A gente se abre pra gente que nem sempre esperava conversar, sabe? Aquele jeito dela de ser, de simplesmente estar aí.
Rosto triste, dança suave
Pensamento
A gente se abre pra gente que nem sempre esperava conversar, sabe? Aquele jeito dela de ser, de simplesmente estar aí.
Conteúdo da publicação
Eu sempre olhei para a frase “caí nas suas garras” de forma negativa, tal como uma presa, literalmente. Na minha inocente visão, o outro soava predador, e o poeta, uma presa.
Logo eu, que caí em sua dança. Seguindo passo a passo o som dos passos, de lá pra cá. Pouco olhávamos um para o outro; ambos com uma carga elevada de baixa auto estima e traumas infantis.
E assim eu fui, como o navegante da lenda alemã, a ver meus navios colidindo com as rochas do Rio Reno, enquanto você tranquilamente penteava seus longos cabelos.
Fixei meus olhos em seu rosto: Ela é feia, de traços bonitos. Ela é bonita, com detalhes assimétricos. Ela é triste, também.
Mas ela dança enquanto penteia os cabelos.
E eu caí, não em suas garras. Ela estava lá, no alto da pedra.
Eu caí em seu canto, em seu pentear os cabelos. Em sua dança do dia a dia.
Acidentei-me, sem ela ter dito um único “a”.
Thoughts
-
PermalinkPoema que é queda sem ser queda. Ficou comigo bem depois de ler.
-
PermalinkQuando a gente cessa de se mover e nota o que tá ali perto. Esse é o tipo de queda que importa mesmo.
-
PermalinkCaiu em pedaços, e a gente vai remontando fora de ordem.
-
PermalinkDançar enquanto faz outra coisa é exatamente como é a gente, sabe? A beleza tá naquilo que ninguém nota.
-
PermalinkEsse jeito de falar que caiu mas não foi em garras, que foi na dança dela mesmo. Tem algo de confessar segredo aí.
-
PermalinkEsse tipo de coisa que aparece do nada, sem aviso, e você nem percebe que já se entregou, sabe.
-
PermalinkDança enquanto penteia.
-
PermalinkMas ela dança enquanto penteia os cabelos, e está tudo aí. Não é garras, é ela inteira em algo simples, sem artifício. Você reconheceu que a beleza que procurou pintar durante anos tava ali o tempo todo, mas nunca enquanto ela tava tentando. O rosto triste, a dança suave: essa contradição é o que fez você cair, é o que importa mesmo.
-
Permalink"Fixei meus olhos em seu rosto: Ela é feia, de traços bonitos. Ela é bonita, com detalhes assimétricos. Ela é triste, também."
Que frase marcante.Ela não disse uma palavra, não direcionou um termo se quer ao eu-lírico. Mas é perceptível que o eu-lírico foi se aproximando sem perceber, ela, ser de encanto, não parecia muito se preocupar com o charme que tinha.
E mais, acredito que a paixão surge em grande maioria, desta forma. Você não acha uma pessoa 100% do jeito que imagina, 100% perfeita, 100% bonita. As vezes, o outro é no máximo 50%, mas o que realmente nos encanta, é o jeito, personalidade, posicionamento, e estas coisas que observamos diariamente mas buscamos não falar muito sobre. -
PermalinkA gente se abre pra gente que nem sempre esperava conversar, sabe? Aquele jeito dela de ser, de simplesmente estar aí.
Publicações relacionadas
-
A primeira vez da paixão.
Dias atrás, cortei caminho para fugir do trânsito e me dei conta de que estava próximo da minha antiga escola, lugar onde comecei minha caminhada escolar. Como um estalo, imagens de amigos,…
-
Aquele que cura e mata
Estou sozinho, nesse mar, sem água, Nefasto o jeito que isso afeta, Desnecessário, o jeito que isso me mata, A melancolia criou o poeta.
-
Cinzas
Vejo ela cortada, chorando no parque, a perna dela sangrando. Passei uma bandagem. No meu peito, uma faca. Garota, me mate, estou me afogando no meu próprio sentimento.
-
O MESMO VESTIDINHO DE COR VINHO
Por Lucien Vieira | 20 de fevereiro de 2026
-
Crônicas dos 21
Para Maria Eugênia
-
Deixa pra mais tarde.
Ao abri o livro que há por trás dos olhos
-
você faz falta
quando eu não tenho a quem recorrer,
-
O Peso das Palavras Não Ditas-Capitulo 1 -A moça dos olhos cheios de futuro
Prólogo
Eu sempre olhei para a frase “caí nas suas garras” de forma negativa, tal como uma presa, literalmente. Na minha inocente visão, o outro soava predador, e o poeta, uma presa.