(Adianto-me pedindo desculpas pelo tom amargo do texto)
O mês de setembro toma tons amarelos. E este dia 10, em especial, é um dia mundial de combate ao suicídio. Este movimento que iniciou-se nos Estados Unidos, a partir do suicídio de um jovem, tem ares mais genéricos no nosso país. O tema saúde mental predomina, e nos últimos anos incluindo também o Burnout.
Empresas e personalidades abraçam o hype. As redes sociais são invadidas por pessoas bem intencionadas. em um calendário repleto da combinação de meses e cores, as pautas necessárias sucumbem ao branding. As empresas adotam eventos, fornecem frases motivacionais e bombons. "Você é especial" ou ainda "Não desista".
A campanha, que hoje traz um forte apelo de combate ao preconceito através da informação, é taxada por hipócrita, tamanha a participação de oportunistas e surfadores de ondas midiáticas. Jornalistas como André Trigueiro e Izabella Camargo são menos valorizados que escritores de auto ajuda.
Nós gostamos das ondas, gostamos dos modismos. Gostamos também de parecer empáticos. Dizer que "tudo vai ficar bem" é suficiente, demonstra que me preocupo com o outro. Empresas tóxicas distribuem palavrinhas bonitas, pessoas horrorosas dizem se importar.
Em primeiro de outubro o vermelho do sangue que trazemos em nossas mãos ressoará pelos corredores corporativos e directs preconceituosos.
Mas agora vivamos todos em paz! é setembro amarelo! vamos nos cuidar, você é especial!