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Último Capítulo 21: Rotina

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Após cinco dias do ataque, as aulas foram suspensas e o toque de recolher decretado. Os alunos permaneceram em seus alojamentos. O Exército de Ceres instalou um QG no pátio do Colégio s, ainda…

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Ovid

O Tomas com o dia inteiro cronometrado, minuto a minuto, e depois aquele manual de 470 páginas em branco com uma palavra só dentro. Um homem que estuda semente que nasce onde nada devia nascer, escrevendo isso para um filho que nunca viu. Aposto que essa

O Tomas com o dia inteiro cronometrado, minuto a minuto, e depois aquele manual de 470 páginas em branco com uma palavra só dentro. Um homem que estuda semente que nasce onde nada devia nascer, escrevendo isso para um filho que nunca viu. Aposto que essa carta chega antes do lançamento. Vai postar a continuação por aqui?

Conteúdo da publicação

Após cinco dias do ataque, as aulas foram suspensas e o toque de recolher decretado. Os alunos permaneceram em seus alojamentos. O Exército de Ceres instalou um QG no pátio do Colégio s, ainda marcado pelas sombras do funeral cinza.

Equipes de logística mapearam a área. A invasão fora realizada por uma aeronave de voo baixo, que atravessou os radares despercebida. O saldo: oitenta soldados de Arcádia mortos, sendo dez abatidos por Theo, um aluno de dezessete anos, e três pela aluna Ceres. Quinze estudantes morreram indefesos.

O clima era irrespirável.

No sexto dia, com o desmonte do QG e a retirada das equipes de assistência psicológica e UTI, uma notícia interrompeu a inércia da dor: Daime, um aluno cadeirante, recebeu alta.

Fora atingido por um disparo que ricocheteou nas paredes de mármore negro anti-impacto do colégio. O tiro, embora superficial, causou intensa hemorragia.

Sobreviveu.

Recebeu autorização para retomar suas atividades, sob observação.

No refeitório, os olhares se cruzavam — saudade dos que se foram, alívio por estarem ali. Como se, em silêncio, confirmassem: vai voltar ao normal. Era o que restava acreditar.

Theo e Tycho, seu irmão mais novo, sentavam-se como antes do ataque, repetindo o gesto simples de partir o pão. A comida parecia ter gosto outra vez, mas a memória ainda ardia. Para Theo, aquelas semanas isolados nos bancos do colégio militar tinham sido um ensaio de guerra. Mas a guerra fora real. Crianças mortas. Soldados enviados para matar alunos.

Theo sorriu para o irmão, tentando protegê-lo até com o olhar. Pensou em Daime — o amigo que carregou nos braços, coberto de sangue, e confiou a Ana no bunker.

Ana apareceu no refeitório naquele momento, silenciosa. Um breve sorriso entre os dois confirmou: todos estavam vivos.

Cors e Vanks, de longe, cruzaram olhares com Theo. Nada disseram. Ambos também haviam abatido soldados naquele dia, sob a liderança de Theo — o líder informal dos meninos do colégio. O olhar que trocaram dizia: estamos vivos, mas isso não muda nada. A rivalidade voltaria amanhã. Aquele era só um dia de trégua.

Kan, mais discreto, fez um gesto com a cabeça, concordando em silêncio com algo que não precisava ser dito.

— Daime está bem? — perguntou Tycho, com a voz baixa.

Theo hesitou. Olhou o prato.

— Não sei... Quando entrei, ele estava com Ana no bunker. Não tive mais notícias.

Tycho abaixou a cabeça.

Do outro lado do salão, Ana mantinha os olhos fixos em Theo. Havia algo aflito no seu silêncio. O medo não era do que aconteceu — era por Daime. No passado, ela e Daime haviam sido um casal. Depois do acidente no Flagball, tudo mudou. Mas a lembrança ainda os amarrava. O cuidado ainda era amor — mesmo que doído, mesmo que não dito.

Theo a viu do outro lado do pátio. Ceres. Os olhos dela — azul denso, que pareciam afundar tudo o que tocavam — procuravam os dele. Encontraram-se.

Foi um instante só, mas demorou mais que toda a semana isolados sob toque de recolher. Foram seis dias com regras rígidas, sem palavras, vigiados por drones e soldados que se revezavam entre mapas, luto e silêncio.

Agora, ali, entre o som dos talheres no refeitório e os corredores que voltavam a pulsar com o cotidiano, estavam eles: dois sobreviventes que se olhavam como quem implora por confirmação. Aprovação. Um do outro.

Os olhos de Ceres caíram sobre Theo com fome e carência. Não fome de carne, não ainda — mas de contato. De toque. De um gesto que dissesse: estamos vivos, e isso nos autoriza a querer.

Ambos sabiam o que haviam feito. Ceres matou três homens adultos. Theo matou dez. Soldados treinados. Homens armados. Homens enviados para matar crianças. Eles revidaram. Eles venceram.

Mas ali, naquela cidade sem deuses, onde só Mãe Ceres reina, não havia culpa. Eles fizeram o que deveriam. Não porque queriam, mas porque estavam prontos.

O colégio os moldou para isso. Os treinamentos, as repetições, as lições sobre segurança e patriotismo. Não restaram dilemas, apenas respostas.

Ceres quase foi morta por um daqueles soldados — mãos no pescoço, a voz sumindo, o escuro chegando. Foi Theo quem tirou o agressor de cima dela com um tiro direto na cabeça. Sangue nos olhos. Silêncio após o disparo.

Ele queria fugir naquela noite. Ir embora da cidade. Mas o desejo se apagou. Ceres viu. Viu no gesto dele, na escolha dele. Ele ama Mãe Ceres. E por amar Mãe Ceres, ela o ama.

Lembrou-se das palavras dela, ditas no escuro no campo florido da Cora, quando ainda tremia de adrenalina e febre:

— Você ama Mãe Ceres. Você provou isso. Como eu a amo... eu te amo.

Agora, naquele olhar distante entre as mesas, eles queriam se devorar. Mas ainda não. Ainda não.

O choque estava colado na pele, preso no corpo como uma segunda carne. O desejo existia, mas não conseguia atravessar o luto.

A única divindade viva naquela cidade era Mãe Ceres. E Mãe Ceres bastava.

A rotina começava a voltar. O refeitório cheio, as sirenes dos horários tocando nos corredores, os portões voltando a abrir e fechar com o som ritual das coisas normais.

E lá estava ela: Cora.

Recolhendo restos de alimentos numa caixa orgânica, separando cascas, sementes, sobras ainda boas. Levava tudo para a pequena cabana que construiu sozinha no limite do campo de treino — um abrigo de cães, gatos e até um ou outro rato domesticado. Era o que ela dizia:

“Nem cães, nem gatos, nem ratos passam fome em Ceres.”

Lema antigo da cidade, repetido em voz baixa como quem repete uma prece da infância.

Cora também carregava sementes nos bolsos. E as jogava nas calçadas de mármore negro, nas frestas de muros, na terra dos fundos do colégio. Sempre dizendo:

“Rasas ou fundas, as raízes vêm. Toda esperança precisa nascer feia antes de ficar bonita.”

Quando todos já estavam no pátio, Daime apareceu.

Cadeira de rodas, ataduras na perna, rosto um pouco mais magro, mas vivo. Muito vivo.

Quando ele surgiu no portão, o pátio inteiro pareceu congelar por um instante. Ana o viu. Sentada com a bandeja ainda pela metade, abaixou a cabeça e apertou os olhos — não para esconder o choro, mas para proteger o sentimento. Uma coisa íntima, ainda aberta. Ainda ferida.

Theo foi o primeiro a correr até ele.

— Você tá bem? — perguntou, apertando o ombro do amigo.

Daime ergueu uma sobrancelha e respondeu com um sorriso torto:

— Tô ótimo... Passei seis dias brigando com médico e enfermeira pra ver quem soltava o peido mais fedorento da UTI. Levei um tiro na coxa, seu animal boçal!

Theo deu uma gargalhada. Rara. Alta. Alívio puro. Um som que não se ouvia desde antes do ataque.

Ceres viu os dois. De longe. Os olhos azuis dela pousaram sobre a cena, leves e melancólicos. Estavam vivos. Isso era tudo.

Daime puxou o colar de identificação que ainda usava no pescoço, girou e olhou para Theo com uma risada de canto de boca:

— Fiquei sabendo que tu matou dez... Dez, porra! Devia ter matado mais. Aquele bando de filho da puta arcadiano queria foder o esquema da nossa Mãe. Mereceram cada tiro. Cada queda. — e cuspiu de leve no chão, como quem sela um voto.

Theo riu de novo. Ceres continuava olhando.

Então Daime viu Ceres. Os olhos cruzaram, e ele soltou um assobio curto e provocador:

— E você, Ceres... três mortes? Esses olhos azuis aí são de matar mesmo, hein? Cuidado com ela, Theo. Mata no olhar... e no resto também.

Theo apenas olhou para Ceres. Não respondeu. Não precisava. O ar entre eles estava carregado demais para piada. Mas o sorriso nos lábios era sincero. Daime estava vivo. Ceres estava viva. Eles estavam ali. A Mãe os havia guardado.

E o mundo — o pequeno mundo de mármore negro, sangue lavado e sementes nascendo entre as pedras — respirava. Ainda não livre. Mas vivo.

Mais tarde, numa das salas de leitura do Colégio s, já vazia e escurecida pela luz baixa do entardecer, Daime e Ana se encontraram.

Ela encostada na parede, braços cruzados, sem máscara no rosto — só o silêncio, só a espera.

Ele manobrava a cadeira com certa dificuldade, ainda se adaptando, ainda sentindo a dor física e outra que não sabia nomear.

Daime pigarreou. Limpou a garganta como quem se obriga a falar antes que o silêncio o vença.

— Eu queria... te pedir desculpas.

Ana ficou quieta por um segundo a mais do que o confortável. Depois respondeu, com a voz firme:

— Não precisa. Eu entendo. Você tá na cadeira.

Daime balançou a cabeça, riu sem humor.

— Não é por causa da cadeira. Pensei que ia morrer. De verdade. E naquela hora, só pensava em você. Mas não do jeito que você imagina. Era mais... tipo: por que eu fiz o que fiz? Por que eu te expulsei daquele jeito? Por que eu não sabia lidar com... com você sendo mais forte do que eu?

Ana respirou fundo, como quem fecha uma ferida com as próprias mãos.

— Pra mim sempre foi difícil, Daime. Você acha que só agora ficou?

Ele a olhou como se não a visse há anos. Como se estivesse reparando em algo que sempre esteve ali, mas ele sempre desviou.

— Daqui a três anos, nossa Mãe Ceres vai devorar a gente. — disse, com o tom duro e resignado de quem fala uma verdade universal. — Então hoje... só hoje... eu queria que fosse diferente. Que você soubesse que eu não quero mais te ofender. Que eu sei que fui um idiota. Que talvez ainda seja. Mas que não quero mais ser isso com você.

Ana sorriu com os olhos, sem mostrar os dentes. Aquela doçura fria dela, intacta. Depois, disse:

— Não ligo que você seja um cuzão.

Daime soltou uma risada abafada.

— Sempre fui assim. Com cadeira ou sem ela.

Ana deu um passo à frente.

— Cuzão?
— Sim... você disse um palavrão em voz alta, Ana. Como eu te ensinei.

Ficaram ali, olhando-se por longos segundos. Nas paredes, o eco da guerra, das mortes, das infâncias roubadas — mas ali, só eles dois.

Um passo dela.
Um silêncio dele.

E então, o beijo.

Demorou. Sem pressa. Não tinha o calor da paixão desgovernada, mas a temperatura exata de algo guardado há muito tempo. Como um sussurro entre ruínas. Como uma flor brotando num pátio militar.

Ceres talvez estivesse olhando. Talvez Mãe Ceres também. Mas nenhum deles se importou.

A rachadura estava feita.

E por ela, finalmente, a luz entrava.

O entardecer tornava a luz do colégio mais amarelada, filtrada pelas janelas grossas do corredor vazio. Theo empurrou a porta da sala dos professores. Nenhum som, nenhuma presença. Os docentes estavam reunidos para remanejar os horários perdidos nos últimos dias. A cidade precisava seguir. O colégio também.

No centro da sala, sobre a mesa de reuniões, havia uma cesta de frutas frescas. Algumas em abundância: peras, caquis, maçãs, três pêssegos maduros. Selo de Mãe Ceres. Colheita especial.

Theo olhou ao redor. Silêncio absoluto.
Pegou os três pêssegos e saiu.
Ninguém viu.

Andou pelos corredores com passos lentos. A lembrança de Dark detido na detenção ainda vibrava em sua mente. Ia passar meses lá. O que ele fizera no jogo de Flagball em Oplan, no vestiário... tudo ainda ecoava. Mas algo maior estava por vir: o lançamento da missão espacial CERES 2. Seu irmão, Tomas, deixaria o planeta e seria engolido pelo céu.

Pensar nisso dava a ele a sensação de que as coisas voltariam ao normal.

Mais adiante, viu Ceres.

Linda, imóvel, firme como mármore. A pele pálida, os olhos azuis abertos como céu em silêncio.

Theo parou. Ela o viu.

Por instantes, os dois ficaram imóveis.

Se reconheceram. Como se pedissem aprovação um ao outro.

Havia algo entre eles que nascera no meio do caos.

Theo lembrou do momento em que salvou Ceres, quando ela quase morreu estrangulada por um dos soldados. Lembrou do tiro que disparou. Lembrou do sangue.

E das palavras dela.

Mas agora era outra coisa. Era o depois.

Foi até ela.

— Vem comigo — disse, sem explicar.
— Pra onde?
— Sem questionar. Eu sou o líder.

Ele sorriu, com tom leve de autoridade. Ceres abaixou os olhos, envergonhada, mas foi com ele.

Andaram lado a lado pelo caminho que levava à estação de trem blindado. Estavam sozinhos no fundo do colégio, onde os trilhos desapareciam no horizonte.

Theo tirou um pêssego do bolso e ofereceu.

— Quer um?
— São mesmo daqui?
— Da nossa terra. Nascidos aqui. Cresceram como nós.

Ela aceitou. Deu uma mordida. Theo também.

Mastigaram em silêncio, andando.

O trem, ao fundo, esperava o carregamento da madrugada.

A estrutura metálica refletia os últimos raios do sol.

— Posso comer um pedaço do seu? — Theo perguntou, olhando direto nos olhos dela.
— Mas é igual ao seu.
— Mesmo assim, quero um pedaço do seu.

Ela hesitou. Deu uma mordida. Estendeu a fruta.

Theo não pegou com a mão.

Deu um passo.

Aproximou-se.

E, como se fosse inevitável, colheu da boca dela o pedaço do pêssego — com a própria boca.

Num beijo demorado, firme, silencioso.

Não havia ninguém para ver.

Apenas os dois, cercados pelo som abafado do mundo voltando ao normal. Ou fingindo.

Ceres fechou os olhos.

Theo também.

O pêssego caiu no chão.

E naquela cidade sem deuses, apenas Mãe Ceres reinava.

E os filhos da revolução aprendiam a amar.

Mesmo depois de matar.
Mesmo depois de sobreviver.
Mesmo sabendo que ainda não acabou.

O trem blindado avançava pela troca de trilhos, rangendo sua carcaça metálica em direção ao centro da Cidade de Ceres.

Theo e Ceres subiram discretamente pelo flanco da composição. Sentaram-se no teto, onde o aço vibrava sob os pés, onde a cidade parecia um brinquedo desmontado lá embaixo.

Lá de cima, tudo perdia peso.

O sol escorria pelo horizonte com lentidão quase divina. A luz âmbar tocava o rosto pálido de Ceres, fazendo sua pele e o céu se confundirem — dois tons, dois mundos, duas atmosferas.

Os olhos dela refletiam o firmamento: não eram olhos azuis, eram portais.

Theo não contemplava apenas um pôr do sol — contemplava dois. O que se punha no mundo, e o que ardia dentro dela.

Ao fundo, recortada no céu incendiado, a torre da vigilância vigiava muda, como uma sentinela eterna.

Mesmo assim, o medo se escondeu.

Porque não se pode ter medo o tempo todo.

Por um instante, Ceres permitiu sentir. Uma paz acidental. Uma trégua no corpo.

Estar ali, ao lado de alguém que dividia sua dor e sua devoção, dava àquele momento uma leveza impensável.

Sua mente, feita de chumbo, conhecia as regras.

Mas seu coração, naquele segundo, pediu silêncio.

Theo também silenciou.

Observava os bairros passando embaixo como corredores sem fim. Lembrou de Dark. Sempre o vira subir nesses trens, como um louco em busca de algo que ninguém entendia. Agora entendia.

Dark não buscava fuga. Buscava ar.

Ali em cima, entre o aço e o céu, havia algo que não se distribui, não se cultiva, não se pune.

Liberdade.

Ceres encostou a cabeça no ombro dele. Theo deixou.

Nenhum dos dois disse que era amor. Porque não era. Não ainda.

Mas era outra coisa.

A ausência da guerra.
A ausência da solidão.

O trem seguia. A cidade se aproximava.

E os dois continuavam ali, no alto, onde nem as câmeras os alcançavam.

Ceres virou o rosto para ele, os cabelos puxados pelo vento.

E com uma voz que trazia a calma dos que sobreviveram à tempestade, perguntou:

— O que você pediu no desejo que concederam a todos naquela carta cinza escura?

Theo não respondeu.

Não ainda.

Tudo se afasta.

O som ambiente dos trilhos desaparece.

O trem continua.


Epílogo

Base Avançada de Treinamento e Pesquisas Orbitais — Setor Sul de Ceres

Faltam 5 meses e meio para o lançamento da missão CERES 2

Rotina do Especialista Tomas J. V. Makor:

04h45 — Desperta com a luz artificial simulando o sol do hemisfério norte.

05h00 — Alongamentos obrigatórios para adaptação gravitacional.

05h30 — Café sintético e ingestão de comprimidos de cálcio.

06h00 — Sessão de leitura sobre sementes em estado de dormência.

07h45 — Aula prática sobre rotação fotossintética em condições espaciais.

09h15 — Testes com biossensores e solo modificado.

12h00 — Refeição com a unidade.

13h00 — Simulação de comunicação interestelar sob estresse.

15h00 — Exames neurológicos.

18h00 — 30 minutos livres. Hoje, ele escreve.

"Eu estudo formas de vida que brotam onde nada deveria nascer.
Mexo em equipamentos que custam bilhões.
Produzo relatórios que podem alterar o rumo de nações.
Estudei ao extremo. E mesmo assim, sei que não sei de nada.
Há culturas que eu ignorava. Há sentimentos que antes desprezava.
Hoje, penso no meu filho — uma criança que nunca conheci.
Se eu fosse escrever um manual sobre como ser pai,
faria um livro de 100x150cm. 470 páginas em branco.
Na capa, o título: Como Ser Pai.
E dentro dele, uma única palavra:
Presença."

Antes de dormir, Tomas grava uma carta para o irmão Theo.

Anexa a ela uma única imagem:

a foto de uma criança, os olhos iguais aos seus, com seu nome herdado, criptografado em identificação civil:

Joá 14JV3.

Sem texto adicional. Sem explicação.

Apenas a imagem.

Será suficiente.


Thoughts

  • AlmaTavares

    A Ana a baixar a cabeça quando o Daime entra, e não era para esconder o choro. Conheço esse gesto de apertar os olhos. Fiquei ali um bocado.

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  • HoracioMelo

    O Dark preso na detenção e o Theo em cima do comboio a perceber o que ele lá ia fazer. Desde o capítulo anterior que eu andava com isto.

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  • Ovid

    O Tomas com o dia inteiro cronometrado, minuto a minuto, e depois aquele manual de 470 páginas em branco com uma palavra só dentro. Um homem que estuda semente que nasce onde nada devia nascer, escrevendo isso para um filho que nunca viu. Aposto que essa carta chega antes do lançamento. Vai postar a continuação por aqui?

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  • mariinha

    Ainda bem, Daime! 💙

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