Domingo, 15 de agosto de 2027
Estou mais feliz do que nunca. Estou muito feliz com o Joel. Não sei ao certo como tudo aconteceu, mas já faz um tempo que ele está morando comigo.
Neste exato momento, está acontecendo o casamento de Wei, Rafael e Maya. Parece que os familiares deles finalmente se acostumaram com o fato de serem um trisal.
Agora, Maya está se preparando para jogar o buquê. Todos estão reunidos no meio do salão.
— Lá vai! — grita Maya antes de jogar.
Todos se desesperam enquanto o buquê voa pelos ares.
— Aaaagh! — grito assustado quando algo cai nas minhas pernas.
É ele. É o buquê.
— Não pode ser... — digo, incrédulo, encarando as flores em minhas mãos.
— Estrela da cozinha, você pegou o buquê — diz Joel, todo bobo.
— Isso não vale! — grita uma mulher, irritada.
— Não tenho culpa se vocês não pularam para pegar — rebate Maya, rindo.
— Olha só... então quando vai ser o casamento, Joel? — brinca Rafael.
— Provavelmente logo. Eles já estão morando juntinhos — completa Wei.
— Então, amor? — diz Joel, todo bobo, me olhando com expectativa.
Não digo nada. Apenas fico vermelho.
— Dizem que quem pega o buquê e não se casa logo tem uma vida cheia de azar — comenta uma senhora.
— Tá vendo, amor? Se não casar comigo, você vai ter azar — diz Joel, brincando.
Respiro fundo.
— Tá bom, doutor... eu me caso com você — digo, sorrindo.
— Sério, estrela da cozinha? — pergunta Joel, chocado, enquanto segura minhas mãos.
— Sim. A gente já mora junto há um tempo — respondo, ainda sorrindo. — Estamos prontos para essa nova etapa das nossas vidas.
Todos começam a gritar, aplaudir e comemorar.
Estamos sentados à mesa, com muitas cartas coloridas espalhadas por ela. No centro, o baralho de UNO já está bem gasto. Estamos ali eu, Joel, Wei, Rafael e Maya. O clima é leve, cheio de risadas.
— Não vou pegar leve com ninguém — avisa Maya, embaralhando as cartas. — Se preparem!
— Isso é o que você sempre diz — comenta Rafael.
Distribuímos as cartas.
— Começa primeiro, perdedor — diz Wei, apontando para Joel com um sorriso malicioso.
— Perdi porque fui sabotado — retruca Joel, jogando a primeira carta: um 8 vermelho.
— Vamos lá — murmuro, enquanto jogo um 8 azul.
— Dessa vez eu vou ganhar — diz Wei, jogando um +2 verde na mesa.
— Ei! — reclama Maya.
— Touché — diz Rafael, jogando um bloqueio verde. — Joel fica sem jogar.
— Injustiça! — protesta Joel.
— Isso é culpa sua, Wei — digo, jogando um coringa +4 na mesa com força.
— NÃO! — grita Wei. — Isso é crueldade!
— Cor escolhida: vermelho — digo, sorrindo. — E compra quatro, querido.
— Ariel, isso foi pessoal — reclama Wei, puxando as cartas. — Você guardou esse +4 só pra mim.
— Guardei mesmo — respondo, sem culpa.
— Compra, amor — provoca Rafael.
— Enquanto vocês brigam... — diz Maya calmamente, jogando um 9 vermelho — eu vou jogando.
— Ela tá muito quieta — cochicha Joel.
— Isso nunca é um bom sinal — concordo.
O jogo continua rápido: pula, reverso, troca de cor. De repente, Maya fica com apenas uma carta.
— UNO — anuncia ela, tranquila, apoiando o queixo na mão.
— Droga! — reclama Rafael. — Como ninguém percebeu?
— Porque vocês estavam ocupados brigando — responde Maya.
— Ela vai ganhar — murmura Wei.
O jogo segue, e quando a vez chega novamente em Maya, ela olha para a última carta, sorri e joga um coringa.
— Cor azul — diz ela. — E... ganhei.
— NÃO! — reclamamos todos ao mesmo tempo.
— Justo — diz Joel, com convicção. — A mais calma sempre vence.
— Moral da história — diz Maya, recolhendo as cartas — nunca subestimem quem apenas observa.
— Dessa vez eu vou ganhar — diz Wei, determinado, enquanto embaralha as cartas.
A gente brinca a tarde toda. Algumas pessoas no salão nos observam: umas julgando, outras achando o nosso grupo fofo.
Nós cinco somos nerds que gostam das mesmas coisas. Tenho amigos incríveis... e um namorado — não, um noivo.
O melhor futuro marido que eu jamais imaginei que teria.