Acordo do passado (5)
Do vácuo infinito, as marés negras inundaram, preenchendo a inexistência perpétua, trazendo com suas ondas a semente do mundo. Plantando suas raízes, elas se entrelaçam às profundezas do abismo, desabrochando como botões, abrindo as mentes sencientes para um conto de um passado não gravado na longa tapeçaria do tempo.
No espasmo central da convulsão pulsante e incessante do universo, o brilho carmesim reluzente colidia com a energia roxo-escura, a qual emanava a sensação mais pura e bruta do fim predestinado a todos, material e imaterial: a morte.
Correndo entre as bordas deste imensurável conflito, anjos alados e os filhos do dia; os demônios do outro lado, seguidos dos filhos da noite, culminavam tudo ao fim, no centro, cujos reis lutavam incessantemente, colidindo e se repelindo.
— Uma pintura majestosa e divina, desenhada a cada pincelada formada entre o cisma do desdobrar dos golpes, dando sua assinatura final com o amanhecer de um sol e a escuridão mais profunda, o crepúsculo de um deus do sol e a espada de nove estágios da morte… Observe bem este quadro pequeno, pois este é nada mais e nada menos do que o registro único de uma das incontáveis guerras daquele que perdurou por tantas gerações.
Perambulando entre as grandes pilastras do insondável palácio dos dez mil demônios, o rei gato acompanhava Caim e Victor ao longe, em silêncio, apenas observando-os.
Cruzando a camada dos planos pelo intermédio da passarela policromática, o rei gato, Tim Doldrum, saltou em um alto e sutil pulo rumo ao destino designado, projetando-se nos astros sob uma vasta camada de estrelas em formação. Surgiu na localização da constelação de Escorpião, deixando para trás gigantescas nebulosas em forma de patas de gato.
O felino celeste desceu entre as galáxias, observando a beleza do universo e da vida que germina em seus planetas. Observando ao longe as vastas distâncias de anos-luz do cosmo, o rei gato saltou mais uma vez em direção a um rasgo no espaço, indo direto para o retorno da passarela policromática, convergindo no esplendor do mundo.
— Regente do alvorecer, rei do Éden; o herdeiro da morte, rei das trevas. Do fruto dos meus pecados, o povo Daemon nasceu e se propagou, denominado de forma pejorativa como povo demoníaco — uma tolice movida por ignorância, e a ignorância movida pelo medo do desconhecido. Filhos do céu, abençoados pelas chamas, amados pela mãe morte, Omena.