Eu queria me expressar mais, mas não sei como. Me sinto sozinha, sabe? Quer dizer, em meus longos 18 anos de vida, não me recordo de ter admitido isso em voz alta, pelo menos não enquanto eu estava falando algo sério. Apesar que são raras as vezes nas quais o que eu falo é levado a sério. Realmente é difícil saber, e confesso que nem eu mesma sei até onde o que falo é verdade. Mas sei que me sinto sozinha. É algo que posso afirmar. O que não descobri ainda é se gosto ou não de estar só. Eu não me conheço. Ou conheço? Acho que sim, mas não o suficiente para saber a resposta desse questionamento. Porém, ninguém gosta de estar sozinho o tempo todo, certo? Eu gosto de conversar. Na verdade, eu amo tagarelar por aí, falo até com as paredes. Só que as palavras vêm sumido da minha boca, costumo dizer que perdi minhas habilidades sociais. Não que antes eu fosse a rainha da comunicação e tivesse centenas de amigos por conta disso. Nunca tive muitos amigos, porém acredito que era um número um pouco maior do que o que há hoje. Eu acho. Não posso afirmar nada, pois não lembro das coisas da forma que realmente aconteceram, minha mente sempre dá aquela leve distorcida, sabe? Isso é o que dá ser uma pessoa que imagina demais. A realidade e a ficção se misturam.
O ponto é: toda aquela extroversão; o entusiasmo nas conversas; conseguir puxar vários assuntos aleatórios com pessoas aleatórias, tudo isso está sumindo. Não que isso seja de fato um GRANDE problema na minha vida. Eu ainda consigo manter uma conversa quando necessário. Eu só não gosto mais de fazer isso. E eu nem sei sobre o que gosto de falar. A minha melhor amiga é minha irmã mais velha, e nós conversamos sobre tudo, não necessariamente temos muitos gostos em comum, e mesmo assim assunto não falta. E quando falta, o silêncio é confortável. Com outras pessoas não funciona assim. Deve ser porque muitos têm uma imagem de mim na qual eu sou a extrovertida, que sozinha tem o poder de fazer uma conversa fluir. Antes eu talvez até tivesse esse "poder", agora não mais.
Em conversas normais as pessoas falam sobre o que têm em comum? E eu não sei se tenho muitas coisas em comum com as pessoas do meu convívio. Não que eu seja aquela diferentona, super alt ou super culta, e que gosta de filmes irlandeses em preto e branco dos anos 80. (Nada contra quem gosta desses filmes). É só que são poucas as coisas das quais eu gosto muito. Eu nem sequer tenho uma cantora ou cantor favoritos, porque eu escuto um pouquinho de cada e assim vai se formando minha playlist. Ainda mais que hoje em dia parece ser proibido falar que é fã de algo ou alguém sem saber até o horário em que as obras ou músicas foram lançadas. Tipo, eu gosto de Metallica, escuto umas 4 músicas da banda. Escuto umas 3 da Sabrina Carpenter, várias do Michael Jackson, ouço blues, soul, rap. Um pouquinho de tudo e muito de nada. Aí fica difícil, não é? A mesma coisa acontece com filmes. E com relação a filmes e séries, eu tenho um problema ainda maior. Por algum motivo desconhecido, é um grande desafio começar a ver algo novo. Sempre que tenho vontade de assistir algo, em vez de ir ver um filme que acabou de lançar e que parece ser muito bom, eu sempre acabo optando por ver um que já vi outras 59 vezes e que já sei todo o enredo. O mesmo ocorre com séries. Eu penso: "nossa, essa série nova parece super legal, mas por que não ver game of thrones pela 5° vez?" Enfim, muitas camadas.