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Rio

Givaldo
Pensamento

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Tiao

Gostei do ingá debruçado pra escutar a água. Tem cara de gente antiga sentada na beira.

Gostei do ingá debruçado pra escutar a água. Tem cara de gente antiga sentada na beira.

Conteúdo da publicação

Brotas e deslizas devagar,

Caminhando pelas entranhas

Entre as rochas nas montanhas

Com destino ao velho mar.

Serpeias o vale junto ao jasmim,

E vais levando na correnteza

Um pouco daquela tristeza

Da flor cantada por Jobim.

 

Oh! Rio da minha infância

Que os anos não trazem mais...

Cristal que abracei demais,

Vais cingindo pelo caminho

O verde da planta faceira,

E do ingá que se debruça

Para ouvir o canto que aguça,

Quando desces a ribanceira.

Thoughts

  • Simao

    Eu vejo mais saudade do que alegria nisto. O rio corre bonito, mas a infância já não volta, e a segunda parte soa quase a um adeus disfarçado de paisagem.

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  • Oliviamar

    O rio a levar a tristeza até ao mar, que é para onde vai tudo. Gostei.

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  • brunocosta

    A rima deste poema é daquelas à antiga, com Oh! e tudo, e de repente aparece o Jobim a meio da corrente. Para mim soou como pôr um disco de bossa nova a tocar numa casa de avó. Fiquei sem saber qual é a flor e com vontade de ir procurar a canção.

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  • atepagina50

    Dá pra ver que esse rio tem nome e endereço, pelo jeito que o poema conhece cada curva, da pedra até a ribanceira. Qual rio é esse?

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  • DILMAR

    Ingá é árvore de beira de rio mesmo, gosta de ficar com o pé na água e solta aquela vagem de polpa branca docinha que criança de interior conhece bem. Combina demais com rio de infância!

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  • chuvaEterna

    Que rio bonito 🌊

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  • Tiao

    Gostei do ingá debruçado pra escutar a água. Tem cara de gente antiga sentada na beira.

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  • Ovid

    Abraçar um rio não dá, e justamente por isso a linha do cristal abraçado demais conta a infância inteira: a gente segurava o que escorria entre os dedos. Aposto que esse rio hoje está bem diferente do que corre aqui, e pra mim o poema virou o lugar onde ele continua igual. Que bom ter esse rio por aqui, Givaldo!

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  • Zezinho

    Quando eu releio o que lia menino acontece igual a esse rio da infância: as palavras continuam no mesmo lugar e o menino que lia já desceu a correnteza faz tempo.

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  • Givaldo

    Gostaria que fossem produzidos comentários sobre esse poema Rio.

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