Terça-feira, 07 de fevereiro de 2012
Estou tão feliz por ter feito novos amigos. O Luiz e o Joel são muito engraçados, e nunca pensei que fosse encontrar alguém como o Rafael, que curte tudo o que eu gosto. O primeiro ano foi perfeito. Nós quatro sempre andávamos juntos, fazíamos trabalhos em grupo e passávamos praticamente todo o tempo juntos.
As aulas voltaram e, durante as férias, percebi que senti mais falta do Joel — mesmo a gente se vendo toda semana. Ainda assim, não é a mesma coisa. Durante as férias, não posso ver meus amigos todos os dias, já que moro no interior. Aqui não tem ensino médio, então preciso pegar ônibus todos os dias para ir à escola.
O ônibus acaba de parar em frente à escola. Assim que desço, dou de cara com ele: Henrique.
— Oi, Ariel — diz Henrique, enquanto se aproxima.
— Oi — respondo, olhando ao redor.
— Seus amiguinhos ainda não chegaram — comenta ele, sério. Sinto uma pitada de rancor em sua voz.
— Você já vai começar? — digo, já ficando impaciente.
— Você me abandonou, Ariel. A gente era tão próximo no primeiro ano... aí você começou a andar com aqueles três — diz Henrique, com a voz triste. — Me deixou de lado.
— Eu não te deixei de lado. Você é que não gosta dos meus amigos — respondo, firmemente. — Quando te chamo para jogar com a gente, você se recusa a vir.
— Você sabe muito bem que eu não suporto aquele quatro-olhos — diz Henrique, revirando os olhos.
— Ei, não fala assim do Joel — digo, irritado. — Isso é bullying.
— Tá bom, foi mal — responde Henrique, mas não sinto arrependimento na sua voz.
— Ariel — escuto a voz do Joel atrás de mim. — Amigo — acrescenta, colocando os braços ao redor dos meus ombros. Sinto meu coração começar a acelerar.
— Dá para tirar os braços de cima dele? — diz Henrique, impaciente. — Você vai derrubá-lo no chão.
— Bora esperar os meninos aqui — diz Joel, me puxando até o banco.
— Fiquei tão ansioso para a volta às aulas — digo, animado, enquanto me sento.
— Eu também — responde Joel, com convicção.
— Eu fiz brigadeiro — digo, com um sorriso, enquanto abro a mochila.
— Eu quero — diz Joel, com cara de pidão.
— Aqui — falo, pegando um e levando até a boca dele.
O rosto dele se aproxima e ele morde o brigadeiro. Ele fica me olhando enquanto mastiga, e sinto meu rosto esquentar. Agora que percebi... o Joel é muito bonito. Ele continua me olhando; é tão fofo. Meu coração começa a acelerar ainda mais.
— Ai, meu Deus... — digo, cobrindo os olhos com as mãos.
— Ariel, você está bem? — pergunta Joel, confuso.
Abaixo um pouco as mãos, mostrando apenas os olhos. Assim que vejo o rosto dele, meu coração dispara ainda mais.
Será que estou gostando dele?
Quarta-feira, 08 de fevereiro de 2012
Desde ontem, ainda não consigo tirar o Joel da cabeça. Ele é meu amigo... eu não posso pensar nele dessa forma.
É horário do intervalo, e estamos todos juntos no refeitório. O Wei está todo contente porque deu uns pegas em uma menina do terceiro ano.
— E como foi? — pergunta Rafael, curioso.
— Conta todos os detalhes — diz Joel, ainda mais curioso.
— É molhado — responde Wei, todo bobo.
— Isso é óbvio, né? Vocês estavam trocando saliva — digo, incrédulo.
— Não vejo a hora de finalmente dar o meu primeiro beijo — diz Joel, enquanto me olha.
Sinto minhas bochechas esquentarem na hora.
— Deve ser uma experiência única — acrescenta, sem tirar os olhos de mim.
Ele está me olhando com os olhos brilhando... vejo algo diferente neles. Talvez... carinho. Talvez algo mais.
Sinto uma pontada de esperança.
Será que o Joel também gosta de mim?
Estamos bem na aula de física. O professor está falando sobre o sistema solar — eu adoro astrofísica. Todos os planetas são fascinantes.
— Em qual planeta existem gases com cheiro de ovo podre? — pergunta o professor.
— Urano — respondo, sem hesitar.
— Muito bem, Ariel — diz o professor, surpreso.
— Você gosta muito das aulas de física, né? Está concentrado — sussurra Joel.
— Sim, o sistema solar me fascina — digo, todo bobo, enquanto olho para a maquete do sistema solar. — Meu maior sonho seria pegar um foguete e visitá-los bem de pertinho.
— Vou dar um jeito de te levar lá — diz Joel, determinado, sem tirar os olhos de mim.
Não digo nada, apenas sorrio para ele. Seria perfeito fazer essa viagem com ele.
A aula já acabou, e estou na parada de ônibus. De repente, surge ela: Vanessa, a garota popular do primeiro ano.
— Oi, Ariel — diz ela, sorrindo enquanto se aproxima.
— Oi — respondo.
— Faz um favor para mim? — pergunta Vanessa, toda boba.
— Qual? — questiono.
— Entrega isso para o Joel — diz Vanessa, me estendendo uma carta. — Eu gosto dele, você pode me ajudar?
— Sim, claro — digo, pegando a carta.
— Obrigada, Ariel — diz ela, sorrindo enquanto se afasta.
— Nos seus sonhos — respondo, mostrando o dedo do meio enquanto ela vai embora. Até parece que eu faria algo assim. — Desculpa, mas eu gostei dele primeiro — digo, antes de jogar a carta no lixo.
— Você não vai ajudar a Vanessa? — escuto a voz de Henrique atrás de mim. Me viro e o vejo parado ali.
— Então você escutou? — questiono.
— Você, por acaso, gosta do Joel? — pergunta Henrique, incrédulo. — Porque deu para sentir seu ciúmes de longe.
— Eu não — digo, sem jeito, desviando o olhar.
— Dá para ver na sua cara que é mentira — diz Henrique, firme.
— E se eu gostar? — rebato, cruzando os braços.
— Calma, não precisa me bater — diz Henrique, chocado com a minha reação.
— Quer saber? Eu gosto mesmo do Joel — digo, olhando para Henrique.
O ônibus logo chega à parada.
— Até amanhã — digo, antes de entrar.
O que eu fiz? Por que contei para o Henrique? E se ele contar para o Joel? As coisas podem ficar estranhas se o Joel não sentir o mesmo por mim.
— O que eu faço? — digo, frustrado, olhando a paisagem pela janela.
Terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Os dias se passaram, e eu tenho ainda mais certeza de que o Joel gosta de mim. Jogo algumas indiretas, e ele fica todo sem jeito... O problema é que eu tenho vergonha de dizer o que sinto. Que droga... eu já deveria estar vivendo um namoro de ensino médio perfeito.
Agora estou em frente ao espelho, me arrumando. Quero estar perfeito, quero estar bonito para o Joel. Acabei de fazer panquecas e estou colocando tudo em um potinho.
— Para quem é isso? — questiona Ariana, curiosa.
— É para mim. Às vezes me dá fome dentro do ônibus — minto descaradamente.
— Estou tão feliz! Ano que vem vou para o ensino médio — diz Ariana, empolgada. — Vou andar de ônibus junto com você.
— Não pense que é um mar de rosas — respondo, com a voz cansada. — Andar de ônibus todos os dias é muito cansativo.
Pego minha bolsa e vou para a escola. Assim que o ônibus para, me deparo com Henrique na parada.
— O que é isso? — questiona ele, olhando para o potinho em minhas mãos.
— Não é nada — digo, escondendo atrás das costas.
— Isso é para aquele nerd, né? — diz Henrique, incomodado.
— É sim. Fiz para o meu nerd — respondo, com firmeza.
— Você não pode gostar daquele esquisitão — diz Henrique, frustrado.
— Por que não? Por acaso você gosta de mim? — questiono, encarando-o.
— Eu não — diz Henrique, sem graça, desviando o olhar.
Então é isso... ele gosta de mim. Olho para o rosto dele e percebo que está vermelho.
— Então você tem uma quedinha por mim? — digo, e logo depois dou uma gargalhada.
— Sim... eu gosto de você — admite Henrique, sem jeito.
— Sinto muito, mas eu não sinto nada por você — digo, com firmeza.
— Então você prefere aquele nerd quatro-olhos? — questiona Henrique, frustrado.
— Sim — respondo, com convicção.
— Não... você não vai gostar dele — diz Henrique, irritado, enquanto tira um relógio do bolso. Ele o ergue, segurando-o pelo fio, e começa a girá-lo de um lado para o outro.
— O que você está fazendo? — pergunto, confuso.
— Você não vai gostar mais do Joel — diz Henrique, concentrado, enquanto gira o relógio. — Você tem que achar tudo o que ele faz ou diz ridículo.
— Você, por acaso, enlouqueceu? — digo, antes de dar um tapa no relógio, que cai no chão.
— Você vai ficar assim quando o Joel disser a palavra "eu te amo" — diz Henrique, erguendo a mão. — Em 1, 2 e 3...
Ele estala os dedos.
De repente, tudo começa a girar... e, em um piscar de olhos, tudo fica escuro.
Abro os olhos e estou deitado no sofá da biblioteca. Logo me deparo com Joel, Wei e Rafael me olhando fixamente.
— Ariel, você está bem? — pergunta Joel, preocupado.
Como assim eu já estou na escola? A última coisa de que me lembro é de estar dentro do ônibus.
— Como eu vim parar aqui? — pergunto, confuso, enquanto me sento.
— Você desmaiou na frente da escola — diz Joel, com a voz preocupada. Nossa... que fofinho. Sinto meu coração aquecer com o jeito dele.
— Eu vou chamar o professor — diz Rafael, saindo correndo.
Não demora muito, e o professor chega junto com ele.
— Como você vem de ônibus, não tem como eu te mandar para casa — diz o professor, com cuidado. — Então fique aqui na biblioteca descansando até dar o horário de ir embora.
— Está bem, professor — respondo, deitando-me novamente no sofá.
— E vocês três, de volta para a sala — diz o professor, firme.
— Até daqui a pouco, Ariel — dizem Joel, Wei e Rafael.
Fecho os olhos... e acabo dormindo novamente.
Um tempo depois, acordo com alguém me sacudindo. Abro os olhos e vejo que é o Joel.
— Oi — digo, sonolento, enquanto me sento.
— Eu acabei o trabalho primeiro, então o professor me deixou vir fazer companhia para você — diz Joel, sentando-se ao meu lado. — Me desculpa... — acrescenta, tirando o potinho da minha bolsa.
— Mas eu acabei comendo as panquecas que você trouxe — diz, de cabeça baixa.
Meu coração acelera.
— Mas eu fiz essas panquecas especialmente para você — digo, todo bobo.
— Sério? — pergunta Joel, ficando vermelho.
— Sim... eu sei que você ama panquecas — respondo, sem jeito.
— Eu fiz uma coisa para você — diz Joel, animado, enquanto tira uma bolinha da mochila.
— O que é isso? — pergunto, curioso.
— É o foguete para te levar em uma viagem pelo sistema solar — diz Joel, sorrindo, enquanto se levanta. Ele vai até o interruptor e apaga as luzes.
— Como assim, foguete? — digo, confuso, enquanto me levanto.
— Você vai ver — responde Joel, concentrado, enquanto aperta alguns botões na bolinha.
Ele então coloca a bolinha no chão. De repente, luzes saem de dentro dela. Em seguida, os planetas surgem e começam a girar em órbita ao redor da bolinha.
— Uau... — digo, maravilhado, enquanto me aproximo.
— Vem — diz Joel, pegando minha mão. — Vem ver mais de perto.
— Mas como? — pergunto, de boca aberta, observando os planetas.
— Você disse que queria ver o sistema solar — diz Joel, com um lindo sorriso. — Então eu encontrei um jeito de te mostrar de pertinho.
— Você criou tudo isso por minha causa? — pergunto, sentindo o coração acelerar.
— Sim, minha estrela da cozinha — responde Joel, me olhando fixamente.
— Estrela da cozinha? — digo, com um sorriso tímido.
— Sim, porque você é uma estrela na cozinha — diz Joel, tocando meu rosto. — Tudo o que você faz é perfeito.
Olho para frente e vejo Saturno se aproximando.
— Os anéis de Saturno são lindos — digo, tentando tocá-los. — Quando eu era menor, meu sonho era patinar pelos seus anéis.
— Ariel... — diz Joel, me olhando com um olhar doce. — Eu tenho uma coisa para te dizer...
Ele se aproxima, deixando o rosto bem perto do meu. Seus lábios estão a poucos centímetros dos meus.
Ele finalmente vai dizer que gosta de mim...
Não acredito que vou dar meu primeiro beijo, no meio do sistema solar.
Vai ser perfeito.
— Eu gosto de você, Ariel... eu te amo — diz Joel, com um lindo sorriso.
De repente, minha visão embaça. Fecho os olhos e levo as mãos ao rosto.
— Está tudo bem, Ariel? — pergunta Joel, preocupado.
Abaixo as mãos e olho para ele. Minha visão volta ao normal.
— Sim — respondo.
— Nem a velocidade da luz é rápida o suficiente para explicar o quanto eu me apaixonei por você — diz Joel, me olhando com um sorriso cafona. — Eu não quero mais esconder isso... eu te amo. E quero você comigo. Namora comigo?
— Você está falando sério? — pergunto, incrédulo, enquanto me afasto.
— Sim — responde Joel, se aproximando.
— Não chega perto, nerd — digo, erguendo a mão. — Você é muito grudento.
— O que houve com você? — pergunta Joel, confuso. — Você ficou estranho de repente...
Ele faz uma expressão meio sonsa, o que só me irrita mais.
— E como você quer que eu reaja depois dessa sua declaração cafona? — digo, revirando os olhos.
— Você não respondeu à minha pergunta... você aceita namorar comigo? — insiste Joel.
— Claro que não — respondo, antes de soltar uma gargalhada. — Só nos seus sonhos.
O que esse nerd está pensando que é? Eu nunca namoraria com um cara cafona como ele.