Ainda não quero te contar o que mais gosto em você.
Quando penso em você — o que não acontece o tempo todo, mas com frequência em alguns momentos do dia —, lembro que já se passaram 29 dias desde a última vez em que estivemos juntos.
Penso nos seus lábios carnudos, nos seus olhos expressivos, no seu sorriso de canto ao escutar alguma coisa. Lembro do cheiro do café nas manhãs em que estive contigo e do seu sabor amargo, que mal percebi, porque meus olhos estavam ocupados demais olhando para você.
Lembro das vezes em que nos deitávamos para assistir a alguma coisa e acabávamos nos olhando, aproximando os lábios, esquecendo o que passava na tela. E, então, restavam os corpos cansados e trêmulos de tanto se amarem.
Amar é uma palavra forte.
Receio que você não me amasse, mas que se conectasse comigo de alguma forma íntima, dessas que não sabemos explicar muito bem e que, ainda assim, nos fazem permanecer por algum tempo em um lugar que já não existe.
Queria dizer apaixonada, mas talvez não fosse recíproco. Não queria parecer emocionada, então escolho conectada. Talvez seja mais seguro chamar assim aquilo que ainda não sei nomear.
A textura da sua pele, seu cheiro, seu rosto, seus lábios... Há lembranças que não permanecem apenas na memória. Meu corpo ainda sinaliza a sua falta.
E, embora eu não saiba exatamente o que fomos, sei que fomos alguma coisa. Houve manhãs, beijos, olhares e um tempo que foi nosso. Na última vez em que estivemos juntos, ainda havia o calor dos nossos corpos, enquanto, em algum lugar, a despedida já nos aguardava.
Depois, parti.
E agora restam as lembranças, que revisito sem saber muito bem o que procuro nelas. Talvez não procure nada. Talvez apenas queira guardar um pouco do que senti, antes que o tempo transforme os detalhes em lembranças cada vez mais distantes.
Este texto foi escrito quando fazia 29 dias do nosso último encontro. Hoje, é apenas o registro de um sentimento que existiu — uma pequena lembrança de algo que vivi. #lembranças