Hoje, a carta não é para quem foi embora. Não é para quem me machucou. Não é para quem nunca respondeu.
Hoje, a carta é para mim.
Para a pessoa que sobreviveu aos dias em que parecia impossível continuar. Para quem chorou em silêncio, sorriu por educação e carregou um peso que ninguém via.
Quero pedir perdão por todas as vezes em que me culpei por coisas que não dependiam de mim. Perdão por ter aceitado tão pouco quando eu merecia tanto. Perdão por ter insistido em portas fechadas, esperando que alguém enxergasse o meu valor.
Você não era difícil de amar. Apenas entregou seu coração para pessoas que não sabiam cuidar dele.
A partir de hoje, prometo olhar para mim com mais gentileza. Respeitar os meus limites. Celebrar as minhas pequenas vitórias. Não vou mais medir meu valor pelo abandono de alguém.
As cicatrizes que carrego não contam apenas sobre a dor. Elas contam sobre a força que tive para continuar quando tudo dizia para desistir.
Ainda não sou quem desejo ser, mas também já não sou aquela pessoa que acreditava que precisava implorar por amor, atenção ou permanência.
Se um dia eu voltar a ler esta carta, espero encontrar uma versão de mim que tenha aprendido a sorrir sem culpa, a recomeçar sem medo e a entender que a paz vale mais do que qualquer despedida mal resolvida.
Com carinho,
De mim... para mim.