Pular para o conteúdo
Carregando…

Teoria nº 26: O Detalhe Que Não Pode Ser Ignorado

hyan_amorim
Pensamento

Pensamento

dcabral51

Bah, não lembrava que esperava o restaurante fechar, largou o óculos, agora gosta de filme de tiro. Eu já tinha ficado com a pulga atrás da orelha no pneu furado, tchê.

Bah, não lembrava que esperava o restaurante fechar, largou o óculos, agora gosta de filme de tiro. Eu já tinha ficado com a pulga atrás da orelha no pneu furado, tchê.

Conteúdo da publicação

Sábado, 02 de maio de 2026

É noite, e estou no restaurante. As coisas que aconteceram naquele dia ainda não saíram da minha cabeça. Joel bateu no Henrique por ciúmes de mim. Eu sei que deveria ficar feliz depois de Joel ter dito que voltou a gostar de mim, mas não consigo esquecer o que ele fez. Eu não posso ficar com alguém que agride outras pessoas.

— Chefe — diz um dos garçons, tirando-me dos meus pensamentos.

— Sim — respondo, enquanto finalizo um prato.

— O doutor Prado e o doutor Martins acabaram de chegar — informa o garçom, aproximando-se um pouco mais. — O doutor Prado quer cumprimentá-lo.

— Tudo bem, já estou finalizando aqui — digo, acrescentando os últimos detalhes ao prato.

Depois de terminar, sigo para o salão. Joel sorri assim que me vê. Nossa... ele está elegante e muito bem-arrumado. Ainda estou me acostumando com o fato de ele não usar mais óculos.

— Boa noite — digo, aproximando-me.

— Boa noite, chefe. Ainda não tivemos a oportunidade de conversar, mas eu queria agradecer pelo ótimo trabalho que você fez na minha última festa — diz o doutor Prado, com um sorriso simpático.

— É o meu trabalho, senhor. A perfeição nos meus pratos é o mínimo para mim — respondo.

— A minha festa só não foi mais perfeita porque certo alguém surtou de ciúmes — comenta o doutor Prado, lançando um olhar discreto para Joel.

— Eu já pedi desculpas, senhor, e já me resolvi com o doutor Montenegro — diz Joel, visivelmente arrependido.

— Tudo bem, vamos esquecer isso — diz o doutor Prado, encerrando o assunto.

— Você sempre fica assim quando me encara ou é só porque sou eu? — diz Joel, olhando-me fixamente.

— Como é que é? — pergunto, incrédulo.

— Cuidado, Ariel. Se continuar me olhando desse jeito, vou achar que quer um papel fixo na minha vida — acrescenta Joel.

— Papel fixo? — pergunto, confuso.

— O doutor Martins agora é ator — explica o doutor Prado.

— Ator? — repito, surpreso.

— Recentemente fiz alguns comerciais e, há pouco tempo, recebi uma proposta para participar de uma novela. É um papel pequeno, mas grandes astros começam de baixo — diz Joel, com o ego inflado.

— Você... como ator? É algo que eu nunca imaginei — digo, chocado.

— As pessoas mudam, chefe — afirma Joel, com firmeza.

— Eu sei disso... e você é a prova viva — respondo, ainda incrédulo.

O expediente finalmente acabou, e acabamos de fechar o restaurante.

— Trabalho finalizado com sucesso — digo, espreguiçando-me.

— Hoje foi bem puxado, hein — comenta a subchefe, claramente cansada.

— Até amanhã, galera — diz um dos garçons, indo embora de moto.

— Tchau — respondemos em coro.

Aos poucos, todos começam a ir embora. Sigo em direção ao meu carro.

— É sério isso? — digo, frustrado, ao perceber que o pneu está furado. — Por que justo a uma hora dessas? — reclamo em voz alta.

— Algum problema, chefe? — escuto a voz do Joel atrás de mim.

Viro-me e o vejo vindo em minha direção.

— Meu pneu está furado — respondo, irritado.

— Que chato — diz ele, aproximando-se.

— Não sabia que você ainda tinha esse costume — comento, abrindo um leve sorriso.

— Que costume? — pergunta Joel, confuso.

— De me esperar até o restaurante fechar — explico.

— Eu fazia isso? — pergunta ele, incrédulo.

— Fazia... ou por acaso está com amnésia? — digo, desconfiado.

— Ah... — Joel responde, meio sem graça. — É que eu fico preocupado com você voltando sozinho para casa a essa hora.

— Amanhã eu resolvo isso — digo, ainda frustrado, encarando o pneu furado.

— Vem, eu te dou uma carona — oferece Joel, com um sorriso.

— Como você quiser, doutor — respondo, caminhando em direção ao carro dele.

No caminho até em casa, crio coragem e conto para Joel que Henrique me hipnotizou na adolescência.

— O doutor Montenegro é um idiota mesmo — diz Joel, sem tirar os olhos do volante. — Não acredito que pedi desculpas por tê-lo esmurrado — acrescenta, incrédulo, enquanto estaciona o carro, pois já tínhamos chegado ao meu condomínio.

— Mesmo ele tendo feito o que fez com a gente no ensino médio, não merecia ser espancado daquele jeito — digo, firme, enquanto abro a porta do carro.

— Chefe, espera — chama Joel, saindo do carro também. — Me desculpa, acabei sendo um idiota de novo.

— Realmente  — concordo.

— Eu prometo que nunca mais vou fazer isso — diz ele, erguendo o olhar.

— Você me assustou muito, doutor. Eu nunca tinha visto você bater em alguém daquele jeito — confesso.

— Engraçado... você não reagiu assim quando eu esmurrrei o Augusto Prado — comenta Joel.

— Mas é diferente. Naquele dia você bateu naquele idiota para me proteger — rebato.

— Desculpa, chefe. Fiz uma péssima comparação — admite Joel.

— Então... boa noite, doutor — digo, virando-me para sair.

— Ei — chama Joel, frustrado. — Não vai me dar um beijinho de boa noite?

— Mas a gente nem namora mais — respondo, firme.

— Eu já te disse que gosto de você — diz Joel, aproximando o rosto. — Então, quando eu vou merecer um beijo? — acrescenta, tocando os próprios lábios.

— Eu só vou te beijar de novo — digo, tocando de leve no lábio dele antes de me afastar — quando você for fofo.

— Eu pareço fofinho agora? — pergunta Joel, fazendo um biquinho exagerado.

— Não — respondo antes de cair na gargalhada. — Nem um pouco.

— Então como é que eu sou fofo? — insiste ele.

— Se eu disser, perde a graça — digo, provocando.

— Tá bom então — responde Joel, abrindo a porta do carro. — Da próxima vez que você me vir, eu vou ser fofo. — Ele sorri. — Boa noite, chefe.

Joel entra no carro, me deixando ali com o coração acelerado e um sorriso que eu nem tento esconder.

Domingo, 03 de maio de 2026

É de manhã, e Wei e Rafael estão aqui em casa. Eles estão tão fofinhos que dá até inveja. Fico realmente feliz em saber que, finalmente, estão namorando. Também contei a eles sobre o que Henrique fez comigo no ensino médio.

— Agora está explicado o porquê de você ter ficado tão estranho depois da declaração do Joel — diz Rafael, chocado. — Ele te hipnotizou... que coisa bizarra.

— Bizarro mesmo vai ser quando o papai descobrir sobre a gente — diz Wei, pensativo.

— Você já é maior de idade. Seu pai não pode ficar interferindo na sua vida — responde Rafael.

— Mesmo assim... com certeza ele vai surtar — completa Wei.

De repente, escuto batidas na porta. Me levanto e vou até lá.

— Quem é? — pergunto, enquanto abro a porta.

Ao abrir, não vejo ninguém. Dou um passo para fora e levo um susto ao perceber que o chão está coberto de pétalas de rosa. Olho para o corredor do prédio e vejo que há mais pétalas, formando um caminho.

— Mas o que é isso? — murmuro, confuso, enquanto sigo o trajeto.

No meio do caminho, noto um vaso de plantas com uma placa pendurada. Leio em voz alta:

"Siga o caminho de pétalas. Seu príncipe está esperando."

— Isso não é coisa do Joel... sem chance — digo, incrédulo.

Mas, ao dobrar o corredor, congelo.

Joel está ali.

Vestido como um príncipe exageradamente elegante, com direito a casaco brilhante, calça justa e até uma faixa atravessando o peito. 

— Vai a algum baile de fantasia? — digo, incrédulo, enquanto me aproximo.

— Não tema nada, meu amor. Eu vou te proteger de todo o mal — diz Joel, com convicção.

— Você de príncipe encantado... eu realmente não esperava por isso — digo, ainda chocado.

— Então? Agora eu pareço fofinho? — pergunta Joel, fazendo corações com as mãos na bochecha.

— Não... mas você está muito gostoso com essa roupa — digo, mordendo o dedo.

— Eu sei — responde Joel, todo convencido.

— Você quer tomar café? O Wei e o Rafael estão lá em casa — digo, sorrindo.

— Claro, chefe. Eu adoraria comer a sua comida — diz Joel, com um sorriso malicioso.

— Então vamos — respondo, animado.

De repente, o celular de Joel começa a tocar.

— Fala, senhor — diz ele ao atender. — Posso sim... estou indo — acrescenta, um pouco frustrado.

— Você vai embora? — pergunto, apreensivo.

— Sinto muito, chefe. O doutor Prado está me chamando — diz Joel, triste.

— Tudo bem, doutor — respondo, tentando disfarçar a decepção.

— Eu prometo vir o mais rápido que eu puder — diz Joel, tocando de leve o meu rosto.

— Está bem, doutor — digo, com um pequeno sorriso.

É de tarde. Wei e Rafael já foram embora, e eu estou esperando o Joel. Ele disse que já estava a caminho. Preparei biscoitos — os favoritos dele.

Não demora muito até que escuto batidas na porta. Corro para abrir, e é o Joel.

— Entre, doutor — digo, abrindo a porta.

— Com licença — responde Joel ao entrar. Em seguida, tira os sapatos.

— Eu fiz seus biscoitos favoritos — digo, indo rapidamente até a mesa para pegá-los.

— Podemos comer assistindo a um filme, que tal? — sugere Joel, sentando-se no sofá.

— Que filme você quer assistir? — pergunto, sentando ao lado dele.

— Um filme de ação, com muito tiro — diz Joel, animado.

— Filme com tiro? — digo, incrédulo.

— Você não gosta? — pergunta ele.

— Parece que o seu gosto por filmes também mudou — comento.

— Na verdade, eu gosto de qualquer um — diz Joel, um pouco sem graça.

— Vou colocar esse então — digo, escolhendo o filme.

— Ainda não estou sentindo os dedos do pé... dei uma topada mais cedo — comenta Joel.

— Coloca os pés aqui. Eu faço uma massagem — digo, com um sorriso.

— Valeu, chefe — responde Joel, colocando os pés sobre a minha coxa.

Sinto um arrepio imediato. Ele tirou as meias.

— Mas o quê...? — digo, chocado, olhando fixamente para os pés dele.

— O que foi, chefe? — pergunta Joel, confuso.

Onde está a prótese?

Ou... será que é uma prótese extremamente realista?

Toco no pé dele. Está quente. Vivo. Real.

Puxo lentamente a barra da calça até o joelho. Minha respiração falha. Toco sua perna... e belisco de leve.

— Ai, chefe! — reclama Joel, puxando a perna de volta.

— Não pode ser... — murmuro, levando a mão à boca, completamente chocado.

— Vai ficar marca — diz Joel, olhando para a própria perna.

Eu continuo encarando, sem conseguir desviar o olhar.

O que está acontecendo aqui?

Ele tem as duas pernas.

Como isso é possível?

Ou ele realmente recuperou a perna...

Ou esse homem à minha frente não é o meu doutor.

#romanceviral

Thoughts

  • rendaFixa

    Pra mim é um irmão gêmeo que o doutor Prado botou no lugar. Comercial, novela, papel pequeno... o homem tá ensaiando ser o Joel, e o Prado liga bem na hora do café pra tirar ele de cena.

    Permalink
  • dcabral51

    Bah, não lembrava que esperava o restaurante fechar, largou o óculos, agora gosta de filme de tiro. Eu já tinha ficado com a pulga atrás da orelha no pneu furado, tchê.

    Permalink

Publicações relacionadas

Pública 4 conversas 6 pensamentos 32 votos positivos 0 voto negativo 1 série

Sábado, 02 de maio de 2026

Em séries

Temas