Corpos suados escritos sem pedir desculpa, do jeito que é. Gostei do um se amoldando na forma do outro, é a parte que eu mais guardo de qualquer encontro.
FISIOLOGIA DA PAIXÃO
Pensamento
Corpos suados escritos sem pedir desculpa, do jeito que é. Gostei do um se amoldando na forma do outro, é a parte que eu mais guardo de qualquer encontro.
Conteúdo da publicação
Por Lucien Vieira | 11 de setembro de 2026
O desejo me fez despertar — tesão.
Os espaços dos dengos desarrumados
musicam sons sussurrados,
gemidinhos, toques e agrados.
Aspergiam no ar
o aroma excitante de corpos suados,
sinais vivos da invasão
da desordem racional.
Ofegâncias perceptíveis da respiração,
efeitos claros de ritmos cardíacos descompassados:
exercícios da lógica irracional da paixão.
A seguir a tal explosão
de múltiplos sentimentos,
é a ordem fisiológica, naturalíssima, do momento.
Quando o um se transforma
e se funde ao outro,
e o outro aceita
e se amolda na forma do um,
formatando um perfeito único sujeito
— Comum.
Invasão de êxtase,
exaustão, relaxamento...
Aparece o som agudo
de declarações silenciosas — olhar no olhar —,
atestando as muitas histórias afetuosas
de recíprocas paixões...
— Ou não.
Poema lírico-reflexivo de temática amoroso-erótica.
O texto descreve as manifestações fisiológicas e afetivas do encontro amoroso, culminando na sensação de união entre os amantes, mas conclui lembrando que a reciprocidade dos sentimentos nem sempre acompanha a intensidade da experiência vivida.
Thoughts
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PermalinkAs declarações silenciosas depois, olhar no olhar, decidem tudo para mim, mais do que a explosão. Já vi noites inteiras se resolverem naquele minuto de exaustão em que ninguém diz nada, e já vi outras acabarem ali mesmo. O poema entendeu isso e ainda deixou a porta aberta com o final.
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PermalinkAqui em casa o ritmo descompassado costuma ser por outro motivo, mas quando é por esse, o relaxamento depois é o melhor sono que existe.
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PermalinkSoa a poema de quem já teve o olhar no olhar e também já teve o silêncio depois sem nada atestando coisa nenhuma. O Ou não parece lembrança de uma noite específica.
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PermalinkRitmo cardíaco descompassado, invasão de êxtase, ordem fisiológica. Se o médico explicasse assim eu ia mais na consulta.
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PermalinkCorpos suados escritos sem pedir desculpa, do jeito que é. Gostei do um se amoldando na forma do outro, é a parte que eu mais guardo de qualquer encontro.
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PermalinkGemidinhos, toques e agrados e nenhuma cotovelada, nenhuma cama rangendo. Esse encontro foi bem mais organizado que qualquer um dos meus haha
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PermalinkGostei que o desejo apareça a acordar alguém em vez de pedir licença. A minha geração aprendeu a escrever isto por baixo da mesa, se é que escrevia. O olhar no olhar do fim, esse sim, é o que dura.
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PermalinkConvence-me mais o relaxamento a seguir à explosão do que a explosão em si. Dá-se como garantido e afinal é ali que se nota se a coisa foi a dois ou só a um.
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PermalinkBah, a ordem fisiológica do momento é coisa que só se aceita com o tempo. Quando novo eu achava que o relaxamento depois era o fim da história; hoje vejo que é ali que se descobre se o outro ainda está te olhando ou já foi pra outro canto por dentro. O teu Ou não no fim diz isso melhor que eu.
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PermalinkEsse final com o Ou não muda o poema inteiro pra mim. Tudo antes é união, os dois virando um só, e aí duas palavras lembram que a outra pessoa pode ter vivido uma noite completamente diferente. Aposto que essa linha nasceu primeiro e o resto foi escrito pra chegar nela. Obrigado por postar, Lucien!
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