Minha vida virou um vendaval,
e eu já não sei onde colocar as mãos.
Tudo parece fora do lugar,
nada se encaixa,
nada responde às minhas orações.
Eu tento.
Deus sabe o quanto eu tento.
Faço o que posso,
respiro fundo,
continuo caminhando
mesmo quando tudo dentro de mim
implora para parar.
Mas hoje foi difícil.
Hoje eu só queria sumir,
um pouco de paz,
um silêncio que não doesse,
um abraço que dissesse:
“Você não precisa enfrentar tudo sozinha.”
Mas não tive.
E é difícil ser sozinha
nesse mundo que parece correr
sem perceber quem ficou para trás.
Eu gosto da minha própria companhia.
Gosto do silêncio,
dos meus espaços,
da liberdade de estar comigo.
Mas existe uma diferença
entre escolher a solitude
e sentir a ausência de alguém.
E eu sinto.
Sinto falta de uma pessoa
que passou pela minha vida
como quem acende uma luz
num quarto escuro
e depois vai embora
sem explicar como viver
no escuro outra vez.
Sinto falta do que fomos,
do que eu imaginei que seríamos,
do abraço que não voltou,
da presença que se tornou saudade.
Eu já orei.
Já tentei fazer tudo certo.
Já procurei respostas
onde só encontrei silêncio.
E continuo aqui,
com o coração cansado,
tentando entender
por que tudo parece dar errado
quando tudo o que eu queria
era um pouco de colo.
Talvez amanhã eu encontre forças.
Talvez as coisas voltem a se encaixar.
Mas hoje,
eu só queria que alguém me abraçasse
e me lembrasse
que, mesmo quando a vida vira um vendaval,
eu ainda mereço um lugar
onde possa descansar.