Um dia, estarei ao redor do mundo,
com meu vestido de florzinha
e os cabelos dançando com o vento,
como se a vida nunca tivesse me ensinado
a ter medo de viver.
Vou esquecer o luto,
as dores que carreguei em silêncio,
as inseguranças que fizeram morada em mim
e todas as vezes em que me achei pequena
demais para caber nos meus próprios sonhos.
Talvez eu esteja em Paris,
ou em alguma cidade que ainda nem sei pronunciar,
tomando café sozinha,
olhando pessoas passarem
e percebendo que, afinal,
eu sobrevivi a tudo aquilo
que um dia achei que me destruiria.
Porque ser insegura
me rouba tempo demais.
Rouba manhãs,
fotografias,
vestidos que não usei,
lugares que não conheci,
palavras que engoli
e versões de mim
que nunca tive coragem de ser.
E eu não quero mais perder a vida
tentando descobrir se sou suficiente para vivê-la.
Quero ser.
Quero ir.
Quero sentir.
Quero amar sem medo,
rir alto sem pensar em quem está olhando,
vestir flores mesmo nos dias nublados
e deixar que o mundo conheça
a menina que passou tanto tempo
se escondendo de si mesma.
Um dia,
vou olhar para trás
e talvez nem reconheça
a garota que tinha medo de existir.
E, naquele dia,
com meu vestido de florzinha
e o mundo inteiro diante dos meus olhos,
vou entender:
eu não precisava ser menos insegura
para merecer a vida.
Eu só precisava parar de adiá-la.