Um monstro que nasceu dentro de mim,
aquele cara que acreditava no amor
hoje se encontra perdido, sufocado
pelas pancadas da vida... que me transformou em um cara frio,
solitário, e ao mesmo tempo sozinho.
Sem ter alguém para segurar essas mãos frias,
que um dia tinham calor e presença,
hoje só carregam a ausência da vida.
E eu me tornei um fantasma
dentro de um corpo que representa vida,
mas realmente estou vivo?
Ou apenas um corpo guiado
pelas mãos da dor e da solidão?
O coração pulsa, mas não canta.
A respiração existe, mas não liberta.
Sou o eco de mim mesmo,
um reflexo quebrado no espelho da existência.
E nesse abismo interno,
pergunto se viver é apenas suportar,
ou se há ainda uma centelha escondida
sob as cinzas daquilo que fui.
Talvez o monstro não seja inimigo,
mas o guardião da verdade:
a vida não é ternura constante,
é luta, é perda, é silêncio.
E mesmo no frio das mãos,
há a lembrança de que um dia houve calor.
O fantasma que habita em mim
é também a prova de que ainda resisto.