# Capítulo 6 — Primeiras Impressões
A empresa nunca pareceu tão silenciosa.
Depois da reunião, todos voltaram aos seus setores comentando sobre o novo diretor.
Laura tentou se concentrar no computador.
Tentou.
Mas sua cabeça insistia em lembrar do homem que brincava com Thor na praça.
— Você tá olhando pra mesma planilha faz cinco minutos. — Sofia aproximou a cadeira.
— Tô pensando.
— No diretor?
Laura desviou os olhos.
— Não.
— Laura...
— Tá bom! Talvez um pouquinho.
Sofia sorriu vitoriosa.
— Eu sabia.
Antes que Laura respondesse, o telefone da mesa tocou.
— Setor administrativo, Laura falando.
Do outro lado da linha, uma voz firme respondeu:
— O diretor Daniel Monteiro solicitou sua presença na sala dele.
Laura arregalou os olhos.
— A... a minha?
— Sim.
A ligação terminou.
Ela olhou para Sofia.
— Acho que fui demitida.
— Você nem começou a semana direito.
— Justamente.
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A sala da diretoria ocupava o último andar.
Laura respirou fundo antes de bater.
— Entre.
Ela abriu a porta.
Daniel estava de pé, observando a cidade pela enorme janela.
Sem olhar para trás, perguntou:
— Laura Martins?
— Sim.
Ele finalmente se virou.
— Sente-se.
Ela obedeceu.
O silêncio era tão grande que dava para ouvir o relógio na parede.
Daniel colocou uma pasta sobre a mesa.
— Você organizou estes relatórios?
— Organizei.
— Estão excelentes.
Laura piscou.
Ela esperava uma bronca.
Não um elogio.
— Obrigada...
— Mas há um problema.
Pronto.
Agora vinha.
— Você perde muito tempo ajudando colegas de outros setores.
Laura franziu a testa.
— Eles precisavam de ajuda.
— E seu trabalho também precisa
Ela respirou fundo.
— Eu só fiz o que achei certo.
Daniel permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Depois fechou a pasta.
— Está dispensada.
— Só isso?
— Só isso.
Laura levantou.
Quando já estava quase saindo...
— Laura.
Ela virou.
— Continue ajudando as pessoas.
Ela sorriu discretamente.
— Achei que o senhor não gostasse disso.
Pela primeira vez, Daniel sorriu de leve.
— Eu disse que você perde tempo.
Não que estava errada.
Laura saiu da sala sem entender absolutamente nada.
E Daniel continuou olhando para a porta fechada.
Sem perceber...
Ele também sorriu outra vez.
Pela segunda vez naquela semana.
Algo extremamente raro.
Capítulo 7 — Uma aposta perigosa
Na hora do almoço, Sofia praticamente arrastou Laura até a cafeteria.
— Então?
— Então o quê?
— Conta tudo!
Laura repetiu a conversa inteira.
Sofia ficou em silêncio.
Depois começou a rir.
— Você tá rindo por quê?
— Porque isso não faz sentido.
— Também achei.
— Um diretor daquele nível não chama uma funcionária só pra elogiar um relatório.
Laura mexeu no café.
— Talvez ele seja educado.
— Ou talvez...
Sofia sorriu maliciosamente.
— Talvez ele tenha reparado em você.
Laura quase engasgou.
— Para de inventar.
— Quer apostar?
— Apostar o quê?
— Se ele falar com você de novo até sexta-feira...
Laura cruzou os braços.
— E se falar?
— Eu pago seu almoço durante um mês.
— E se não falar?
Sofia apontou o dedo.
— Você vai comigo naquele jantar beneficente da empresa sábado.
Laura fez careta.
— Eu odeio eventos.
— Então aceita?
Ela estendeu a mão.
Laura apertou.
— Fechado.
As duas não imaginavam que...
Na manhã seguinte...
Daniel pisaria exatamente no setor de Laura.