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Teoria nº 27: A Falha do Reflexo

hyan_amorim

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Domingo, 03 de maio de 2026

De repente, Ariel puxa a minha outra perna. Ele levanta a barra da minha calça e analisa atentamente, antes de me dar mais um beliscão.

— O que deu em você? — digo, irritado. — E por que está com essa cara de espanto?

— Você se lembra de quando a gente se conheceu? — pergunta Ariel.

— Sim... já faz um tempo — respondo.

— Você estava muito abalado porque tinha perdido o seu cachorro, o Rex — diz Ariel, pensativo. — Você dizia que gostava de fazer carinho nele com os pés.

— Vamos mudar de assunto — digo, forçando um ar de tristeza. — Falar do Rex ainda é um tópico sensível.

— Não pode ser... — murmura Ariel, levando a mão à boca. Ele parece completamente chocado.

Mas o que está acontecendo com ele?

— O que há com você? Por que está tão chocado assim? — pergunto, confuso.

— Eu vou ao banheiro — diz Ariel, com a voz trêmula, enquanto se levanta. — Já volto.

Ele segue em direção ao banheiro, deixando-me cheio de perguntas.

Ariel passa alguns minutos lá dentro. Quando finalmente sai, parece tentar disfarçar o nervosismo.

— Desculpa... acho que comi alguma coisa estragada — diz, sentando-se novamente ao meu lado. — Vamos terminar de assistir ao filme.

Assistimos ao restante do filme, mas Ariel se afasta toda vez que tento me aproximar.

Pouco depois, recebo uma ligação do meu pai. Ele está me chamando.

Me despeço de Ariel e sigo para encontrá-lo. Quando chego à mansão, meu pai está visivelmente irritado.

— Por que não respondeu às minhas mensagens? — pergunta, em tom ríspido.

— Eu estava com o Ariel — respondo.

— Você ainda não desistiu de se envolver com esse rapaz? — diz ele, incrédulo.

— Quero mostrar ao Joel que eu posso tudo — digo, cruzando os braços. — Aquele idiota me desafiou.

— Você e esse seu ar de superioridade... — meu pai balança a cabeça. — Você não muda mesmo, né, Augusto?

— Claro. Eu sou um ator famoso. Mal posso esperar para voltar a ser eu mesmo, com a minha aparência de verdade — digo, encarando meu reflexo no espelho. — Já cansei de ser esse idiota sem sal do Joel.

— Falando no Joel — diz meu pai — desça até lá embaixo e colete o DNA dele. Precisamos fazer mais do R.E.F.L.E.X.

— Claro, papai — respondo em tom de deboche, enquanto sigo até o escritório.

Aperto o botão secreto e, logo, a parede se abre, revelando o elevador oculto. Entro e pressiono o botão do último andar. Ao chegar, uso minha digital para destrancar a porta de aço.

Finalmente alcanço o laboratório secreto.

Joel me vê através do vidro.

— Boa tarde, doutor! — digo, com um sorriso cínico.

— Você por acaso vai me matar de fome? — reclama Joel, com a voz fraca.

— Você ainda não comeu? — pergunto, fingindo surpresa. — Daqui a pouco eu trago comida... assim que você me der o que eu preciso.

— Toma — diz ele, arrancando um fio de cabelo. — Agora vai buscar comida para mim — acrescenta, esticando a mão pela pequena abertura da porta.

— Sabia que hoje eu quase dormi com o seu chefe? — provoco, pegando o fio de cabelo.

— Mas foi quase, né? — debocha Joel. — Você sempre diz isso: quase beijou ele, quase dormiu com ele. — Ele me encara com desprezo. — Mesmo usando a minha cara, a minha estrela da cozinha nunca vai amar essa sua personalidade podre.

— Isso é o que vamos ver — digo, com um sorriso malicioso. — Vou fazer o Ariel me amar... e depois vou partir o coração dele de novo. — Dou uma leve risada. — Estou adorando magoá-lo e depois conquistá-lo outra vez.

— Eu vou te desmascarar e te colocar na cadeia! — grita Joel, furioso.

— Boa sorte — respondo friamente, antes de virar as costas e ir embora.

Subo e sigo até o laboratório do meu pai. Ele começa a preparar a fórmula R.E.F.L.E.X.

— Meu filho, acho que já está na hora de acabar com essa farsa — diz meu pai, pensativo.

— Como assim? — pergunto, incrédulo.

— Eu não devia ter feito isso com o doutor Martins. Estou muito arrependido — diz ele, de cabeça baixa. — Eu vou libertá-lo.

— Você está ficando maluco? Assim que ele for solto, vai colocar nós dois na cadeia — rebato.

— Eu nunca devia ter deixado você me convencer a participar dessa loucura — diz meu pai, com pesar.

— Por culpa do Joel e do Ariel, eu perdi tudo: minha reputação, minha carreira — digo, furioso.

— Você perdeu tudo por causa dos seus próprios atos — responde meu pai, firme.

— Não dá mais para voltar atrás, a não ser que o senhor tenha uma máquina do tempo para testar — digo, com frieza.

Meu pai suspira e me entrega a fórmula, sem me encarar.

— Não se esqueça de tomar a cada três horas.

— Não se preocupe, vai dar tudo certo — respondo.

Ele me lança um breve olhar, depois se vira e sai.

Desço até o laboratório subterrâneo para levar comida ao Joel.

— Toma — digo, jogando o prato pela pequena abertura.

Joel corre até lá e come de forma desesperada. Também levo os biscoitos que o Ariel fez mais cedo.

— Esses biscoitos foram feitos pelo seu chefe — digo, jogando a sacola pela brecha.

Joel a pega com cuidado.

— Faz tanto tempo que não como a comida da minha estrela da cozinha — diz ele, com a voz embargada, encarando os biscoitos.

— Eu sei muito bem do que você sente falta de comer — digo antes de dar uma gargalhada baixa. — Mas não se preocupe... vou realizar esse seu desejo ainda esta noite.

Completo friamente, antes de me virar e ir embora.

É de noite, e vou até o restaurante do Ariel. Sigo para o estacionamento e esvazio um dos pneus do carro dele.

É hoje que você vai ser meu, Ariel. Por bem ou por mal.

Estaciono meu carro na esquina e fico esperando até que o restaurante feche. O tempo passa devagar, até que finalmente vejo as luzes sendo apagadas. Um a um, os funcionários começam a ir embora. Ariel segue em direção ao carro.

Saio do meu carro e me aproximo.

— Que droga! — grita Ariel, frustrado.

— Algum problema, chefe? — digo, fingindo preocupação, enquanto me aproximo.

— Não sei o que há com esse carro. Da última vez, o mecânico disse que o pneu só estava murcho — diz Ariel, confuso.

— Que estranho, né? — respondo, fingindo surpresa. — Ainda bem que estou aqui.

— Vou aproveitar essa carona, então — diz Ariel, caminhando em direção ao meu carro.

Levo Ariel até o condomínio dele.

— Está entregue, chefe — digo, freando o carro.

— Obrigada, doutor — responde Ariel, abrindo a porta.

— Espera — digo, aproximando-me e fechando a porta novamente.

— O que você está fazendo? — pergunta Ariel, afastando o rosto.

— Eu não mereço nenhuma recompensa por ser seu motorista particular? — digo, com um sorriso malicioso.

— Acho que um "obrigada" é o suficiente — responde Ariel, firme.

— Eu não mereço nem um beijinho? — insisto, aproximando o rosto. — Eu quero um beijo.

— Mas eu não quero — diz Ariel, tentando abrir a porta.

— Mas eu não estou pedindo — digo, fechando-a de novo. — Eu estou querendo um beijo, e você vai ter que me dar.

Avanço e o beijo.

— Não! — grita Ariel, virando o rosto.

— É só um beijo. Não estou pedindo nada demais — digo, segurando o rosto dele e tentando beijá-lo outra vez.

De repente, Ariel me morde.

— Você está maluco?! — grita ele, me empurrando com força.

Ariel abre a porta do carro e sai correndo. Fico observando enquanto ele foge, e tudo isso só aumenta ainda mais o meu desejo de possuí-lo.

Você pode correr, Ariel...

Mas, de qualquer jeito, eu vou te possuir.

#romance

Thoughts

  • AlineTeixeira

    Égua, o Joel lá embaixo trocando fio de cabelo por um prato de comida, e o Augusto ainda leva os biscoitos do Ariel só pra machucar.

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