Carregando…

MINHA HISTÓRIA

Poetadascicatrizes
Pública 1 conversa 2 pensamentos 16 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Tenho 24 anos. Perdi minha esposa para a depressão, e isso me matou por dentro. Desde então, tenho tentado entender como lidar com tudo isso e, principalmente, como criar nosso filho sozinho.

In groups

Conteúdo da publicação

Tenho 24 anos.

Perdi minha esposa para a depressão, e isso me devastou profundamente, pois não consigo entender como enfrentar tudo isso e como criar nosso filho.

Você sabe, eu tiro o chapéu para as mães solo que criam seus filhos. Agora compreendo o peso que é não ter apoio e ter que seguir em frente mesmo quando você está completamente destruído por dentro.

E o que mais me machuca é a maneira como tudo aconteceu.

Ela tirou a própria vida, e a família dela me culpou pelo que aconteceu. Disseram que a culpa era minha. Ser impedido de ir à UTI e ao funeral dela me destruiu de uma forma que eu não consigo descrever.

Contudo, no meio disso tudo, cheguei a tentar contra a minha própria vida.

Tomei 200 comprimidos, quatro frascos de DEPAKENE que eu tinha em casa. Mergulhado em um abismo, sem saída e sem destino. Eu já não conseguia enxergar mais nenhum sentido em continuar.

Então, resolvi encerrar minha jornada e comecei a me despedir das pessoas que eu amava.

Primeiro, do meu filho.

Ele estava dormindo na minha cama e não fazia ideia de que, naquele momento, quase estava perdendo o pai.

Cheguei perto dele chorando, dei um beijo e pedi desculpas pelo que eu estava prestes a fazer.

Depois, comecei a escrever um texto de despedida e até mesmo uma nota de falecimento, contendo a mensagem que eu queria deixar e a foto que eu queria que estivesse como homenagem.

Quando enviei os textos e a nota de falecimento, comecei a chorar.

Eu estava imerso no desespero e não conseguia enxergar uma saída.

Então, quando estava prestes a continuar, aconteceu algo que até hoje não consigo explicar.

Foi como se DEUS estivesse ao meu lado, segurando a minha mão.

Comecei a tremer e não consegui prosseguir.

Sabe quando bate aquela luz e aquele desespero, como se a máscara tivesse caído?

Naquele momento, aquela ilusão de que a única alternativa era morrer desapareceu por alguns instantes.

Tenho certeza de que, naquele instante, DEUS não me abandonou.

Corri, meio atordoado e passando mal, até o quarto da minha mãe e pedi ajuda.

Quando ela percebeu o estado em que eu estava, me levou às pressas para o hospital.

Entrei no hospital tendo convulsões e fui imediatamente encaminhado para a UTI.

Eu estava desacordado.

Quando acordei, já estava recebendo atendimento médico. E posso dizer: foi um dos piores dias da minha vida.

Passei por procedimentos que me causaram muita angústia. Em determinado momento, senti uma forte falta de ar. Minha garganta fechou e eu não conseguia respirar.

Entrei em pânico.

Naquele instante, o desespero era tão intenso que realmente desejei morrer de uma vez.

E essa sensação se repetiu várias vezes.

Hoje, quando olho para o passado, percebo o quanto eu estava destruído por dentro.

Eu não conseguia mais lidar com aquela dor.

Perdi minha esposa, tentava entender como criar nosso filho, sentia-me culpado pela morte dela por tudo o que colocaram sobre mim e ainda carregava a angústia de ter sido impedido de ir à UTI e ao funeral.

Eu me encontrava perdido.

Eu estava cansado.

Estava no fundo de um abismo e não conseguia enxergar nenhuma saída.

Porém, no instante em que pensei que minha trajetória chegaria ao fim, alguma coisa me fez desistir.

Estou convencido de que foi DEUS.

Ele me mostrou que ainda existia uma razão para continuar.

Meu filho.

Foi assim que eu voltei.

Não porque a dor passou.

Não porque tudo se acalmou de repente.

Mas porque, naquele instante, percebi que a minha história ainda não tinha terminado.

Thoughts

  • janelaAberta

    O que ficou comigo foi você escolhendo a foto para a nota de falecimento. Não tinha me ocorrido que alguém naquele ponto ainda estivesse cuidando de detalhe, e agora não consigo ler o resto sem isso na cabeça. Depois fiquei parada na parte do seu filho dormindo na sua cama sem saber de nada. Ele ainda dorme aí com você?

    Permalink

Related posts