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Teoria nº 15: Efeito Dominó

hyan_amorim

Conteúdo da publicação

Domingo, 22 de março de 2026

O Roger está me mandando mensagem. Ele quer ficar comigo. Não acredito que vou me divertir com ele hoje à noite. Ele está me chamando para ir à casa dele. Já é noite, e estou me arrumando.

— Onde você vai todo arrumado assim? — questiona Wei, me observando enquanto passo perfume em frente ao espelho.

— Vou a um encontro — digo, com convicção.

— O quê? Você vai namorar? — diz Wei, chocado. — Deixa eu ver a foto da gatinha.

— É um gatinho, na verdade — respondo, terminando de arrumar o cabelo.

— O quê? Você vai sair com um homem? — repete Wei, ainda mais chocado.

— Qual é a surpresa? Você já sabe que eu gosto de homem — digo, confuso.

— É que eu ainda tô me acostumando com essa ideia — admite Wei, passando a mão na nuca.

— Provavelmente vou dormir na casa do Roger, então não me espera — digo, caminhando em direção à porta.

— Você vai ficar com aquele cara? — pergunta Wei, incrédulo. — Por favor... não vai — acrescenta, segurando minha mão.

— Tá doido? O que deu em você? — digo, confuso.

— Eu não quero que você fique com outro homem — diz Wei, sério, sem soltar minha mão.

— Eu tô indo ser ativo. Por acaso você vai ser passivo por minha causa, hétero top? — debocho, arqueando a sobrancelha.

— Eu tô a fim de beijar na boca e ser ativo, coisas que eu não posso fazer com você — acrescento, firme, enquanto abro a porta.

— Se for com você... por mim tudo bem — diz Wei, me puxando de volta para dentro e fechando a porta.

— O quê? Você vai liberar pra mim? — digo, completamente chocado.

— Sim — responde Wei, firme, sem desviar o olhar.

— Eu tô a fim de beijar na boca. Tudo bem pra você? — pergunto, ainda incrédulo.

— Sim — diz Wei, antes de me puxar para um beijo. — É isso que você precisa? — acrescenta, enquanto continua me beijando.

— Nossa... — digo, surpreso, correspondendo ao beijo. Wei sabe muito bem usar a língua.

Segunda-feira, 23 de março de 2026

É de manhã, e acabei de transar outra vez com o Wei. Até que ele não se saiu mal como passivo.

— Nossa... você me surpreendeu — digo, ainda ofegante.

— É a minha vez agora — diz Wei, subindo em cima de mim com um sorriso provocador.

A gente acaba transando de novo.

— Hoje à tarde eu vou participar de um podcast — diz Wei, ainda ofegante, depois que terminamos.

— Cuidado com o que você vai dizer. Tem coisas que são restritas — alerto, tentando recuperar o fôlego.

— Eu sei, doutor. Vou ser cuidadoso — responde ele, dando uma risadinha.

— Em breve você vai voltar ao espaço. Tá ansioso? — pergunto, curioso.

— Trabalhar na estação é incrível, mas os efeitos colaterais quando a gente volta pra Terra são horríveis — diz Wei, suspirando.

— Eu sei... da última vez você ficou um bom tempo sem conseguir andar direito — comento.

— Sim. Os músculos enfraquecem muito. Sem gravidade, o corpo "desaprende" a sustentar o próprio peso — explica Wei, pensativo. — Quando a gente volta, o cérebro sabe o que fazer, mas o corpo simplesmente não obedece.

— E as dores nas costas? — pergunto, curioso.

— Até hoje — responde ele, soltando um suspiro cansado. — A coluna se estica no espaço e depois volta tudo de uma vez. Parece que alguém desmontou você e montou errado.

Dou uma risada.

— E o banheiro? — pergunto, divertido. — Aquilo eu nunca vou esquecer.

Wei começa a rir imediatamente.

— Aquilo é uma tortura científica — diz, rindo alto. — Não existe sentar. É tudo por sucção... e muita mira.

— Mira? — pergunto, fingindo surpresa.

— Exatamente — ele confirma, ainda rindo. — A gente fica preso por cintos, apoia os pés e torce pra não errar. Se errar, o problema literalmente sai flutuando.

— Que pesadelo — comento, fazendo careta.

— Teve uma vez que o sistema deu problema — continua Wei, quase sem conseguir parar de rir. — Foi o dia mais tenso da minha carreira como astronauta.

— Definitivamente, o espaço não é tão glamouroso quanto parece — digo, balançando a cabeça, incrédulo.

Pego meu celular para ver alguns vídeos no TikTok quando, de repente, um deles chama minha atenção. Meu estômago revira no mesmo instante.

Não acredito que alguém tenha gravado aquilo.

O vídeo é daquele dia em que o Ariel humilhou o Joel em frente ao restaurante.

— Eu já te falei um monte de vezes: eu não gosto de nerds caneludos como você. Se coloca no seu lugar. Alguém como eu nunca ficaria com uma pessoa como você — diz Ariel, irritado, cada palavra afiada como uma lâmina.

— Ariel...? — diz Joel, com a voz trêmula e os olhos arregalados.

— É exatamente isso que você escutou. Só de imaginar beijando essa sua boca, meu estômago embrulha — continua Ariel, virando-se com frieza. — Acabou o show. Agora vão todos pra casa.

Ele caminha até o carro, e a câmera foca no rosto do Joel, visivelmente abalado, os olhos marejados e o corpo rígido de vergonha.

O vídeo corta para outro cenário. Uma mulher aparece falando diretamente para a câmera.

— Vocês estão vendo o quão cruel e horrível o chefe Ariel é? — diz ela, indignada. — Fora das câmeras, ele é assim o tempo todo com os funcionários.

— O que é isso...? — pergunta Wei, chocado, aproximando-se para ver melhor. — Essa não é uma das funcionárias do Ariel?

— Acho que vocês conhecem esse homem do vídeo — continua a mulher. — É o doutor Martins. Ele é constantemente desprezado e humilhado pelo chefe, Ariel.

— Agora as coisas vão complicar pra ele... — murmura Wei, em choque.

— Eu sei que estou me expondo ao perigo ao trazer isso a público — diz a mulher, com a voz firme — mas eu não podia mais ficar calada vendo o doutor Martins ser humilhado por aquele chefe arrogante.

O vídeo termina.

Ele já está com milhões de visualizações.

Abro os comentários.

O ódio é imediato, massivo e esmagador.

— Esse cara é um monstro. Um lixo humano.

— Coitado do doutor Martins. Ninguém merece passar por isso.

— Que chefe nojento, arrogante e abusivo.

— Gente assim não devia ter poder nenhum sobre outras pessoas.

— Mais um riquinho que acha que pode humilhar quem quiser.

— Espero que ele pague pelo que fez.

— Justiça pro doutor Martins!

— Isso é abuso psicológico.

— Nunca mais entro nesse restaurante.

— Como alguém ainda defende esse Ariel?

Continuo rolando a tela, sentindo um aperto no peito.

#romanceviral

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