Sexta-feira, 19/01/2024
O clima está completamente tenso. A empregada foi buscar outro copo de suco. Victor me olha de um jeito confuso, mas depois dá um leve sorriso.
- O que foi? - diz ele, arqueando uma sobrancelha. - Está com medo de que o Carlos tenha bebido a poção do amor?
Não digo nada, apenas desvio o olhar.
- Não adianta negar. Eu sei que você colocou a poção do amor no meu suco. - diz Victor, enquanto se aproxima de mim.
- Como você sabe disso? - pergunto, confuso, enquanto o encaro.
- Parece que o seu príncipe consegue sentir magia. Ele percebeu que havia uma poção no suco. - explica Victor.
- Do-hyun, por que você fez isso? - digo, frustrado e confuso.
- Parece que ele não é tão bonzinho assim como você pensa. Ele não quer que eu te ame. - diz Victor, tocando meu rosto. - Por um momento, cogitei beber... mas ele ficou berrando no meu ouvido.
- Então o que você fez com a poção? - pergunto, afastando sua mão. - Não me diga que fez seu secretário beber de propósito! - digo, horrorizado.
- Eu não bebi a poção, senhor. - diz Carlos, aproximando-se. - Desculpe pelo jeito que eu olhei. Foi o senhor Victor que me mandou fazer aquilo.
- Eu joguei no vaso de plantas do escritório. Agora a planta está apaixonada por você. - diz Victor, soltando um leve sorriso.
Ele está rindo da minha cara? É isso mesmo?
Do-hyun, por que você fez isso? Não era hora de ter ciúmes. Você foi muito egoísta... pensando só em você.
Sábado, 20/01/2024
É de manhã. Hoje Victor não trabalha, e eu saí de casa antes que ele acordasse. Ainda estou envergonhado pelo que aconteceu ontem.
Então vim tomar café da manhã em uma lanchonete que eu gosto muito. Todo sábado eles servem lasanha de frango, e eu sempre venho aqui com Ariana quando ela não está de plantão, é claro.
Ela acabou de chegar e agora estamos comendo. Contei a ela tudo o que aconteceu.
- E o que você vai fazer? - pergunta Ariana, antes de levar o garfo à boca.
- Não sei. - digo, frustrado. - O Do-hyun consegue sentir magia. Ele nunca vai deixar o Victor beber a poção.
- Você devia levar o Victor a um psiquiatra. - diz Ariana, preocupada. - Ouvir vozes na cabeça definitivamente não é normal.
- Ele não é doido. - respondo, incrédulo.
- O certo seria eu levar vocês dois ao psiquiatra. - diz Ariana, levantando-se. - Eu tenho que ir. Tenho um encontro às cegas.
- A mamãe realmente não desiste. - digo, enquanto a abraço. - Quem é dessa vez? Um advogado?
- Um cirurgião plástico. - responde Ariana.
- Boa sorte com o seu encontro. - digo, sorrindo.
- Obrigada, irmão. - diz Ariana, enquanto vai embora.
Eu então me sento novamente para terminar minha lasanha.
De repente, Carlos chega à lanchonete. Ele vai até o balcão e passa por mim, mas não percebe minha presença. Pede uma fatia de pudim e logo caminha até uma mesa.
- Carlos! - digo, acenando. - Venha sentar aqui.
- Senhor? - diz Carlos, surpreso, enquanto se aproxima. - Não esperava encontrar o senhor aqui. - acrescenta, sentando-se.
- Doce logo de manhã? - pergunto, antes de levar o garfo à boca.
- O açúcar me acalma. - diz Carlos, antes de dar uma garfada no pudim. - Principalmente depois do que me aconteceu.
- Você está tão abatido desde ontem. - digo, observando seu rosto. - O que aconteceu?
- A Clara me traiu. - diz Carlos, de cabeça baixa.
- Mas vocês não iam se casar? - pergunto, assustado. - Por isso eu fiquei em choque quando pensei que você tinha bebido a poção.
- Ela me traiu... e ainda me disse coisas terríveis. - diz Carlos, tentando segurar as lágrimas. - Eu ainda não consegui esquecê-la. Sou um idiota.
- Você não é um idiota. Superar alguém leva tempo. - digo, tocando sua mão. - Você precisa de tempo para curar o seu coração.
- Obrigado, senhor. - diz Carlos, enquanto limpa as lágrimas.
- Agora que percebi... você é bem bonito! - digo, enquanto observo o rosto de Carlos com atenção.
- Senhor, por favor, não diga isso. - responde Carlos, sem jeito.
- Estou com vontade de fazer um desenho. - digo, animado. - Não acredito... estou com inspiração.
- O senhor quer me desenhar? - pergunta Carlos, surpreso.
- Sim, mas não tenho papel nem lápis. - digo, frustrado.
- Já volto. - diz Carlos, levantando-se.
Ele corre até o balcão e pede um lápis e um pedaço de papel.
- Aqui, senhor. - diz ele, me entregando as coisas.
- Obrigado. - digo, pegando o lápis e o papel. - Agora sente-se aí. Vou te desenhar.
Carlos se senta novamente e continua comendo seu pudim enquanto eu preparo o papel.
Começo traçando linhas leves, definindo primeiro o formato do rosto dele. Seu rosto é harmonioso, com um queixo bem definido e traços delicados, mas ainda assim masculinos.
Desenho o contorno do cabelo, que cai de forma suave sobre a testa. Algumas mechas parecem um pouco bagunçadas, como se ele tivesse passado a mão várias vezes pelo cabelo por causa do nervosismo.
Em seguida, foco nos olhos. Eles são grandes e expressivos, mesmo agora ainda levemente inchados por causa do choro. Tento capturar aquele olhar gentil que ele sempre tem... um olhar que transmite calma e lealdade.
Marco o nariz reto e o arco suave das sobrancelhas. Depois passo para a boca, desenhando o formato dos lábios enquanto ele leva mais uma colherada de pudim.
- Não se mexa muito. - digo, concentrado.
- Desculpe, senhor. - responde Carlos, tentando ficar imóvel.
Sorrio enquanto continuo desenhando. Faço alguns sombreados para dar profundidade ao rosto e destacar os contornos.
A cada traço, sinto a inspiração crescer. É como se minha mão se movesse sozinha sobre o papel.
Depois de alguns minutos, dou os últimos detalhes nos olhos e recuo um pouco para observar o resultado.
O desenho ficou surpreendentemente bonito. Capturou perfeitamente a expressão gentil de Carlos.
Levanto o papel para comparar com ele sentado à minha frente.
- Pronto. - digo, satisfeito.
— O que significa isso? — diz Victor, incrédulo, ao entrar na lanchonete. — Por que vocês estão sentados juntos?
— O que você faz aqui? — pergunto, confuso, ao vê-lo vindo na minha direção.
— Você saiu sem dizer nada. — diz Victor, enquanto se senta. — Então rastreei seu carro até aqui.
— Agora me diga por que está comendo com o meu secretário. — acrescenta, lançando um olhar para Carlos.
— A gente se esbarrou por acaso e acabamos sentando juntos, só isso. — respondo, enquanto observo meu desenho.
Dou um pequeno sorriso. É o primeiro desenho que faço em anos.
— Por que você está olhando desse jeito para esse papel? — pergunta Victor, desconfiado. — Deixe-me ver.
Ele pega o papel da minha mão.
— Ei, devolve! — digo, tentando pegar de volta.
— Você desenhou o meu secretário? — diz Victor, claramente irritado. — O que significa isso?
Victor lança um olhar mortal para Carlos.
— Desculpe, senhor. — diz Carlos, sem graça, enquanto abaixa a cabeça.
— Qual é o problema? — pergunto, confuso.
— Você deveria desenhar o seu marido, não o secretário dele. — diz Victor, claramente ofendido.
— Por acaso você está com ciúmes? — pergunto, sem acreditar.
— Você se sentiu incomodado com o fato de eu estar com o Carlos? — digo, sem tirar os olhos de Victor.
— Sim. — Victor admite.
— Então você está com ciúmes, seu idiota. — digo, antes de dar uma gargalhada.
— O Do-hyun está me dizendo que não é ciúme. — diz Victor, cruzando os braços.
— Do-hyun, pare de dizer mentiras para o Victor. — digo, apertando as bochechas dele.
Carlos apenas nos encara com um olhar de julgamento. Não o culpo… eu e Victor estamos agindo como dois pacientes do CAPS.
— Eu estou confuso, Ariel. Nunca senti essas coisas antes. — diz Victor, levando as mãos aos cabelos. — Não sei se essas emoções são minhas ou do Do-hyun. Ele é mentiroso, não dá para confiar nele.
— Se é você que está sentindo, então são suas. — digo, firmemente. — Você só está confuso. Precisa aprender o que é amor.
— Então vamos. — diz Victor, levantando-se rapidamente.
— Para onde? — pergunto, confuso.
— Quero que me ensine o que é amor. — diz Victor, pegando minha mão e me puxando. — Vamos.
— Mas eu estou de carro. — digo, tentando puxar o braço, mas Victor não solta e o segura com firmeza.
— O Carlos pode resolver isso. — responde ele, enquanto me puxa até o carro.
Nossa… ele está com ciúmes. Não acredito. O senhor gelo gosta de mim. Ele está sentindo os sentimentos do Do-hyun, mas está confuso e não sabe como identificá-los. Preciso dar uma ajudinha.
Depois que entramos no carro, uma ideia surge na minha cabeça.
— Você precisa se decidir. Você gosta ou não de mim? — pergunto, impaciente.
— Eu não sei. Preciso de um tempo para entender o que é amor. — diz Victor, enquanto começa a dirigir.
Preciso pegar pesado com ele.
— Eu já cansei de te esperar. — digo, com convicção.
— Como assim? — pergunta Victor, confuso, enquanto me lança uma breve olhada.
— Eu quero o divórcio. — digo, firmemente.
— O quê?! — grita Victor, chocado, enquanto freia bruscamente no sinal vermelho. — Você não pode se divorciar de mim! — diz ele, olhando para mim, desesperado.
— Já que você não gosta de mim e se recusa a beber a poção, vou dar para outra pessoa. — digo, determinado.
— Você não pode fazer isso. — diz Victor, com os olhos arregalados, enquanto encara o volante. — Não se esqueça do contrato. E também… sua mãe nunca permitiria.
— Vou usar a poção do amor em outro homem. — digo, com um sorriso vitorioso. — Acabei de ver no celular que o bilionário japonês Kenjiro Takamura está na cidade. Ele é viúvo.
— Se ele beber a poção, vai comer na minha mão. — digo, olhando diretamente para Victor. — Não acho que a mamãe vai se opor se eu me casar com alguém como ele…
Victor não diz nada. Apenas me encara, horrorizado.
Desculpa, Victor… mas você está me obrigando a fazer isso.
Você e o Do-hyun pediram por isso.
Vou fazer vocês dois aprenderem uma lição.
Victor vai descobrir, sob pressão, se me ama ou não.