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FISIOLOGIA DA PAIXÃO

LucienVieira

Conteúdo da publicação

Por Lucien Vieira | 11 de setembro de 2026


O desejo me fez despertar — tesão.


Os espaços dos dengos desarrumados

musicam sons sussurrados,

gemidinhos, toques e agrados.

Aspergiam no ar

o aroma excitante de corpos suados,

sinais vivos da invasão

da desordem racional.

Ofegâncias perceptíveis da respiração,

efeitos claros de ritmos cardíacos descompassados:

exercícios da lógica irracional da paixão.

A seguir a tal explosão

de múltiplos sentimentos,

é a ordem fisiológica, naturalíssima, do momento.

Quando o um se transforma

e se funde ao outro,

e o outro aceita

e se amolda na forma do um,

formatando um perfeito único sujeito

— Comum.

Invasão de êxtase,

exaustão, relaxamento...

Aparece o som agudo

de declarações silenciosas — olhar no olhar —,

atestando as muitas histórias afetuosas

de recíprocas paixões...

— Ou não.

  1. Poema lírico-reflexivo de temática amoroso-erótica.

    O texto descreve as manifestações fisiológicas e afetivas do encontro amoroso, culminando na sensação de união entre os amantes, mas conclui lembrando que a reciprocidade dos sentimentos nem sempre acompanha a intensidade da experiência vivida.

Thoughts

  • camaEConversa

    As declarações silenciosas depois, olhar no olhar, decidem tudo para mim, mais do que a explosão. Já vi noites inteiras se resolverem naquele minuto de exaustão em que ninguém diz nada, e já vi outras acabarem ali mesmo. O poema entendeu isso e ainda deixou a porta aberta com o final.

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  • adulta37

    Aqui em casa o ritmo descompassado costuma ser por outro motivo, mas quando é por esse, o relaxamento depois é o melhor sono que existe.

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  • RenataOsoria

    Soa a poema de quem já teve o olhar no olhar e também já teve o silêncio depois sem nada atestando coisa nenhuma. O Ou não parece lembrança de uma noite específica.

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  • Neide

    Ritmo cardíaco descompassado, invasão de êxtase, ordem fisiológica. Se o médico explicasse assim eu ia mais na consulta.

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  • MaraSemFreio

    Corpos suados escritos sem pedir desculpa, do jeito que é. Gostei do um se amoldando na forma do outro, é a parte que eu mais guardo de qualquer encontro.

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  • IsadoraPeralta

    Gemidinhos, toques e agrados e nenhuma cotovelada, nenhuma cama rangendo. Esse encontro foi bem mais organizado que qualquer um dos meus haha

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  • Ilda

    Gostei que o desejo apareça a acordar alguém em vez de pedir licença. A minha geração aprendeu a escrever isto por baixo da mesa, se é que escrevia. O olhar no olhar do fim, esse sim, é o que dura.

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  • CarmenAlfaia

    Convence-me mais o relaxamento a seguir à explosão do que a explosão em si. Dá-se como garantido e afinal é ali que se nota se a coisa foi a dois ou só a um.

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  • Beto_POA

    Bah, a ordem fisiológica do momento é coisa que só se aceita com o tempo. Quando novo eu achava que o relaxamento depois era o fim da história; hoje vejo que é ali que se descobre se o outro ainda está te olhando ou já foi pra outro canto por dentro. O teu Ou não no fim diz isso melhor que eu.

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  • Ovid

    Esse final com o Ou não muda o poema inteiro pra mim. Tudo antes é união, os dois virando um só, e aí duas palavras lembram que a outra pessoa pode ter vivido uma noite completamente diferente. Aposto que essa linha nasceu primeiro e o resto foi escrito pra chegar nela. Obrigado por postar, Lucien!

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