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Teoria nº 19: Desconexão Afetiva

hyan_amorim

Conteúdo da publicação

Terça-feira, 07 de abril de 2026

De repente, a porta do quarto se abre com cuidado. O doutor Prado entra discretamente, quase sem fazer barulho.

— Parece que ele finalmente dormiu — diz, em voz baixa, aproximando-se da cama.

— Sim... — respondo, passando a mão com carinho pelos cabelos de Joel. — Tomara que, quando ele acordar, não esteja mais com dor de cabeça.

O doutor Prado observa a cena por um instante, pensativo.

— Ariel, venha. Vou mandar servir lasanha para todos — diz ele, em tom calmo.

Hesito.

— Acho melhor eu esperar o Joel acordar... aí descemos juntos — respondo, sem tirar os olhos dele.

— Você ainda não comeu nada desde que chegou. Deve estar com fome — insiste o doutor Prado.

— Não estou com fome, senhor — digo automaticamente.

No mesmo instante, meu estômago ronca alto, me entregando.

Ele arqueia uma sobrancelha.

— Seu estômago diz outra coisa — rebate, com um leve sorriso. — Venha. O Joel pode ficar sozinho por alguns minutos.

Lanço um último olhar para Joel, relutante.

— Está bem... senhor — cedo, por fim.

Saio da cama com cuidado, ajeito um travesseiro sob a cabeça dele e sigo o doutor Prado até o jardim.

O ambiente está iluminado, e não demora para a lasanha ser servida. O cheiro é irresistível. Mesmo sem vontade, começo a comer... e percebo que estou faminto. Como rápido, quase sem saborear, ansioso para voltar logo.

— Doutor Martins, você melhorou? — pergunta um dos físicos.

Levanto o olhar.

Meu coração dispara.

Joel está vindo em nossa direção.

— Como você tá, cara? — pergunta Wei, preocupado.

— A dor de cabeça passou? — acrescenta Rafael.

— Amor, você...

— Eu estou bem, pessoal. Não se preocupem — diz Joel, aproximando-se. Há algo diferente na voz dele... mais fria, distante. — Depois desse cochilo, estou revigorado — completa, beliscando minha bochecha.

Forço um sorriso, mas algo não encaixa.

— Foi mal, cara. Eu chutei a bola com muita força — diz Henrique, claramente arrependido.

— Relaxa — responde Joel, sentando-se ao meu lado com naturalidade.

Mas não é natural.

Não para mim.

Observo cada detalhe. O olhar, o tom de voz, os gestos...

Joel está estranho.

Frio.

Distante.

Como se... não fosse ele.

— Boa tarde a todos — diz um homem ao se aproximar.

— O professor Gerson finalmente chegou! — comemora um dos físicos.

Alguns minutos depois, preciso ir embora. Já está na hora de abrir o restaurante.

Me despeço de Joel... ou pelo menos tento.

Até o beijo de despedida é frio.

Vazio.

Saio com o peito apertado.

E, durante todo o caminho até o restaurante, uma única coisa não sai da minha cabeça:

Joel não está agindo como ele mesmo.

Quarta-feira, 08 de abril de 2026

Acordo ainda sonolento e, quase no automático, pego o celular. Meu coração já se aquece, esperando ver a mensagem de sempre.

O "bom dia" dele.

Mas... nada.

Franzo a testa.

Peraí... o quê?

Nenhuma mensagem?

Isso não faz sentido. Joel sempre manda mensagem primeiro... sempre.

Respiro fundo, tentando me acalmar.

Provavelmente ele ainda está dormindo.

Com um pequeno sorriso, começo a digitar:

— Bom dia, doutor. Mesmo longe, você continua sendo o melhor lugar onde meus pensamentos descansam.

Envio a mensagem, imaginando a reação dele.

Não demora.

A mensagem é visualizada quase imediatamente.

Então ele já estava acordado.

Meu coração dá um pulinho... mas logo se aperta.

— Bom dia.

Só isso.

Fico imóvel por alguns segundos, encarando a tela.

— Peraí... o quê? — murmuro, incrédulo, sentando na cama. — Ele... ele me mandou um "bom dia" seco?

Isso não é o Joel.

Não pode ser.

Engulo em seco e tento de novo:

— Vem tomar café comigo. Vou fazer algo bem gostoso.

Fico olhando a tela, esperando... esperando...

A resposta chega.

— Já tomei café. Fica para a próxima.

Como assim?

Ele nunca recusaria um café comigo.

Nunca.

O que está acontecendo?

Os minutos passam... viram horas.

E nada.

Nenhuma mensagem.

Nenhum "senti sua falta".

Nenhum "o que você está fazendo".

Nada.

A angústia cresce dentro de mim.

— Oi? — escrevo, hesitante.

Ele visualiza.

E não responde.

Meu coração afunda de vez.

— O que está acontecendo com esse nerd...? — sussurro, sentindo um nó na garganta.

O dia inteiro passa assim.

E o Joel... não manda mais nada.

Fico encarando a tela, como se ela fosse me dar alguma resposta.

Será que isso... é por causa daquela bolada?

Será que aquela bolada... fez ele parar de me amar?

Já é noite. Estou no restaurante, mas minha mente está longe dali.

Joel.

Eu não consigo parar de pensar nele.

Meu peito está apertado desde de manhã.

— O doutor Martins e o doutor Prado acabaram de chegar — avisa o garçom, entrando na cozinha.

— Sério? — digo, já me movendo antes mesmo de terminar a frase.

Corro até a porta e espio pelo vidro.

E lá está ele.

Joel.

Mas... tem algo errado.

Levo um susto.

Ele está sem óculos.

— O doutor Martins está um pouco estranho — comenta o garçom, ao meu lado.

— Está mesmo... — respondo, quase em um sussurro, sem tirar os olhos dele.

De repente, Joel se levanta e segue em direção ao banheiro.

— Eu vou ao banheiro — aviso, já abrindo a porta.

Caminho rápido pelo salão. Entro no banheiro quase ao mesmo tempo que ele.

— Ei, a gente precisa conversar — digo, antes que ele entre em uma das cabines.

Joel se vira para mim, com uma expressão neutra demais.

Fria demais.

— E sobre o que seria? — pergunta, confuso, se aproximando.

— Por que você está desse jeito? — questiono, direto.

Ele franze levemente a testa.

— Desse jeito como? — rebate.

— Tão frio... distante... — digo, tentando controlar a voz. — E cadê os seus óculos?

— Ah... — ele dá um meio sorriso. — Estou usando lentes agora. É mais prático.

— Não entendo toda essa estranheza. É normal usar lentes — acrescenta ele, ainda com aquele tom leve... como se nada estivesse acontecendo.

— Eu não ligo se você usa lentes ou óculos — digo, sentindo a voz falhar. — Eu só quero saber por que está me tratando com tanta frieza.

Joel me encara.

Por alguns segundos, ele realmente parece... confuso.

— Eu estou fazendo isso? — pergunta.

— Está — respondo, sem hesitar.

O silêncio pesa entre nós.

Então ele suspira.

— Desculpa, Ariel... — começa, passando a mão pelo cabelo. — Eu sei que você é uma pessoa incrível, mas... desde que acordei, estou me sentindo estranho.

Sinto meu coração acelerar.

— Eu não te mandei mensagem porque... não senti saudade — continua ele, com convicção. — Meu coração não aquece quando penso em você. E mesmo agora... aqui, na sua frente...

Ele hesita.

Mas continua.

— Eu não estou sentindo nada.

Meu mundo para.

— Isso quer dizer o quê...? — pergunto, com a voz trêmula.

Ele me olha.

— Eu não te amo, é isso — diz Joel, sem nenhum pingo de empatia.

O que eu mais temia realmente aconteceu.

A bolada mexeu com os neurônios dele.

O que eu devo fazer agora?

Será que, com outra bolada bem na cara, ele voltaria a me amar?

#romanceviral

Thoughts

  • rendaFixa

    Joel acordando sem enxaqueca e sem óculos no mesmo dia. Aposto que o professor Gerson chegou na hora certa demais pra ser coincidência.

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  • Ovid

    Depois de tantos capítulos com o Joel mandando mensagem primeiro, esse bom dia seco me deu frio antes até da conversa no banheiro. Pra mim a resposta não está só na bolada, e os óculos trocados por lentes ainda vão fazer falta mais pra frente.

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