— Mãe... por que eu nunca sonho?
A mãe parou de costurar.
— Porque algumas pessoas não foram feitas para sonhar.
A menina nunca entendeu aquela resposta.
Os anos passaram.
Todas as noites, enquanto a cidade dormia, ela caminhava até um lago escondido na floresta.
Lá havia uma mulher de preto.
Sempre em silêncio.
Sempre esperando.
Até que, numa noite, a menina criou coragem.
— Quem é você?
A mulher sorriu.
— Eu estava me perguntando quando você faria essa pergunta.
— Você me conhece?
— Mais do que você imagina.
— Então me diga quem eu sou.
A mulher olhou para a água.
— Se eu responder... você nunca mais voltará para casa.
Mesmo assim, a menina insistiu.
— Eu preciso saber.
A mulher deu um passo para o lado.
O lago ficou completamente imóvel.
Não refletia o céu.
Nem as árvores.
Refletia apenas uma menina.
Vestida de preto.
Parada do outro lado da água.
Ela sorriu primeiro.
Depois falou.
— Finalmente você voltou.
A garota recuou.
— Quem é você?
A menina do reflexo respondeu calmamente:
— Eu sou a que ficou esperando...
...desde o dia em que você atravessou sem perceber.
O vento parou.
As árvores ficaram em silêncio.
Quando a lua saiu de trás das nuvens...
Só havia uma menina diante do lago.
Ninguém jamais soube...
qual das duas voltou para a vila.