Eu não vejo no espelho. Até aí, está tudo bem, apesar das marcas do tempo.
Optei em não utilizar fones de ouvido. Por incrível que pareça, o Grunge dos anos 90 não mexiam comigo, hoje. Nem mesmo alguma outra saudade.
Não, uma outra, sim.
Optei por ir a pé, sem músicas. Somente eu e meus vastos pensamentos. Ouvir músicas somente daria um pano de fundo para um emaranhado de histórias que por muitas vezes sequer se cruzam.
Em dado momento, notei que minha própria companhia se tornava insuportável.
Por fim, concluí.
Estou caindo, de novo. Vamos aproveitar e buscar logo o gatilho.
Lamotrigina: ok; Divalproato: ok; Sertralina: ok; Trazodona: também ok.
Ou será que sabotei algo por esses dias?
Eu sou um péssimo amante. Eu não sei amar, sequer dar carinho. Pensando bem, sou carente demais. Até hoje eu mendigo atenção.
Migalhas parecem ser suficientes.
Por algumas semanas eu estava surpreso com o que eu estava sendo. Havia alguns anos não passava por certa estabilidade.
Já me questionei sobre isso, sabem. Pois, será que o verdadeiro eu não seria este, das oscilações? eu sou um artista, eu sei. Artistas são assim.
Mas as minhas escolhas da vida me obrigaram a buscar a estabilidade que a sociedade diz que é normal.
Eu navegava em águas calmas, meus projetos literários arquivados, esperando uma outra crise maníaca.
Mas agora estou no chão. E tentando lembrar o que houve.
Talvez de saco cheio da normalidade.
Será?
Seria eu daqueles que a felicidade é estar só?
CID F31, DSM 296