Eu a ergui como um castelo de vidro,
cada parede feita de carinho,
cada torre sustentada por aceitação,
um refúgio onde minha alma repousava.
Mas ao partir,
o castelo ruiu em silêncio,
os estilhaços cortaram o chão,
e a estrutura do amor desmoronou.
Ficou a ausência,
um eco que não se cala,
um vazio que repete:
"nunca mais."
O luto não veio,
não houve despedida,
apenas um peso suspenso
que nunca se dissolve.
E agora, diante de outros,
meu coração treme,
teme construir novamente,
teme entregar-se ao risco
de ver outro castelo cair.
Sou guardião de ruínas,
caminho entre fragmentos,
com medo de tocar,
com medo de sentir,
com medo de amar.