Estou neutro neste contexto. Se não fazem campanhas, é falta de capacidade de ignorar que depressão é uma doença. Se fazem, existe gente embarcando de certa forma em comercializar isso, seja com “autoajuda”, que muitas vezes só ajuda quem escreve, ou com frases motivacionais que funcionam como gelo em uma chapa quente: aliviam por alguns minutos e logo o efeito acaba.
De certa forma, consistência é importante em uma campanha. Ela precisa ser lembrada. Mesmo que seja ruim, aparecem os aventureiros que fazem pose de escritor pseudo-guru-visionário, com fotos em preto e branco e aquele clássico dedinho no queixo.
A maioria quer esse livro como uma receita de bolo que nunca vai fazer. Vai colecionar, guardar na estante, postar uma imagem do autor em preto e branco e, ao lado, uma frase de efeito.
A maioria de nós funciona muito pelo estado emocional e social, e os livros de autoajuda se encaixam perfeitamente nisso: são fáceis de entender e fáceis de consumir, como um miojo. Tem vários sabores, mata a fome em três minutos, não tem muito valor nutritivo, mas achamos que tem porque vemos na embalagem aquele macarrão suculento.
As bancas de revista e até algumas livrarias parecem gôndolas de miojo de autoajuda: miojo de dicas, miojo de educação financeira, miojo de “DNA de milionário”, miojo quântico e tantos outros.
É difícil. Todos nós buscamos algo que consuma menos tempo, seja fácil de entender e gaste pouca energia. O miojo de cada dia.
Mesmo quando comercializamos essas campanhas, a hipocrisia acaba vindo junto. A facilidade de assimilar algo que muitos não procuram entender simplesmente porque não sentem necessidade disso. Só se tornam necessários quando a pessoa sente a dor, ou quando percebe que aquele miojo não tem nutrição e faz mal.
E aí talvez ela descubra que um belo macarrão, feito de verdade, demora mais de dez minutos para ficar pronto, dá mais trabalho, exige mais energia, mas, no fim, realmente nutre.