Há momentos em que a vida se transforma em uma estrada longa demais para quem já não consegue sentir os próprios passos.
O corpo continua caminhando, mas a alma parece ter ficado para trás, sentada à beira do caminho, tentando lembrar por que começou.
E então surge a pergunta que ninguém gostaria de carregar:
Quando as forças acabam, o que nos faz continuar?
Talvez viver não seja ter coragem todos os dias. Talvez seja apenas permanecer quando a coragem decidiu nos abandonar.
Existem pensamentos que chegam vestidos de solução, mas escondem dentro deles um abismo. Parecem portas abertas para o fim de uma dor, quando, na verdade, poderiam deixar para trás uma tempestade que também alcançaria aqueles que nos amam.
Somos, às vezes, como casas construídas no meio de uma tempestade: rachados, silenciosos, sustentados por pequenas estruturas que ninguém consegue enxergar. E basta um movimento para acreditar que tudo vai desabar.
Mas talvez exista outra escolha.
Em vez de abandonar a casa, podemos tentar reconstruí-la.
Em vez de fugir do incêndio, podemos procurar água.
Em vez de acreditar que somos a própria tempestade, podemos esperar pela manhã.
Porque existem pessoas que nos amam e, mesmo quando não conseguimos enxergar valor em nós mesmos, continuam enxergando uma razão para ficarmos.
Talvez o maior ato de amor não seja ser forte o tempo inteiro.
Talvez seja admitir:
“Eu não estou conseguindo carregar isso sozinho.”
E permitir que alguém nos ajude a desarmar aquilo que ameaça explodir dentro de nós.
A vida nem sempre pergunta se estamos preparados para lutar. Às vezes, simplesmente coloca a batalha diante dos nossos olhos.
Mas enquanto houver um amanhã que ainda não conhecemos, a história permanece incompleta.
Então, quando a noite parecer definitiva, não transforme uma noite em eternidade.
Respire.
Espere.
Peça ajuda.
Porque desistir de uma dor não precisa significar desistir da própria existência.
Às vezes, continuar é apenas isso:
ficar mais um pouco até que a tempestade descubra que não conseguiu nos levar.