Capítulo 7 — Uma aposta perigosa
Na hora do almoço, Sofia praticamente arrastou Laura até a cafeteria.
— Então?
— Então o quê?
— Conta tudo!
Laura repetiu a conversa inteira.
Sofia ficou em silêncio.
Depois começou a rir.
— Você tá rindo por quê?
— Porque isso não faz sentido.
— Também achei.
— Um diretor daquele nível não chama uma funcionária só pra elogiar um relatório.
Laura mexeu no café.
— Talvez ele seja educado.
— Ou talvez...
Sofia sorriu maliciosamente.
— Talvez ele tenha reparado em você.
Laura quase engasgou.
— Para de inventar.
— Quer apostar?
— Apostar o quê?
— Se ele falar com você de novo até sexta-feira...
Laura cruzou os braços.
— E se falar?
— Eu pago seu almoço durante um mês.
— E se não falar?
Sofia apontou o dedo.
— Você vai comigo naquele jantar beneficente da empresa sábado.
Laura fez careta.
— Eu odeio eventos.
— Então aceita?
Ela estendeu a mão.
Laura apertou.
— Fechado.
As duas não imaginavam que...
Na manhã seguinte...
Daniel pisaria exatamente no setor de Laura.
Capítulo 8 — O Primeiro Conflito
Assim que Daniel entrou no setor, todos ficaram de pé.
Ele caminhava devagar, observando cada detalhe.
Parou ao lado da mesa de Laura.
Pegou uma pasta.
Analisou alguns papéis.
Depois olhou diretamente para ela.
— Estes contratos deveriam ter sido enviados ontem.
Laura respondeu sem baixar a cabeça.
— Não enviei porque estavam com informações erradas.
O setor inteiro ficou em silêncio.
Ninguém costumava responder Daniel daquela forma.
Ele cruzou os braços.
— E quem autorizou essa decisão?
— Minha consciência.
Sofia quase teve um infarto.
Daniel permaneceu olhando para Laura.
Qualquer outro funcionário teria sido advertido.
Mas ele apenas respondeu:
— Corrija hoje.
— Já estão corrigidos.
Ela colocou a pasta sobre a mesa dele.
Daniel abriu.
Folheou.
Estava tudo perfeito.
Ele fechou a pasta.
— Bom trabalho.
E saiu.
Assim que a porta fechou...
Todos olharam para Laura.
Sofia foi a primeira a falar.
— Você acabou de enfrentar o homem mais assustador dessa empresa...
Laura respirou fundo.
— Acho que sim.
No corredor...
Daniel caminhava em silêncio.
Seu assistente perguntou:
— Ela não deveria receber uma advertência?
Daniel continuou andando.
— Não.
— Por quê?
Ele respondeu sem sequer olhar para trás.
— Pessoas que têm coragem de discordar também costumam ter coragem de fazer o que é certo.
Pela primeira vez em muitos anos...
Alguém havia chamado sua atenção.
E não era pelos motivos que ele imaginava.
...