Sábado, 21 de março de 2026
Ontem, finalmente me abri com o Ariel e contei a ele que eu sou o Aang. Agora ele sabe por que eu o amo.
É de manhã, e estou tomando café na casa dos meus pais. Como sempre, eles tentam me empurrar mais uma candidata.
— Olha como ela é linda, filho — diz minha mãe, virando o tablet e me mostrando a foto de uma mulher.
— De novo isso? — digo, com a voz cansada.
— Você já tem 31 anos, filho. Precisa conhecer alguém — diz meu pai, preocupado. — Viver sozinho faz mal.
— E quem disse que estou sozinho? — rebato, com convicção. — Estou tendo um lance aí.
— O quê?! — grita minha mãe, incrédula. — Me fala o nome, filho! É homem ou mulher? Quando vai trazer essa pessoa aqui em casa?
— Finalmente você esqueceu aquele arrogante do chefe Ariel — diz meu pai, aliviado.
Dou um leve sorriso com o comentário dele. Meus pais nem sonham quem é a pessoa com quem estou me envolvendo.
— Me mostra uma foto! — pede minha mãe, curiosa.
— No momento, eu e essa pessoa estamos indo devagar, fase por fase — digo, com orgulho. — Quando eu tiver certeza de que vai dar certo, eu trago essa pessoa aqui.
Depois de tomar café com meus pais, fui para o laboratório. O lugar está tomado pelo zumbido constante das máquinas. No centro da sala, preso à base de testes, está o braço robótico recém-finalizado, pronto para ser enviado à Lua.
— Iniciando sequência de calibração — digo, tentando manter a voz firme. — Precisão angular em três... dois... um.
O braço se move lentamente, girando a articulação com perfeição. Os sensores piscam em verde.
Wei digita algo no computador ao meu lado, atento.
— Resposta dentro do esperado — diz ele, satisfeito. — Nenhuma instabilidade.
Rafael observa o braço robótico com admiração.
— Às vezes eu esqueço que isso vai operar fora da Terra — comenta, impressionado. — É surreal.
— Um erro mínimo lá em cima não tem conserto — digo, engolindo seco.
Enquanto ajusto a força de preensão do braço, sinto o olhar dos dois sobre mim. Sei exatamente o que vem.
— Então... — começa Wei, hesitante. — É verdade mesmo?
Suspiro.
— É.
— Você e o Ariel? — Rafael pergunta, incrédulo. — Tipo... de verdade mesmo?
— De verdade — confirmo, tentando conter o sorriso.
Os dois se entreolham, completamente chocados.
— Cara... — Rafael passa a mão pelos cabelos, ainda sem acreditar. — Você gostou dele por anos.
— Eu sei — digo, sem desviar os olhos da tela. — E, por muito tempo, achei que nunca seria correspondido.
O braço robótico fecha a garra com precisão absoluta.
— E você contou tudo para ele? — Wei pergunta, agora mais sério. — Tipo... tudo mesmo?
Minha mão hesita no painel.
— Contei.
— Tudo... tudo mesmo? — insiste Rafael, preocupado.
Assinto lentamente.
— Sobre o câncer, a quimioterapia, a amputação... a prótese.
O silêncio pesa no laboratório.
— Eu tive medo — confesso, com a voz mais baixa. — Medo de ele me olhar diferente. Medo de ser rejeitado de novo.
Wei se aproxima um pouco.
— E aí...? — pergunta, cauteloso.
— Ele não se afastou — digo, deixando escapar um leve sorriso emocionado. — Ele foi super compreensivo.
— Estou feliz por você, amigo — diz Rafael, com um sorriso sincero.
Volto a atenção para o painel.
— Teste de carga lunar — anuncio, tentando parecer sério. — Simulação de gravidade reduzida.
O braço desacelera; os movimentos ficam mais delicados e calculados.
— Funcionando perfeitamente — diz Wei, admirado. — Está compensando todas as variáveis.
O sistema emite um sinal final. Todas as luzes ficam verdes.
— Teste concluído — digo, aliviado. — Ele está pronto para a missão.
Wei bate palmas discretamente.
Depois de terminar os testes, fui pegar um pouco de café no refeitório da universidade. Um cafezinho quente no meio do trabalho é realmente agradável.
— Bom dia, doutor — diz uma voz conhecida atrás de mim.
Me viro e vejo Rayssa.
— Bom dia — respondo.
— Então seu laboratório fica aqui nessa universidade? — pergunta Rayssa, com um sorriso animado.
— Sim — digo, de forma breve.
— Que coincidência... — comenta ela, parecendo satisfeita.
— Você estuda aqui? — pergunto.
— Sim. Sou caloura em Física — responde, orgulhosa.
— Que bom. Parabéns — digo, educado.
Ela hesita por um instante, como se estivesse escolhendo cuidadosamente as palavras.
— Então... o senhor está realmente saindo com o chefe Ariel? — pergunta, incrédula.
— Sim — respondo, firme.
O sorriso dela desaparece imediatamente.
— Doutor, o Ariel não gosta do senhor — diz Rayssa, em um tom duro. — Ele é arrogante e só gosta de si mesmo. Está apenas brincando com o senhor.
Franzo a testa, surpreso.
— Como pode dizer isso? — questiono, incomodado. — O Ariel é o seu chefe.
— Não mais — rebate ela, firme. — Eu não trabalho mais lá. Não aguentava mais olhar para aquela cara sonsa dele.
Meu peito se aperta.
— Olha, eu não vou permitir que fale assim do Ariel — digo, já irritado.
Rayssa respira fundo, como se estivesse segurando aquilo há muito tempo.
— Doutor, eu gosto do senhor — confessa, abaixando um pouco a voz. — Desde o primeiro dia em que o vi. O senhor sempre foi gentil e educado... e eu não suportava ver a forma como o Ariel tratava você.
— Mas ele mudou — respondo, sem hesitar. — Ele não me trata mais como antes.
— Quem nasce ruim morre ruim — diz ela, amarga. — Ele não mudou. Só está fingindo para magoar o senhor ainda mais.
Sinto o incômodo crescer, mas mantenho a postura.
— Se isso é tudo o que tinha a me dizer, então, com licença — digo friamente, me afastando.
Ouço a voz dela atrás de mim, fria e carregada de ressentimento.
— Eu ainda vou fazer a máscara dele cair. Vou mostrar para todo mundo o ser humano podre que ele realmente é.
Não respondo.
Ignoro e sigo meu caminho de volta ao laboratório.
Nossa... que garota maluca.
É noite, e estou na casa do Ariel. Ele acabou de chegar do restaurante. Preparou o jantar, e está perfeito.
— Eu vi a Rayssa na universidade — digo, antes de levar o garfo à boca.
— Nem me fala dessa maluca — responde Ariel, revirando os olhos com irritação.
— Ela falou mal de você — conto, observando a reação dele.
— Eu não entendo essa garota. Outro dia, ela me xingou gratuitamente — diz Ariel, confuso e indignado.
Respiro fundo.
— Ela se declarou para mim — digo, um pouco sem jeito.
Ariel arqueia as sobrancelhas, claramente surpreso.
— Eu suspeitava dessa teoria — diz Ariel, me olhando atentamente. — Ela surtou quando eu disse, na cozinha, que estava saindo com você. Era bem óbvio que ela iria te procurar para dizer o que sente.
Depois de comermos, nos acomodamos no sofá para assistir a Back to the Future. De mãos dadas, é claro. De repente, uma chuva forte começa a cair, acompanhada de trovões e relâmpagos que iluminam a sala.
— Eita... — murmura Ariel, assustado após um trovão mais alto.
— Tomara que não demore muito para passar — digo, pensativo, olhando pela janela.
Ariel se vira para mim.
— Você quer dormir aqui? — pergunta, me encarando com certa timidez.
— Hã? — respondo, completamente chocado.
— Essa chuva não vai parar agora, e é perigoso dirigir nesse temporal — explica ele, tentando soar calmo.
Meu coração dispara.
Dormir aqui? Com a estrela da cozinha?
Ai... meu coração vai explodir.
O filme acabou, e logo Ariel começou a bocejar. Já estava bem tarde.
— Vem — diz Ariel, pegando minha mão com carinho. — Vamos deitar, já está tarde — acrescenta, me puxando suavemente.
— Tá bom — respondo, todo bobo, enquanto vou com ele.
Ele para em frente ao guarda-roupa e observa as roupas por alguns segundos.
— Acho que meus pijamas não vão servir em você — comenta, pensativo. — Vão ficar pequenos, já que você é mais alto.
— Tudo bem. Eu durmo com minhas roupas mesmo — digo, tentando parecer tranquilo.
Ariel franze levemente a testa e me analisa com atenção.
— Suas roupas não parecem confortáveis para dormir — diz, preocupado. — Só se você dormir sem camisa... — completa, com um leve sorriso provocador nos lábios.
— Não quero que você queime os olhos com a vista do meu corpo — brinco, sem graça.
— Não deve ser tão ruim assim... — responde Ariel, aproximando-se devagar e tocando no botão da minha camisa. — Posso? — pergunta, me olhando diretamente nos olhos.
— Sim... — digo baixinho, sentindo meu coração acelerar.
Ariel começa a desabotoar minha camisa com cuidado.
— Olha só... — diz, claramente surpreso ao me ver sem camisa. — Seu corpo é muito bonito, doutor — completa, deslizando as mãos lentamente pelo meu peito.
— Você... realmente gostou? — pergunto, apreensivo.
— Sim — responde Ariel, com sinceridade. — Seu corpo é muito bonito — repete, passando os braços ao redor dos meus ombros.
— Nossa... assim você me deixa sem jeito — digo, todo bobo.
— Desculpa — diz Ariel, soltando uma risadinha baixa. — Não foi minha intenção — acrescenta, antes de depositar um beijo suave na minha bochecha. — Agora vem... vamos deitar.
— Não tem coisa melhor do que dormir abraçadinho num dia de chuva — digo, sorrindo enquanto me sento na cama.
— Hoje eu não passo frio — diz Ariel, se jogando na cama com um sorriso divertido.
Preciso tirar a prótese para dormir, mas fico receoso de Ariel achar minha perna estranha.
— O que foi? Por que não deita? — pergunta Ariel, confuso.
— Eu... eu tenho que tirar a prótese primeiro — digo, apreensivo, tocando a perna com a prótese.
— Por que você está hesitando, doutor? — pergunta ele, sentando-se ao meu lado com calma.
— É que minha perna fica um pouco estranha sem a prótese — respondo, pensativo.
— Pois eu tenho certeza de que não fica — diz Ariel, tocando gentilmente na minha perna ainda com a prótese.
Com as palavras de Ariel, me sinto mais confortável e tiro a prótese. Assim que faço isso, Ariel observa atentamente e toca minha perna com cuidado. Seu olhar é de curiosidade, não de estranheza.
— O que achou? — pergunto, inseguro.
— É só o seu corpo, Joel. Não tem nada de errado nele — diz Ariel suavemente, enquanto aproxima o rosto do meu.
— Estrela da cozinha... eu te amo tanto — digo, emocionado, antes de nossos lábios finalmente se tocarem.
Nos beijamos com muita paixão, com os corpos colados em um abraço — como duas partículas em colisão inelástica, trocando energia cinética sem perdas.
— O seu corpo é muito lindo, doutor — diz Ariel, enchendo minha pele de beijos quentes e suaves. — E muito atraente — acrescenta, descendo devagar com os lábios, desafiando a conservação de momento linear do meu autocontrole.
— Eu não acredito que finalmente vou fazer isso com você — digo, todo bobo de felicidade, com o coração acelerando a 180 batimentos por minuto.
— Você beija muito bem — diz Ariel, com um sorriso malicioso. - Estou curioso para saber como você se sai na cama — acrescenta, enquanto puxa o zíper da minha calça.
Ariel começa a puxar o zíper devagar, e isso me deixa louco de antecipação — a equação de Navier-Stokes da minha libido está em turbulência total. Voltamos a nos beijar intensamente enquanto ele tira as roupas. Ariel pega um preservativo e logo coloca em mim. Depois ele senta em mim.
— Nossa, isso é muito bom — digo, ofegante, tomado por ondas de prazer quântico.
É realmente muito melhor do que imaginei. Calculo mentalmente: com essa taxa de aumento de temperatura corporal (ΔT ≈ 2°C/min) e frequência de movimentos (f = 1,2 Hz), aplicando a lei de resfriamento de Newton adaptada, meu tempo até o clímax é t = ln(T₀/T_f) / k ≈ 4,7 minutos. Quero intensificar os movimentos, mas sei que o ponto crítico de ruptura é iminente. Parece um sonho, finalmente estou fazendo amor com Ariel, provando que até as leis da física se curvam ao amor verdadeiro.