Eu tentei encontar espaço onde não me cabia mais
Encontrei apenas desprezo de quem me prometeu respeito
Passei a me reduzir e passei a caber naquele lugar
Para manter minha ilusão de pé, passei a dar meu jeito.
Só que um dia a gente cansa de tanto manter a casa de pé
Acaba se evergando com todo peso da aparência
A estrutura vai abaixo quando não há um bom alicerce
O vento uma hora bate com toda sua veemência.
A gente tenta reconstruir e reerguer o que veio abaixo
Tentando de toda forma preservar algo que não se despedaçou
Mas não se consegue muito êxito em meio aos estilhaços
Pois o principal já se desfez quando a estrutura desabou.
A gente sente uma sensação de fracasso
Chega a achar que poderia ter feito melhor
Lamenta tudo que investiu e se perdeu
Tendo que se reconstruir rapidamente e só.
Toda reconstrução passa por um alvoroço
Não há como escapar do transtorno que ela causa
Mas o abrigo é necessário para se sobreviver
Não se pode viver sem um teto ou uma casa.
Conforto se conquista com o tempo, depois do essencial
E nessa casa é necessário haver paz e segurança
É o básico necessário para a sobrevivência
Somente no final da obra é que a gente enfim descança.
Um lugar de tranquilidade para poder se proteger
É tudo que todos desejam para poder viver tranquilo
Não precisamos nos reduzir para caber
Em um lugar que verdadeiramente não é nosso destino.