Guarda-chuva molhado no cesto e o cara jurando que não choveu. Esse protagonista tá vivendo um dia atrasado em relação a todo mundo, visse.
Uníssono - Capítulo 4
Pensamento
Guarda-chuva molhado no cesto e o cara jurando que não choveu. Esse protagonista tá vivendo um dia atrasado em relação a todo mundo, visse.
Conteúdo da publicação
Antologia de Órion
IV
Depois de enfrentar aquele trânsito intenso, estranhamente caótico, consegui achar uma vaga no estacionamento do escritório logo de cara. Devido ao horário, pensei que seria impossível encontrar um lugar livre, mas, aparentemente, a sorte me deu boas fortunas.
Ao entrar no escritório, percebi que havia guarda-chuvas molhados no cesto de suporte. Aquilo me intrigou, mas não tive tempo de processar. Já fui adentrando a cafeteria antes de seguir para minha mesa de trabalho.
— Bom dia, cara. Você parece cansado. Hoje o dia tá foda pra todo mundo.
Um colega de escritório me abordou. Retribuí com um bom-dia curto e seco.
— Bom dia. Pois é, terminei dormindo demais e tive contratempos com esse trânsito infernal.
Ele prosseguiu:
— Pô, queria o quê? Essa tempestade arruinou meus planos para o final de semana.
Falou:
— O que você irá fazer no feriado?
— Tá louco?! Que tempestade?
Antes que eu conseguisse assimilar aquilo ou formular alguma ideia, meu chefe se aproximou. Me lasquei.
— Olha quem chegou?! Até tava preocupado contigo. Mas ainda bem que chegou em segurança. Hoje foi complicado pra todo mundo.
— Sim, sim! Ainda bem que deu tudo certo.
Respondi, inclusive, achando estranho não ter sido repreendido pelo atraso. Meu chefe, então, continuou:
— Temos que entregar esse projeto para o nosso cliente no próximo dia útil. Vamos dar um gás hoje e finalizar antes do feriado.
Acenei com a cabeça enquanto dava o primeiro gole no café. Odiava aquele café do escritório. Muito amargo e com gosto de queimado.
Olhei para minha colega de trabalho, que estava próxima, e respondi:
— Aparentemente, meu feriado vai se resumir a trabalhar nesse projeto de merda.
Odeio fazer plantas para construtora.
Logo em seguida, fui adentrando ao local de trabalho. Todos estavam focados em seus projetos. Era um ambiente pacífico e virtualmente aconchegante. O silêncio estava bem mais perceptível hoje, como se todos estivessem em seu próprio mundo; ou melhor, todos estavam atolados de serviço.
Chegando em minha mesa, coloquei o café ao lado do monitor e liguei o computador. Enquanto ele reiniciava, joguei o peso do meu corpo para trás e me inclinei, agarrando o encosto da cadeira com os braços. Estava me espreguiçando enquanto olhava para o teto impecavelmente branco.
— Que merda, vamos ficar até mais tarde hoje.
Escutei meu colega vizinho comentar.
— Nada vem de graça, meu amigo. Nada.
Falei, sorrindo de forma sarcástica.
Ele riu e continuou:
— Inclusive, essa semana abriu um restaurante novo na rua ao lado.
Prestei logo atenção. Amo conhecer locais novos.
— Apesar de ser um restaurante vegano, falaram que a comida é muito boa. Nem parece que tamo comendo capim.
Ele riu. Acho ele deplorável.
— Gostaria de ir com a gente? Estamos pensando em almoçar lá para experimentar — ele perguntou.
— Muito provavelmente não conseguirei ir no horário de vocês. Vou um pouco mais tarde. Talvez eu almoce por lá também.
Continuei olhando para o teto.
O computador ligou. Me ajustei na cadeira e agradeci:
— Obrigado pelo convite. Mas fica pra próxima.
Olhei para a tela e dei mais um gole no café ruim.
Foi então que o barulho da chuva invadiu o ambiente.
Comecei a trabalhar.
Capítulo 2:
Capítulo 3:
Capítulo 5:
Capítulo 6: -
Capítulo 7: -
Epílogo: -
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