Pra mim o capítulo inteiro gira em torno da negativa da Helena, dita ainda com o suor na pele. Depois dela, até a segunda noite depois do banho fica com gosto de despedida, e o poema Sublime soa como carta pra alguém que já está saindo pela porta. Eu aposto que o segredo dela vai ser menor do que o Narciso imagina, e que o estrago vem justamente daí.
Os Mistérios do Acaso - Capítulo 15
A formosa Helena Dolly se assemelha a uma bela música. E para se tornar a música do Narciso, ela precisa se ancorar na alma e ser sentida com o divino e exclusivo prazer — o mais sublime possível,…
In groups
Pensamento
Pra mim o capítulo inteiro gira em torno da negativa da Helena, dita ainda com o suor na pele. Depois dela, até a segunda noite depois do banho fica com gosto de despedida, e o poema Sublime soa como carta pra alguém que já está saindo pela porta. Eu apos
Conteúdo da publicação
CAPÍTULO 15:
OS MISTÉRIOS DO ACASO
A SUBLIME NUDEZ E O DOCE AMARGO DA DESPEDIDA
A formosa Helena Dolly se assemelha a uma bela música. E para se tornar a música do Narciso, ela precisa se ancorar na alma e ser sentida com o divino e exclusivo prazer — o mais sublime possível, que só o doce sabor do amor que o Poeta pode explicar.
"Conhecer o corpo de uma mulher é o mesmo que aprender a lapidar um diamante." Ele busca na Helena o verdadeiro sabor da candura que anseia encontrar naquele corpo; é tudo o que ele deseja encontrar naquele universo de mistérios chamado Helena Dolly.
Ainda naquele cenário contemplativo e maravilhoso, o Poeta estava com um pezinho nas nuvens e outro no chão. Embora as descargas de prazer tenham sido um sonho real, aquela anestesia fluídica não deixou o Narciso convencido. Independente do que viria daquele ato para frente, Narciso estava em estado de graça, ainda incrédulo com o seu feito, em ter conquistado uma musa de qualidade, beleza, formosura e inteligência — uma mulher com tons indefinidos no tocante ao destino conjugal. O Poeta inconscientemente sabia que aquele relacionamento não ia prosperar e não geraria frutos duradouros. O seu desejo até aquele momento tinha conseguido induzir e convencer o desejo dela de libertar aquelas energias acumuladas.
Para o Poeta valeu cada palavra, cada madrugada, pensamentos, sofrimentos; talvez seja um sentimento do qual Helena não fez a menor ideia, embora cada poesia tenha advogado pela causa dele de forma direta e objetiva, tanto quanto o seu próprio comportamento. Helena simplesmente arrebatou grandemente o amor de Narciso.
O silêncio que se instala após o ápice do desejo não é uma ausência de som, mas o peso da realidade que retorna. Quando os corpos se afastam do ato sublime e a respiração recupera o seu ritmo normal, as armaduras que haviam sido deixadas no chão da intimidade começam a ser recolhidas. Há um instante perigoso em que a entrega total esbarra na linha invisível do medo. O "não pode" da musa é o sussurro da razão tentando proteger o coração da vulnerabilidade. O Poeta, que acabara de tocar o céu, descobre que os pés ainda estão no chão da terra — e que decifrar Helena exigirá muito mais do que a consumação da carne; exigirá a paciência de quem navega por mares cujas correntes mudam sem aviso.
A palavra ecoou nas quatro paredes como um estalo de realidade que o Poeta não esperava. O suor ainda evaporava da pele, o aroma do amor flutuava no ar e o coração de Narciso ainda pulsava no ritmo acelerado da entrega. Mas o "Mas não pode!" de Helena, proferido com uma crueza cortante e sem titubear, caiu sobre a cama como uma cortina de ferro.
Narciso, que ainda mantinha o braço estendido sobre o corpo dela, sentiu os músculos tensionarem. Seus olhos, que há poucos instantes brilhavam como estrelas no breu, fixaram-se no rosto de Helena, tentando ler as entrelinhas daquela negação.
- Como assim, "não pode", minha linda? - perguntou o Poeta, com a voz mansa, mas firme, recolhendo sutilmente o seu carinho. - O amor e o desejo não pedem licença, eles simplesmente acontecem. E o que vivemos aqui hoje foi a prova disso.
Helena desviou o olhar por um segundo, fitando o teto antes de se virar para ele. O semblante meigo e despudorado de minutos atrás dava lugar, milimetricamente, àquela postura defensiva que Narciso já conhecia das tardes na lanchonete.
- Não pode, Narciso... - repetiu ela, agora com um suspiro que parecia carregar o peso do mundo. - Você é um homem diferenciado, me levou às nuvens, me fez sentir mulher, além de preencher todos os meus espaços. Estou felicíssima, eu não nego. Mas não me deixe entrar no seu mundo mais do que já entrei. Existem coisas que você não sabe...
Pairou uma interrogação do tamanho daquele amor que, de certa forma, só atribulou o juízo de Narciso.
Ainda no hotel, Helena Dolly desfilava sua silhueta desnuda bem à vontade pelos olhos brilhantes de Narciso, o Poeta. Ele a observava, hipnotizado, incapaz de acreditar na realidade daquela cena que parecia ter saído de uma pintura renascentista. Para Narciso, cada movimento dela era uma obra de arte viva, uma dança de luz e sombra sob o brilho tênue do quarto de hotel. Helena mantinha-se impecável, cuidando da aparência e da pele com o esmero de uma miss; era vaidosa, dona de uma elegância que transcendia o ambiente e sempre emanando um perfume inconfundível, uma fragrância floral que se misturava ao ar, tornando-o quase inebriante. Narciso, mantendo sua virilidade insaciável, não perdia a oportunidade de acariciar cada contorno daquela pele macia, como se estivesse mapeando o território de um reino recém-conquistado e ao mesmo tempo incerto.
Após um breve descanso, depois do banho, as carícias voltaram a evoluir, numa crescente quase imperceptível que logo se tornou uma tempestade. O ritual repetiu-se com uma intensidade quase adolescente; eram dois corpos que, mesmo após a primeira vez, pareciam famintos por se encontrarem, como se o tempo fosse um inimigo implacável. O Poeta sabia que a riqueza embutida estava na pérola clitoriana, ponto que fez a intimidade de Helena chorar de prazer. Com estímulos constantes, a lubrificação era um sinal claro de aceitação e prontidão; os dois se devoraram naquela noite especial, em uma dança de entregas que parecia não ter fim. Ficou evidente, naquela cumplicidade de desejos, que aquela não seria uma experiência isolada.
A maturidade de Helena, que surpreendia Narciso a cada gesto, mostrava uma faceta da musa que ele ainda não conhecia, tornando tudo ainda mais fascinante e magnético. E ela estava perplexa com a desenvoltura do Poeta; ele a fez se emocionar de prazer como nunca tinha acontecido, homem nenhum tinha despertado a mulher que existia em sua essência.
Veridicamente, foi uma noite inesquecível, um marco temporal na cronologia do Poeta. Narciso sentia que seria uma injustiça trancar aquela memória em uma gaveta; ele precisava, com todo o respeito que o sentimento exigia, transformar aquele ato em arte. Ele via Helena Dolly como uma musa que infelizmente não era sua, apenas sua parceira, e o objetivo de todas as suas orações poéticas sempre foi a felicidade.
Nas brechas de carinho, enquanto o silêncio preenchia os espaços entre um beijo e outro, ele não se continha: "Você não é meu caso por acaso, você é meu amor", repetia ele, quase como um mantra sagrado. Embora estivessem juntos há apenas seis meses, a profundidade do que viviam trazia a sensação de anos de convivência, de uma sintonia que desafiava a lógica dos relógios.
Nesse incandescente momento, ele a homenageou com o poema "Sublime". Cada palavra daquela obra carregava o peso do que ele sentia: o desejo, a gratidão e a entrega total.
SUBLIME
___________________
Tanto tempo sonhei,
Tanto tempo esperei.
Não foi uma eternidade,
Mas o tempo necessário,
A tempo de acender e acontecer
A incandescente luz
Do sublime momento.
Contigo, me senti um menino.
Senti na pele, no íntimo,
O prazer que tanto almejei.
Foi marcante,
E jamais esquecerei.
A exuberância da sua nudez,
Que por excelência
Tem experiência
E muita ciência.
Nessa consciência,
Você
Mostrou-me a sensatez do prazer,
Deixando minh'alma saciada,
Aliviada, sarada
E, sem exagero, curada.
Confirmando o quanto
Você é minha querida...
Não sei se te adoro,
Se é paixão,
Ou se te amo.
Pena, são curtos os momentos.
Pois uma eternidade
Contigo queria ficar,
Ou então me acabar.
De certo modo,
Sinto o quanto você me completa,
Responde e corresponde,
E muito faz falta.
O seu sorriso,
Seu calor, seu colo.
Muito é um dia
Para a saudade
Me fazer lembrar de sua existência.
O propósito não sei,
Aconteceu e valeu.
A cama sua, cama Sutra;
Acabei descobrindo a cor e o sabor
Do verdadeiro amor.
Você é um detalhe que desejei,
É o norte do meu caminhar.
E não é meu caso por acaso,
É meu amor.
Tenho por você
Um imensurável carinho,
É vero, verdadeiro.
Sua trajetória não importa,
Pois a porta do meu coração
Está sempre aberta.
O amor não enxerga o passado.
Não apressei a prece e nem adiei,
Só apreciei e aceitei.
A você que me aquece,
Meu eu agradece.
Você é a mulher da minha vida,
Como já disse:
A musa da minha inspiração…
Ass. Narciso "O Poeta"
Apesar do sublime, o capítulo da vida trazia uma nota de melancolia, um dissonante acorde de tristeza que começou a soar no piano daquela relação. Narciso sentia que, embora o prazer fosse perfeito e a conexão física fosse total, o relacionamento batia em uma barreira invisível, uma muralha transparente que ele não conseguia transpor. Enquanto ele desejava compartilhar a vida, os planos, as manhãs e os entardeceres, Helena parecia manter-se em um espaço reservado, um território onde apenas ela tinha as chaves.
— Sabe, Helena Dolly — disse ele após o silêncio que sucedeu a paixão, enquanto observava a luz da lua filtrar-se pelas frestas da cortina —, eu tinha a certeza de que precisava escrever para você, porque sempre soube que você lia com o coração. Mas hoje, depois do seu beijo e da forma como você se entregou e ao mesmo tempo se retraiu, percebi que algo mudou. O seu corpo é fantástico, mas o que vivemos aqui foi ímpar, quase mítico.
Ele chegou a uma conclusão dolorosa, mas necessária para a sua sobrevivência emocional: eles não sairiam da "página dois". Narciso percebeu que não havia culpados naquela trama, apenas caminhos que, apesar da intensidade avassaladora, seguiram direções divergentes. Ele olhou para ela, buscando vestígios de uma permanência que ele sabia que não viria. Com o coração doído, mas a cabeça erguida em um gesto de autoafirmação, ele sentiu que aquele seria um dos seus últimos registros formais de uma paixão que ele tentou tornar eterna (e que, de certa forma, se eternizou).
"Eu ainda estou aqui", pensou ele, enquanto observava Helena vestir-se com a mesma naturalidade com que foi despida, "você é quem não está mais, mesmo estando ao meu lado".
O que importou foram os momentos sublimes; as poesias que ele arrancou do caos; o fogo que ele acendeu onde antes havia apenas cinzas. O resto, ele deixaria que o tempo — seu grande professor — cuidasse. Tudo o que ele queria era estar eternamente com ela, ouvindo de perto as suas risadas. Sabendo que, depois que tudo terminasse, ela nunca mais saberia de seus sentimentos através de novos versos — pois Narciso, o Poeta, não escreveria mais para ela —, ele selou aquela despedida com uma última certeza para Lady Helena Dolly.
Com essa célebre frase, o Poeta falou:
"Te desejei antes de amá-la, e fazer amor foi só a confirmação do que a essência tentava me dizer."
Responda nos comentários:
______________________________
O Poeta descreve a sensação de que, mesmo estando ao lado de Helena, ela já não estava mais lá. Vocês acreditam que é possível viver um amor intenso e inesquecível, mesmo sabendo, desde o início, que ele tem um prazo de validade? O que torna algo 'eterno' para você: o tempo ou a intensidade do que foi vivido?
Obrigado por dedicar seu tempo às minhas palavras. Este espaço é mantido pela paixão daqueles que ainda acreditam no poder da escrita autêntica. Considere tornar-se um assinante — gratuito ou pago — para não perder nenhum capítulo dessa jornada. Vamos manter viva a chama da literatura. Todas as quartas-feiras e aos sábados, haverá mais Mistérios a serem revelados!
Este capítulo é uma publicação oficial do Selo 444. Descubra os mistérios do acaso todas as quartas-feiras e aos sábados.
__________________________________
@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
Athelier das Letras - Selo 444
opoetalk520.substack.com
pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com
Pietrodeluccapoetanarcisosilva é uma publicação apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.
Thoughts
-
PermalinkO Narciso resolver que não escreve mais nada pra Helena pesou mais pra mim do que a noite no hotel. Sobre a sua pergunta, eu voto na intensidade: um poema que a gente sabe que é o último fica guardado de outro jeito. Vai postar a continuação da despedida dos dois?
-
PermalinkPra mim o capítulo inteiro gira em torno da negativa da Helena, dita ainda com o suor na pele. Depois dela, até a segunda noite depois do banho fica com gosto de despedida, e o poema Sublime soa como carta pra alguém que já está saindo pela porta. Eu aposto que o segredo dela vai ser menor do que o Narciso imagina, e que o estrago vem justamente daí.
Related posts
-
O cavaleiro de Deus.
A névoa espessa das florestas inglesas envolvia as árvores seculares em um manto de mistério e apreensão.
-
O BRUXO CORAÇÃO E A MAGIA DA SEDA Bege - Capítulo 7
Os Mistérios do Acaso
-
🌈 CAPÍTULO I – A DESCOBERTA E O ESTRANHAMENTO
2. O PRIMEIRO OLHAR NO ESPELHO QUE NÃO FOI VALIDADO
-
Por trás do Glamour
Página 7
-
Passos de Fé Capitulo 7 parte3
Capítulo 7 Deserto parte 3
-
Capítulo 7 -Entre Olhares e Coincidências
Capítulo 7 — Uma aposta perigosa
-
Manuscrito das três faces
Vagantes condenados: Sama
-
Capítulo VI — O Templo da Compaixão
A fama da Peregrina da Chama Azul espalhou-se pelas estradas da Índia.