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Minha sétima confusão

hyan_amorim

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Quarta-feira, 10/01/2024

Já é noite, e estou jantando com a minha mãe. O clima está tenso. Ariana acabou de chegar e disse que o Devorador de Íris fez mais uma vítima: uma adolescente de 17 anos. Foi perto do do hospital onde Ariana trabalha.

- Estou arrepiada. - diz Ariana, assustada, enquanto se senta à mesa. - A rua toda foi isolada.

- Vou ligar para Ana. - diz minha mãe, preocupada, enquanto mexe no celular. - Ela saiu e ainda não voltou.

- A Ana é faixa-preta em taekwondo. - diz Ariana, enquanto se serve. - Ela provavelmente colocaria o Devorador de Íris para correr.

- Ela não está atendendo. - diz minha mãe, cada vez mais preocupada.

- Ela está bem, mamãe. Não se esqueça de que, quando está praticando taekwondo, ela guarda o celular no armário. - digo.

- Boa noite. - diz Ana, chegando.

- Até que enfim, filha! Eu estava preocupada. - diz minha mãe, aliviada.

- Já estou aqui, mãezinha. - responde Ana, enquanto se senta.

- Não vai tomar banho primeiro? - pergunta minha mãe.

- Depois. Agora estou com muita fome. - diz Ana, enquanto se serve.

Sinto o clima ficar frio.

Não pode ser.

- Boa noite, Victor. - diz minha mãe, surpresa. - Não esperava sua visita.

Viro para trás e vejo Victor vindo em minha direção.

O quê?

Ele está com flores nas mãos.

- O que você faz aqui? - pergunto, confuso.

- Essas flores são para mim? - diz Ana, em tom de deboche.

- E por que eu daria flores para você? - rebate Victor. - Eu vi essas flores cafonas e pensei em você. - diz ele friamente, olhando para mim enquanto me entrega as flores.

- Por que veio aqui? - pergunto friamente, pegando o buquê.

- Acabei de saber que o Devorador de Íris fez mais uma vítima. - diz Victor, olhando para mim. - Então vim te buscar.

- Geralmente ele só faz duas vítimas por ano. - diz Ariana, enquanto come. - E já foram mortas duas pessoas.

- Não se preocupe, Victor. Ele não mata gaysinhos afeminados. - diz Ana em tom de deboche antes de levar o garfo à boca.

- Sorte a minha, então. - rebato. - Mas azar o seu, porque você se encaixa perfeitamente no padrão que o assassino gosta.

- Parem com isso. - diz minha mãe.

- Estou indo para casa. - digo, levantando-me.

- Voltem em segurança. - diz Ariana.

- Obrigado, irmã. - digo, com um sorriso.

Me despeço de todos e logo vou para casa com Victor. Amanhã peço para alguém trazer meu carro, já que Victor veio me buscar.

No caminho para casa, fico pensando no assassino. Como alguém consegue matar pessoas durante dez anos e, até hoje, não ter sido capturado?

Lembro como se fosse ontem da primeira vítima. Eu tinha 17 anos e ainda morava na Inglaterra. Tinha acabado de chegar com Ariana para passar as férias.

Daniella, uma universitária de 25 anos, foi morta logo depois de sair da faculdade. Seu corpo foi encontrado em um beco, e seus olhos haviam sido arrancados.

Foi um choque para a cidade. Todos ficaram desesperados.

Seu namorado, Renan, não suportou perder a amada e acabou se suicidando um mês após o ocorrido.

Desde então, as mortes não pararam.

Sempre que eu vinha passar as férias aqui, o assassino fazia uma nova vítima. Parecia até que ele fazia isso de propósito.

No ano em que me casei com Victor, foram dois assassinatos. E tem sido assim desde então.

O ano mal começou e já aconteceram duas mortes.

Agora, provavelmente, o assassino vai hibernar por um ano.

Chego em casa, e Victor começa a me encarar com aquele seu olhar frio. Meu coração acelera.

Que droga... mesmo depois de tudo, não consigo desviar os olhos desse olhar de Sasuke Uchiha.

- O que significa isso? - digo, jogando as flores na cara dele. - É mais um dos seus joguinhos para me machucar?

- É exatamente isso que você queria, não é? - diz Victor, lançando-me um olhar mortal. - Ou pensa que eu não sei sobre a poção do amor?

- Como você sabe sobre a poção? - pergunto, chocado.

- Do-hyun, o príncipe herdeiro, me contou tudo. - diz Victor, cruzando os braços. - E você ainda me fez beber aquela outra poção. Agora eu estou sentindo as emoções dele.

- Príncipe herdeiro... você está aí? - digo, chocado, enquanto aperto as bochechas de Victor.

- Claro que está! - diz Victor, irritado, afastando-se. - Agora dê um jeito de me fazer voltar ao normal. Eu não quero sentir essas coisas.

- Para você começar a me tratar como antes? Não, obrigada. - digo, cruzando os braços. - Prefiro você assim, com emoções e sentimentos.

De repente, Victor se aproxima e começa a me encarar.

- O que você vai fazer? - pergunto, dando alguns passos para trás.

- Passei o dia pensando em você. - diz Victor, aproximando o rosto do meu. Meu coração começa a acelerar. - Preciso confirmar uma coisa.

Antes que eu consiga reagir, Victor me puxa para um beijo.

- Victor? - digo assustado, tentando me afastar. - Eu...

- Fica quieto. - diz ele, me calando com outro beijo.

Vamos andando para trás até minhas costas baterem na parede.

De repente, ele para e fica me encarando.

- Por que você parou? - pergunto, frustrado.

- Foi o que eu pensei. - diz Victor friamente, afastando-se. - Eu não senti nada com esse beijo.

- Eu posso até estar com emoções... mas não sinto nada por você.

Não digo nada. Apenas desvio o olhar, tentando segurar as lágrimas.

- Por favor, não fique triste. - diz Victor, erguendo meu queixo e me obrigando a encará-lo.

Ele me olha de um jeito diferente... quase gentil.

Por um instante, parece até o príncipe herdeiro.

É como se, por um momento, o príncipe tivesse assumido o controle do corpo dele.

- Nem mesmo com emoções... ainda assim você não sente nada por mim? - digo, com a voz trêmula.

- Eu sou assim mesmo, Ariel. Eu não tenho sentimentos. - diz Victor friamente. - Essas coisas que estou sentindo não são minhas, são do Do-hyun.

- Mas você é a reencarnação dele. - digo.

- Eu até posso ser, mas não sou ele. - responde Victor, firmemente. - Eu nasci desse jeito: frio e sem empatia.

Victor me lança um último olhar antes de subir as escadas.

Fico parado, observando enquanto ele desaparece no andar de cima.

Sexta-feira, 19/01/2024

Os dias se passaram, e a personalidade do príncipe herdeiro ainda não voltou. Victor mudou. Ele ainda é frio e sério, mas agora está educado e demonstra certa empatia.

Nos primeiros dias, ele ficou completamente louco com essas emoções repentinas. Ficava me infernizando para encontrar um jeito de bloqueá-las. Mas depois acabou se conformando.

Confesso que estou gostando muito desse novo jeito dele: frio, mas com emoções. Ele parece até o Sasuke no final de Shippuden, quando se arrependeu. Não julgo a Sakura... eu também perdoaria Victor se ele se declarasse para mim.

Victor me contou que o príncipe Do-hyun ainda está na cabeça dele. É como se fossem vozes na mente dele.

Do-hyun, meu amorzinho... confesso que estou sentindo sua falta. Você era brincalhão e sempre estava sorrindo.

Victor agora se importa comigo e demonstra preocupação, mas não me ama. Nosso relacionamento está mais para um irmão mais velho cuidando do mais novo.

Que frustrante.

Eu quero mais. Quero o meu marido.

Nós somos casados, droga.

É de tarde, e Victor não foi para a empresa. Ele está no escritório com Carlos. Carlos está estranho... parece tão mofino. Será que aconteceu alguma coisa?

Estou no meu quarto, com o livro de feitiços sobre as pernas.

Abro o livro.

- Eu só queria encontrar um jeito de fazer Victor me amar! - digo, frustrado, enquanto encaro as páginas.

De repente, o livro começa a folhear sozinho e para em uma página que me deixa completamente confuso.

- Poção do amor? - digo, intrigado. - Mas eu já usei isso... por que está aqui de novo?

Será que as páginas se regeneram com o tempo?

- Me mostre a poção da unificação da alma. - digo.

Logo o livro começa a folhear novamente até parar na página da poção.

- É exatamente isso... as páginas se regeneram.

Volto a folhear até a página da poção do amor.

- Eu vou fazer você me amar... versão Sasuke Uchiha arrependido. - digo, olhando para a página. - Por bem ou por mal.

Encaro a folha com um sorriso vitorioso.

Compro os ingredientes da poção do amor. Depois de ferver tudo, rasgo a folha do livro e a coloco sobre uma xícara, usando-a para coar o chá. Em seguida, despejo o líquido em um pequeno frasco.

Desço as escadas e vou até a cozinha.

- Já levou algo para o Victor beber? - pergunto, com o frasco escondido nas mãos atrás das costas.

- Estou fazendo suco de cupuaçu. É o preferido do senhor Victor. - diz a empregada enquanto prepara o suco.

Depois de pronto, ela coloca o suco em dois copos e os põe sobre uma bandeja. No momento em que se distrai olhando para a geladeira, derramo a poção em um dos copos.

- Deixa que eu levo. - digo, pegando a bandeja.

- Mas, senhor...

- Já volto. - digo, já caminhando em direção ao escritório. - Victor, posso entrar? - bato levemente na porta.

Carlos abre a porta. Ele ainda parece abatido. Seus olhos estão levemente inchados, como se tivesse chorado.

- Eu trouxe um suquinho! - digo, erguendo a bandeja.

Entro e vejo Victor concentrado no notebook.

- Para você. - digo, colocando o copo com a poção perto da mão dele. - E este é para você. - digo, entregando o outro para Carlos.

- Obrigado, senhor. - diz Carlos, com um leve sorriso.

- Obrigado, Ariel. - diz Victor, lançando-me um rápido olhar antes de voltar a atenção para a tela do notebook.

Saio da sala com o coração acelerado.

Eu não queria chegar a isso...

Mas você me obrigou, Victor.

Fico ansioso e não paro de andar pela casa. A noite finalmente chega, e logo Victor e Carlos saem do escritório.

- Você parece bem melhor. - diz Victor enquanto sai do escritório.

- Tomar algo doce me confortou. - responde Carlos, com um sorriso.

- Você pode me trazer outro copo de suco, por favor? - pede Victor à empregada. - Esse guloso bebeu o meu suco.

- O quê?! - grito, desesperado.

Todos me olham, confusos.

- Algum problema, Ariel? - pergunta Victor, me olhando intrigado.

- N-não... nada. - digo, sem jeito.

Carlos me lança um olhar... mas agora é diferente. É um olhar cheio de ternura.

Meu coração dispara.

Então foi o secretário que bebeu a poção do amor.

O secretário agora está apaixonado pelo marido do chefe.

O que foi que eu fiz?

#romanceviral

Thoughts

  • lelezinha

    Eita, o Victor beija só pra conferir se sente alguma coisa e ainda pede pra ele não ficar triste. Frio até no consolo, moça

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  • hortacaseira

    Barbaridade, o Ariel coou a poção na folha arrancada do livro, escondeu o frasco nas costas, e quem bebeu foi o Carlos. Secretário apaixonado pelo marido do chefe vai dar mais trabalho que o Victor frio.

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