Eu queria férias de mim.
Do passado.
Das lembranças que chegam sem pedir licença.
Das perguntas que nunca tiveram resposta.
Da sensação de estar sempre esperando
que alguém vá embora outra vez.
Queria deitar
sem precisar vigiar a porta.
Queria descansar
sem sentir culpa por descansar.
Queria que alguém dissesse:
“Você não precisa carregar isso hoje.
Pode colocar tudo no chão.
Eu fico aqui.”
Porque talvez seja isso
o que eu tenho pedido em silêncio
há anos.
Não um fim.
Só um intervalo.
Um lugar onde eu possa respirar
sem precisar provar
que ainda consigo.