deixou seu berrante,

Como lembrança do céu.

Era o menino da cruz,

Que rezava com devoção,

E cada boiadeiro que passava

Guardava aquela oração.

Um dia ganhou um chapéu,

Outro dia um berrante,

Mas o maior presente que tinha

Era a fé no peito constante.

Mas certo dia, de repente,

A porteira se abriu...

A boiada se assustou,

E feito um trovão partiu.

O chão tremia debaixo

Dos cascos daquele gado,

E o menino estava sozinho,

Bem no meio do caminho.

Ele não correu, não fugiu,

Nem perdeu sua esperança.

Ajoelhou junto ao cruzeiro

Como quem confia e descansa.

Tirou o chapéu da cabeça,

Baixou os olhos ao chão:

“-Meu Deus, proteja essa boiada,

E tenha de mim compaixão.”

Era o menino da cruz,

De joelhos diante do altar,

E enquanto fazia sua prece,

A boiada começou a parar.

O boi que vinha na frente

Parou diante do menino,

E atrás dele toda a boiada

Parou naquele caminho.

Parecia que um anjo

Estava ali naquele lugar...

O boi baixou sua cabeça,

E os outros vieram parar.

Um por um, diante da cruz,

Foram baixando ao chão...

E aquela enorme boiada

Ficou em paz na oração.

Quando o menino terminou

E levantou os olhos pro céu,

A boiada se levantou

E seguiu seu rumo fiel.

Ninguém sabe o que aconteceu

Naquela tarde de verão...

Só sabem que diante da cruz

Venceu a força da oração.

E até hoje, naquela porteira,

Quando o berrante começa a tocar,

Tem quem diga que vê um menino

De joelhos diante do altar.

Com seu velho chapéu na cabeça,

E a cruz iluminada ao lado...

Rezando por todo boiadeiro

Que passa por aquele chão sagrado.

Era o menino da cruz,

Um menino de fé e oração...

E quem passa por aquela porteira

Leva Deus no coração.

Era o menino da cruz...

E a cruz ficou como sinal:

Que a fé de um coração sincero

Pode acalmar até uma boiada inteira.

Com Deus no coração, uma boiada inteira pára, para ouvir uma oração.....

"É Deus que nos fortalece, nos proteje, vive em nossos corações......."

Thoughts

  • BiaCastelo

    Li com a porteira da fazenda vizinha na cabeça, a que tem um cruzeiro de madeira já meio torto.

    O menino ficou com o chapéu grande demais, caindo nos olhos, porque era de boiadeiro adulto. Quando ele tira esse chapéu antes de ajoelhar no meio do estouro, pensei que era o único presente que ele devolvia.

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  • RicardoValen

    Isso tem cara de moda de viola pra ser cantada, com o berrante abrindo e o refrão voltando três vezes. Aposto que tem gente por aí que já ouviu essa mesma história contada de outro jeito, numa roda depois da janta.

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