E por quê?
Eu ainda não entendo
por que você mexeu tanto comigo
se no fim era tão fácil ir embora.
Eu queria esquecer.
Queria arrancar seu nome
dos lugares onde ele ficou,
apagar sua voz da minha memória,
desaprender o caminho
que meu coração ainda faz até você.
Todo mundo diz que você está com outra.
Eu tentei não acreditar.
Até ver uma foto.
Você falando,
se declarando,
entregando para outra pessoa
palavras que um dia
me fizeram acreditar que eram minhas.
E aquilo me matou.
Não de uma vez.
Foi pior.
Foi como morrer aos poucos
enquanto eu ainda precisava
continuar vivendo.
Eu pensei:
então tudo aquilo foi o quê?
Tudo que você me falou.
Tudo que a gente viveu.
As conversas.
Os planos.
O que eu senti.
O que você me fez acreditar.
Era mentira?
Ou foi verdadeiro
e simplesmente deixou de ser?
Porque eu não sei qual das duas respostas dói mais.
Você me fez acreditar em uma história
e depois desapareceu
sem sequer me entregar o final.
Me deixou sozinha
com perguntas que eram suas para responder.
E agora eu fico aqui,
tentando entender
como alguém consegue seguir vivendo
enquanto deixa outra pessoa
presa no lugar onde foi abandonada.
Você está vivendo sua vida.
E eu odeio isso.
Odeio porque ainda existe amor aqui.
E eu queria que existisse apenas raiva.
Seria mais fácil.
Eu queria conseguir olhar para você
e sentir absolutamente nada.
Queria que seu sorriso não doesse.
Que sua voz não doesse.
Que seu nome não doesse.
Que saber que você está feliz
não parecesse uma sentença contra mim.
Mas dói.
Dói porque eu acreditei.
Dói porque eu quis.
Dói porque eu imaginei futuros
que agora só existem dentro da minha cabeça.
E talvez seja isso que mais me destrói:
não foi só você que eu perdi.
Eu perdi também
a pessoa que eu era
quando acreditava em nós.
E agora eu preciso aprender
a viver com a pergunta
que você deixou sem resposta:
se tudo que você me disse
não significava nada,
por que fez parecer
que significava tudo?
Eu queria esquecer você.
Mas, por enquanto,
meu coração ainda não aprendeu
a odiar aquilo que um dia amou.
E essa talvez seja
a parte mais cruel de todas.