# Capítulo 4 — O cachorro fujão
Naquela tarde, Laura saiu do trabalho alguns minutos mais cedo.
O céu estava coberto por nuvens cinzentas, e um vento fresco fazia as folhas das árvores dançarem pela calçada.
Ela decidiu voltar para casa caminhando.
Enquanto atravessava uma pequena praça, ouviu alguém gritar:
— Thor! Volta aqui!
Um cachorro da raça golden retriever passou correndo entre as pessoas, abanando o rabo como se estivesse brincando de pega-pega.
— Ei! Cuidado! — alguém gritou.
O cachorro correu na direção da rua.
Sem pensar, Laura largou a bolsa no chão e conseguiu segurá-lo pela coleira antes que ele chegasse ao asfalto.
— Calma, grandão... — disse, fazendo carinho atrás de sua orelha.
Thor respondeu lambendo seu rosto.
— Ah, não... meu cabelo! — Laura começou a rir.
Poucos segundos depois, um homem se aproximou apressado.
— Finalmente encontrei você.
Era o mesmo homem do elevador.
Ele respirou aliviado ao ver o cachorro em segurança.
— Obrigado. Ele adora fugir quando vê um pombo.
Laura olhou para Thor.
— Então o culpado é você?
O cachorro abanou o rabo como se estivesse confirmando.
Os dois riram ao mesmo tempo.
Foi a primeira vez que Laura viu aquele homem sorrir.
E, por algum motivo, ele parecia completamente diferente.
— Acho que ele gostou de você — comentou o homem.
— Ou só queria me deixar cheia de pelos.
Thor latiu baixinho.
— Acho que isso foi um "sim".
Os três permaneceram alguns segundos em silêncio.
Então o homem estendeu a mão.
— Sou Daniel.
Laura apertou sua mão.
— Laura.
— Obrigado por salvar meu parceiro.
Ela sorriu.
— Foi ele quem me encontrou primeiro.
Daniel olhou para Thor.
— Você escolhe amizade muito rápido.
Laura pegou sua bolsa no banco da praça.
— Acho que preciso ir.
— Eu também.
Os dois seguiram em direções opostas.
Depois de alguns passos, Daniel olhou para trás.
Laura também.
Quando perceberam que haviam feito exatamente a mesma coisa, desviaram o olhar imediatamente, como se nada tivesse acontecido.
Nenhum deles sabia explicar aquele estranho sentimento.
Mas ambos voltaram para casa pensando na mesma pessoa.
E aquela coincidência estava apenas começando.