Um artigo sobre resposta emocional depois de estímulo inesperado, um produto secreto da NASA e uma bolada na testa no mesmo dia. O título da série tá avisando faz tempo, aposto que o Joel acorda diferente.
Teoria nº 18: Amor Comprovado
Pensamento
Um artigo sobre resposta emocional depois de estímulo inesperado, um produto secreto da NASA e uma bolada na testa no mesmo dia. O título da série tá avisando faz tempo, aposto que o Joel acorda diferente.
Conteúdo da publicação
Terça-feira, 24 de março de 2026
Vejo Joel afundando. Tento lançar meu corpo na água, mas ele não responde. É como se meus pés estivessem colados ao chão. O pânico me paralisa.
Se eu não fizer isso agora, ele vai morrer afogado.
Eu não vou permitir.
Eu não vou deixar o meu amor morrer.
— Joel, eu tô indo! — grito, antes de finalmente me atirar na água.
Enquanto caio, as lembranças do acidente vêm com tudo.
— Ariel! Ariana! Me escutem! Vocês têm que pular na água! — grita minha mãe, desesperada.
— E a senhora?! — grito de volta, sentindo o desespero rasgar meu peito.
— Eu preciso ajudar o seu pai. Vão na frente, nós vamos logo atrás — diz minha mãe, nos abraçando com força. — Ariel, cuida da sua irmã — acrescenta, com a voz embargada.
Eu e minha irmã pulamos na água. A correnteza nos arrasta para longe. Nossos pais não conseguem sair a tempo.
Só depois descobrimos a verdade: meu pai ficou preso debaixo de um armário. Com a força da tempestade, o móvel caiu sobre ele. Minha mãe tentou ajudá-lo. Ela se recusou a abandoná-lo... e acabou morrendo junto com ele.
No instante em que atinjo a água agora, sinto o mesmo medo. A mesma angústia. O mesmo desespero daquele dia.
Afundo.
Mas então vejo Joel afundando também.
E isso me desperta.
Nado com todas as forças em sua direção. Seguro seu braço com firmeza e, lutando contra o peso da água e o pânico, consigo levá-lo até a superfície.
— Eu consegui... — murmuro, com a voz trêmula, sem conseguir acreditar.
Joel está desacordado.
Passo seus braços ao redor do meu ombro e começo a nadar em direção à terra firme.
Finalmente chego à terra firme e começo a arrastá-lo para fora da água. Meu coração bate descompassado enquanto inicio os primeiros socorros.
Após alguns segundos angustiantes, Joel cospe a água e começa a tossir com força. Logo depois, abre os olhos lentamente.
— Joel... você está bem? — pergunto, com a voz trêmula.
— Você... você me salvou — diz ele, ainda fraco, mas com um pequeno sorriso orgulhoso nos lábios.
O alívio me invade com tanta força que quase me faz chorar.
— Como assim você ainda não sabe nadar? — digo, tentando disfarçar o medo com irritação. — A partir de amanhã, você vai começar aulas de natação.
— Amor, eu não tenho tempo pra essas coisas — responde Joel, sentando-se com dificuldade.
— Então arrume tempo — rebato, firme. — E se algo assim acontecer de novo? E se, dessa vez, você estiver sozinho?
Joel fica em silêncio por um instante, pensativo.
— Depois a gente fala sobre isso — diz ele, por fim. — O que importa agora é descobrir quem tentou nos matar.
— Será que foi algum fã maluco do Augusto? — pergunto, sentindo um arrepio percorrer meu corpo.
— Ou pode ter sido o próprio Augusto — diz Joel, me encarando com seriedade.
Meu peito aperta.
— Joel... eu estou com medo — confesso, envolvendo-o em um abraço apertado.
Ele retribui o abraço, mesmo ainda fraco.
— Tá tudo bem — diz, com a voz firme apesar do cansaço. — Eu vou te proteger.
Segunda-feira, 29 de março de 2026
A tentativa de assassinato contra nós acabou atraindo ainda mais atenção da mídia. Foi comprovado que Augusto não estava no país no momento do acidente, mas, mesmo assim, ele continua sendo investigado. Confesso que ainda sinto medo. Augusto perdeu tudo — sua carreira acabou, a emissora o demitiu — e temo que, movido pelo ódio, ele tente fazer algo contra mim ou contra o Joel. Tento não pensar nisso, mas o receio permanece.
Reformei o restaurante, e agora tudo está indo muito bem.
É de noite, e estamos na casa dos pais do Joel. O clima é leve e muito confortável. Os pais dele agora me aceitam, principalmente depois que eu o salvei.
— Então, Ariel — diz a mãe de Joel — a comida estava maravilhosa.
— Obrigado, senhora — respondo, sem jeito.
— Ele manda muito bem — comenta Joel, orgulhoso.
— Percebi — diz o pai dele, sorrindo. — Se depender disso, meu filho está bem servido.
— Pai... — murmura Joel, sem graça.
O jantar segue leve até o final. Depois de comer, Joel me leva para o jardim. Nós nos deitamos em um tapete e ficamos admirando o céu, que está extremamente lindo hoje.
O céu está limpo, sem nuvens, e as estrelas parecem mais próximas. Dá para ver várias constelações desenhadas na escuridão.
— O céu tá diferente hoje — comento, deitando-me e apoiando a cabeça nos braços. — Parece mais... vivo.
— É porque a atmosfera está mais estável — explica Joel, olhando para cima. — Com menos partículas no ar, a luz das estrelas sofre menos refração, então elas parecem mais nítidas.
— Faz sentido — digo, sorrindo. — Menos interferência, mais clareza.
— Tá vendo aquela ali? — ele aponta. — É Órion. As três estrelas alinhadas no meio formam o Cinturão de Órion.
— As famosas Três Marias — completo. — Elas não estão realmente próximas umas das outras, né? Só parecem alinhadas da nossa perspectiva.
— Exatamente — diz ele, animado. — É tudo uma ilusão de profundidade. As constelações são desenhos que a gente cria no céu, mas as estrelas podem estar separadas por centenas de anos-luz.
— Anos-luz... — repito, pensativo. — Distância medida pelo tempo que a luz leva pra chegar até a gente.
— Isso — confirma Joel. — Quando olhamos para uma estrela, estamos vendo o passado dela. Algumas que brilham ali talvez nem existam mais.
— Engraçado — murmuro. — Mesmo assim, elas continuam iluminando o nosso presente.
Joel vira o rosto para mim.
— Assim como algumas pessoas — diz, suavemente. — Elas mudam a nossa vida mesmo depois de tudo.
Sorrio, sentindo o peito aquecer.
— E pensar que somos feitos da mesma matéria que elas — digo. — Poeira de estrelas.
— Fisicamente falando, sim — responde Joel. — Os elementos que formam nossos corpos nasceram dentro de estrelas que explodiram há bilhões de anos.
— Então, de certa forma, a gente sempre pertenceu ao universo — concluo.
— Estou um pouco ansioso — diz Joel, pensativo.
— Por quê? — pergunto, me levantando e ficando de frente para ele.
— O doutor prado me chamou para ajudá-lo a testar um produto ultrassecreto criado pela NASA — explica Joel.
— Que produto? — pergunto, curioso.
— É ultrassecreto — ele sorri de canto. — Não tenho permissão para falar sobre, mas preciso confessar que é... bizarro.
— Então toma cuidado quando for testar essas coisas — digo, preocupado. — E não se esqueça de usar proteção.
Joel solta uma gargalhada.
— Você fala como se eu estivesse testando tecnologia alienígena.
— Não ri de mim — digo, beliscando de leve suas bochechas.
— Desculpa, estrela da cozinha — diz ele, sorrindo, enquanto se aproxima. — Eu prometo que vou tomar cuidado durante os testes.
Ele completa a frase antes de me dar um beijo.
Nós nos deitamos novamente sobre o tapete e ficamos agarradinhos, observando o céu.
De repente, algo me vem à cabeça.
Doutor Prado... espera. Doutor Prado?
Meu coração dá um salto.
— Peraí... o doutor Prado é o pai do Augusto, não é? — digo, surpreso.
— Sim, é ele mesmo — responde Joel, com calma.
— Mas... tá tudo bem? — pergunto, apreensivo.
— Eu conversei com ele sobre isso — explica Joel. — Ele deixou claro que não apoia os erros do filho. Disse que o Augusto está apenas sofrendo as consequências dos próprios atos.
— O Augusto até agora não se pronunciou — digo, inquieto. — Ele simplesmente fugiu.
— O doutor Prado me contou que ele vai passar um tempo em Portugal, até a poeira baixar — completa Joel.
Terça-feira, 07 de abril de 2026
Eu e Joel estamos na mansão do doutor Prado. Confesso que fiquei um pouco apreensivo em vir, mas ele tem sido extremamente atencioso. Disse que não guarda rancor de mim e ainda pediu desculpas pelo comportamento do filho.
O doutor Prado reuniu vários físicos para comemorar a eficácia do produto ultrassecreto da NASA. O jardim da casa é enorme e conta até com uma grande quadra de futebol.
Os outros físicos estão curiosos, fazendo perguntas sobre esse tal produto secreto. Todos querem informações, mas nem Joel nem o doutor Prado têm permissão para revelar qualquer detalhe.
— O que será esse tal produto secreto? — sussurra Rafael, bem baixinho.
— Deve ser algum equipamento novo para astronautas — arrisca Wei.
— Será? — digo, curioso.
— Ei, todo mundo aqui! — chama Henrique, caminhando até a quadra com uma bola nas mãos. — Que tal uma partida?
— Tô fora — diz Joel, sentando-se ao meu lado.
— Tá com medo de perder pra mim, doutor Martins? — provoca Henrique, fazendo alguns malabarismos com a bola.
— Não, doutor Montenegro. Só não estou a fim — responde Joel, tranquilo.
— Não tá a fim... ou não sabe jogar? — provoca outro físico, rindo.
— Eu não deixava isso passar — diz Wei, levantando-se. — Bora mostrar pra ele quem é o melhor.
— Mas eu realmente não sei jogar bola — sussurra Joel, quase inaudível.
— Você fica no gol. Pronto, resolvido — decide Rafael, puxando Joel pelo braço. — Vamos, Ariel!
— Não, obrigado. Eu fico na torcida — respondo, rindo.
— O time que ganhar vai receber um prêmio especial meu — anuncia o doutor Prado.
— Agora eu me animei — diz Joel, já empolgado. — Torce por mim, estrela da cozinha — acrescenta, antes de sair correndo em direção à quadra.
Logo todos se amontoam no meio da quadra. Uma partida de futebol com um monte de físicos... essa eu definitivamente quero ver.
Eles logo se organizam, e a partida começa. Joel fica no gol. Observo atento e percebo rapidamente que Wei e Rafael são muito bons de bola. Em poucos minutos, Wei avança pela lateral e marca um gol certeiro, deixando o Henrique visivelmente irritado.
— Me dá essa bola aqui — rosna Henrique, arrancando a bola de um dos colegas do próprio time.
— Tá com medinho de eu fazer mais um gol? — provoca Wei, com um sorriso debochado.
— Vocês só estão ganhando porque o doutor Lira é um péssimo goleiro — rebate Henrique, irritado.
— Ei! — protesta doutor Lira, ofendido. — Isso foi totalmente desnecessário.
Joel cruza os braços dentro da pequena área e encara Henrique com calma.
— Você ainda não superou que o meu artigo "Modelos Quânticos de Resposta Emocional ao Estímulo Físico" venceu o seu, né? — provoca Joel, com um meio sorriso.
Henrique aperta os lábios, claramente incomodado.
— O seu artigo só foi escolhido porque você é o queridinho do doutor Prado — dispara, incrédulo. — Não foi porque ele era realmente bom. O meu, "Campos Neuroeletromagnéticos e Controle Comportamental", era muito superior.
Joel ergue uma sobrancelha.
— O seu artigo tratava de manipulação neural por campos externos — responde, didático. — O meu falava sobre resposta emocional espontânea após estímulos inesperados. São áreas diferentes. Além disso, o seu texto fugiu um pouco do tema central proposto pela banca.
— Fugiu nada — rebate Henrique, exaltado. — O meu estava perfeito. Foi o seu que romantizou demais a ciência.
— Tá bom, cara — diz Joel, respirando fundo. — Supera isso. Vamos focar no jogo.
Henrique não responde. Apenas toma distância com a bola nos pés.
Ele passa pelos jogadores com facilidade, driblando um por um, até se aproximar perigosamente da trave.
— Defende essa! — grita, antes de chutar com toda a força.
No reflexo, Joel se atira para o lado.
Mas é tarde demais.
A bola acerta em cheio a testa dele com um impacto seco. Joel cai no chão, completamente desacordado.
— JOEL! — grito desesperado, correndo em direção a ele.
— Você tá louco, cara? — diz Wei, dando um empurrão no Henrique.
— A culpa não é minha se ele não sabe defender uma bola — rebate Henrique, seco.
— Já chega, vocês dois — intervém Rafael, colocando-se entre eles.
Ajoelho-me rapidamente ao lado de Joel, com o coração disparado.
— Doutor, você tá bem? — pergunto, desesperado, enquanto me abaixo ao seu lado.
— Tá tudo girando... — diz Joel com dificuldade, levando a mão à testa. Ele ainda mantém os olhos fechados.
— Cara, você tá bem mesmo? — pergunta Wei, preocupado.
Todos se amontoam ao redor de Joel, formando um círculo silencioso e tenso.
— Eu tô bem — diz Joel, forçando-se a se sentar. — Só estou com uma tremenda dor de cabeça.
— Ele tá bem, então vamos continuar o jogo — diz Henrique, impaciente.
Antes que alguém responda, uma voz firme corta o ar.
— Doutor Montenegro, eu não gostei do que você disse — afirma doutor Prado, aproximando-se. — Eu não escolhi o artigo do doutor Martins por favoritismo.
Henrique abaixa a cabeça, visivelmente constrangido.
— Desculpa, senhor... eu falei sem pensar.
— Então pense bem antes de dizer algo assim novamente — responde doutor Prado, com firmeza. Em seguida, volta-se para Joel. — Doutor Martins, você está bem?
— Estou bem, senhor — responde Joel. — Só com dor de cabeça.
— Nesse caso, você deve descansar — orienta doutor Prado.
Seguro Joel pelo braço e o ajudo a se levantar.
— Doutor, vamos pra casa — digo, preocupado.
— Nossa... tá tudo girando — murmura Joel, levantando-se com dificuldade e apoiando o peso em mim.
— Descanse um pouco em um dos quartos de hóspedes — sugere doutor Prado.
— Acho melhor eu ir para casa, senhor. Não quero incomodar — diz Joel, sem graça.
— Não se esqueça de que mais tarde o professor Gerson vem aqui. Se você ficar, evita esse vai e vem. Dorme um pouco agora e, quando o professor chegar, você conversa com ele. Depois disso, pode ir para casa. Que tal? — propõe doutor Prado.
— Está bem, então, senhor — concorda Joel.
Ele nos leva até um dos quartos de hóspedes. Assim que entra, Joel se deita e apoia a cabeça nas minhas coxas.
— Agora eu sei o que você sentiu quando eu te dei aquela bolada — diz Joel, me olhando.
— Estamos quites, então — respondo com um sorriso, beliscando de leve sua bochecha.
— Essa enxaqueca tá me matando — reclama Joel.
— Dorme um pouco, amor. Quando acordar, vai estar melhor — digo com carinho.
Faço cafuné na cabeça dele até que ele adormeça. Fico pensando na bolada que ele levou na cara... será que devo me preocupar com isso?
Thoughts
-
PermalinkUm artigo sobre resposta emocional depois de estímulo inesperado, um produto secreto da NASA e uma bolada na testa no mesmo dia. O título da série tá avisando faz tempo, aposto que o Joel acorda diferente.
-
PermalinkO Ariel salva o Joel e na mesma hora já matricula ele na natação. Coisa de quem levou um susto e virou mãe kkk
Publicações relacionadas
-
Teoria nº 21: Distância Necessária
Sexta-feira, 10 de abril de 2026
-
Teoria nº 22: O Amor que Desapareceu Sem Explicação
Terça-feira, 14 de abril de 2026
-
Teoria nº 23: O Paradoxo da Rejeição Programada
Terça-feira, 07 de fevereiro de 2012
-
Teoria nº 19: Desconexão Afetiva
Terça-feira, 07 de abril de 2026
-
Teoria nº 06: Limites Ultrapassados
Domingo, 15 de março de 2026
-
Teoria nº 17: Tribunal da Internet
Segunda-feira, 23 de março de 2026
-
Teoria nº 07: O Erro no Sistema do Meu Coração
Terça-feira, 17 de março de 2026
-
Teoria n° 05: Dependência Afetiva Não Admitida
Sábado, 14 de março de 2026
Terça-feira, 24 de março de 2026