Antologia de Órion.
Epílogo
O quarto estava denso por uma meia luz amarelada que vinha do abajur da mesa de cabeceira. A janela fechada e parcialmente coberta por uma cortina de linho, impecavelmente branca como aquele teto de outrora. O ar estava morno e havia um cheiro suave de sabonete e tecido limpo.
Me encontrava enrolado em lençóis macios de seda, com um livro em minha mão caída para o lado, enquanto sentia o peso acolhedor de um abraço que se estendia através dos meus sonhos. Dormia profundamente enquanto escutava uma respiração tranquila e o barulho da chuva, ambos em sintonia. A chuva tamborilava contra a janela. Lá fora, o céu estava completamente fechado.
Entretanto, eu estava sonhando com prosas que faziam sentido em melodias repletas de melancolias. As musas, deveras profusas, recitando sinas que não eram minhas. Mas essas rimas eram solenes igual às flechas de Ártemis ao céu atravessar.
Um clarão invadiu meus sonhos.
Um estrondo ressonou no quarto.
Antares reluzia.