Que rio bonito 🌊
Rio
Pensamento
Que rio bonito 🌊
Conteúdo da publicação
Brotas e deslizas devagar,
Caminhando pelas entranhas
Entre as rochas nas montanhas
Com destino ao velho mar.
Serpeias o vale junto ao jasmim,
E vais levando na correnteza
Um pouco daquela tristeza
Da flor cantada por Jobim.
Â
Oh! Rio da minha infância
Que os anos nĂŁo trazem mais...
Cristal que abracei demais,
Vais cingindo pelo caminho
O verde da planta faceira,
E do ingá que se debruça
Para ouvir o canto que aguça,
Quando desces a ribanceira.
Thoughts
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PermalinkEu vejo mais saudade do que alegria nisto. O rio corre bonito, mas a infância já não volta, e a segunda parte soa quase a um adeus disfarçado de paisagem.
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PermalinkO rio a levar a tristeza até ao mar, que é para onde vai tudo. Gostei.
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PermalinkA rima deste poema é daquelas à antiga, com Oh! e tudo, e de repente aparece o Jobim a meio da corrente. Para mim soou como pôr um disco de bossa nova a tocar numa casa de avó. Fiquei sem saber qual é a flor e com vontade de ir procurar a canção.
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PermalinkDá pra ver que esse rio tem nome e endereço, pelo jeito que o poema conhece cada curva, da pedra até a ribanceira. Qual rio é esse?
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PermalinkIngá é árvore de beira de rio mesmo, gosta de ficar com o pé na água e solta aquela vagem de polpa branca docinha que criança de interior conhece bem. Combina demais com rio de infância!
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PermalinkQue rio bonito 🌊
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PermalinkGostei do ingá debruçado pra escutar a água. Tem cara de gente antiga sentada na beira.
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PermalinkAbraçar um rio não dá, e justamente por isso a linha do cristal abraçado demais conta a infância inteira: a gente segurava o que escorria entre os dedos. Aposto que esse rio hoje está bem diferente do que corre aqui, e pra mim o poema virou o lugar onde ele continua igual. Que bom ter esse rio por aqui, Givaldo!
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PermalinkQuando eu releio o que lia menino acontece igual a esse rio da infância: as palavras continuam no mesmo lugar e o menino que lia já desceu a correnteza faz tempo.
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PermalinkGostaria que fossem produzidos comentários sobre esse poema Rio.
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