Eles não gritam,
sussurram em fendas da alma,
como sombras que bebem
a luz que ainda resta.
São rios ocultos,
correndo por dentro da pele,
afogando memórias,
corroendo esperanças.
Cada passo que dou
carrego correntes invisíveis,
forjadas no fogo da dúvida,
presas ao chão do medo.
E no espelho,
não vejo meu rosto,
mas máscaras rachadas
que dançam no reflexo.
Os demônios não têm nome,
são fome, são vazio,
são o silêncio que devora
o que eu acreditava ser eu.
Mas ainda respiro,
mesmo que em cinzas,
porque até na ruína
há sementes de renascimento.