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Minha décima sétima preparação para o Caos

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Pensamento

Pensamento

curioso52

Ele abre um buraco no jardim e fala pro segurança que foi só uma bomba caseira, como se isso acalmasse alguém. Esses seguranças que o pai do Victor contratou vão ter muita história pra contar em casa.

Ele abre um buraco no jardim e fala pro segurança que foi só uma bomba caseira, como se isso acalmasse alguém. Esses seguranças que o pai do Victor contratou vão ter muita história pra contar em casa.

Conteúdo da publicação

Quarta-feira, 31/01/2024

É de manhã, e estou no hospital.

Contei ao Victor sobre a Ariana. Neste momento, estou ajudando-o a comer. Ele ainda está fraco, então só pode ingerir alimentos leves — agora, está tomando uma sopa.

— Toma, amor. — digo, levando a colher até sua boca.

— Estou sem fome. — diz Victor, virando o rosto.

— Você precisa comer, Vossa Alteza Real. — respondo, firme. — Senão, como vai melhorar?

Ele continua resistindo.

— Come. — insisto, colocando a colher em sua boca.

Victor suspira e engole, contrariado.

— Essa facada doeu mais do que quando levei aquela espadada no coração. — comenta, depois de engolir.

— Não exagera também, né? — digo, incrédulo, já preparando outra colher. — Você foi empalado. Só não doeu mais porque você morreu.

Ele solta um leve sorriso cansado.

— Quando você vai tomar a poção da nostalgia? — pergunta, depois de engolir mais um pouco.

— Hoje ainda. — respondo, pensativo. — A que eu tinha feito, eu dei para a Ariana. — faço uma pausa. — Com as memórias da minha vida passada… vou conseguir usar melhor o livro. Ele é estranho… estão aparecendo poções que eu nunca vi antes. Parece até que as páginas mudam de lugar.

Victor me observa com atenção.

— Mas é assim mesmo. O livro tem milhares de poções. — explica. — Você só precisa aprender a usá-las.

Assinto, refletindo.

— Eu ainda preciso ir à delegacia. — digo, pensativo. — Provavelmente, a Ariana já se lembrou de toda a vida passada.

Victor fica em silêncio por um instante, como se conectasse os pontos.

— Talvez o Devorador de Íris seja um transmorfo… alguém que se transforma na aparência das outras pessoas. — diz, com um tom mais sério. — Isso explicaria por que ele nunca foi pego… ele é como um camaleão.

— Você precisa se lembrar o mais rápido possível. — diz Victor, preocupado. — Você tem que estar preparado. O Devorador de Íris pode ser qualquer um… até mesmo alguém próximo a você. Assim que eu sair daqui, vamos fugir para bem longe.

— A minha irmã é inocente. — digo, firmemente. — Eu não posso deixá-la pagar por um crime que não cometeu.

Victor aperta minha mão com mais força.

— Tem uma coisa que você precisa saber… — diz ele, sério. — Depois que eu assumi o controle do corpo, eu não ouvi mais a voz do Victor.

Sinto um aperto no peito.

— O que isso quer dizer? — pergunto, desesperado. — Você está dizendo que o meu Victor Uchiha… desapareceu?

— Eu não sei. — responde ele, com cautela. — Mas não se preocupe, amor… eu ainda estou aqui.

— Mas eu também amo o meu Victor Uchiha… — digo, aflito. — Eu não quero que ele desapareça.

Respiro fundo e aperto as mãos dele com mais força.

— Você precisa se concentrar. O Victor está em algum lugar dentro da sua mente.

Victor não responde. Apenas me encara em silêncio.

De repente, a porta do quarto se abre.

— Como está o doente? — diz o pai de Victor, entrando no quarto.

Ele observa a cena e solta um suspiro aliviado.

— Que bom que está se alimentando. — acrescenta, ao ver o prato de sopa vazio.

O pai de Victor está claramente preocupado. Ele contratou mais seguranças e reforçou toda a segurança do hospital.

Decido deixá-los a sós por um momento.

Saio do quarto e sigo direto para a delegacia.

Eu preciso ver a minha irmã.

Chego à delegacia, e o policial me permite falar com a Ariana por alguns minutos.

Ela estava deitada, mas dá um pulo assim que me vê. Corre até as grades da cela e as segura com força. Quando nossos olhos se encontram, ela sorri.

— Oi, irmã… — digo, me aproximando.

— É você… — responde Ariana, com um sorriso emocionado. — Agora eu entendo por que eu te amo tanto… — acrescenta, segurando o choro.

Franzo a testa, confuso.

— Eu não entendo, irmã…

— Eu me lembrei de tudo. — diz ela, enxugando as lágrimas. — Foi aquela poção que você me deu, não foi?

— Você agora acredita em poções mágicas? — pergunto, receoso, com um leve sorriso.

— Como não acreditar? — responde, sem tirar os olhos de mim. — Eu revivi toda a vida do Hyeon-um… vi todo o amor que ele sentia por você.

Meu coração dispara.

— O Hyeon-um… me amava? Quer dizer… ele amava o Min-jae? — pergunto, chocado.

— Sim. — Ariana assente, pensativa. — Ele te amou em silêncio… e nunca teve coragem de dizer o que sentia.

Passo a mão pelo rosto, tentando organizar meus pensamentos.

— Eu estou confuso… ainda não me lembrei da minha vida passada. — digo, em voz baixa. — Tudo o que sei foi o que o príncipe herdeiro me contou… que eu e o Hyeon-um éramos muito próximos.

Ariana respira fundo, como se estivesse conectando tudo.

— Agora eu entendo por que sinto que estou passando por uma injustiça pela segunda vez… — diz ela, incrédula. — Hyeon-um também foi vítima disso.

Ela levanta o olhar para mim, séria.

— Ele tinha um irmão… um psicopata frio.

Sinto um arrepio percorrer meu corpo.

— Isso me fez lembrar dela… — continua Ariana, visivelmente abalada.

Engulo seco.

— E você sabe muito bem de quem eu estou falando.

Meu coração acelera.

— A nossa irmã mais velha? — pergunto, horrorizado.

— O Hyeon-um tinha um irmão… o nome dele era Seo-jin. — diz Ariana, com a voz firme. — Ele era o verdadeiro assassino. Um transmorfo… capaz de se transformar em qualquer ser vivo.

Engulo seco.

— Então você suspeita que a Ana é a reencarnação do Seo-jin? — pergunto, com a voz tensa.

Ariana me encara, séria.

— Você se lembra de quando a gente tinha uns cinco anos? Aquela tragédia… a empregada nova que caiu da escada e quebrou o pescoço.

Um arrepio percorre meu corpo.

— Como não lembrar? — respondo, assustado. — Até hoje aquela cena me persegue.

A expressão de Ariana muda, tomada pelo medo.

— Eu vi o olhar da Ana naquele dia… — diz ela, em pânico. — Ela desceu as escadas e ficou encarando o corpo da mulher… fria… sem reação.

Meu coração dispara.

— Com as memórias da minha vida passada… eu sinto que aquilo não foi um acidente.

Dou um passo para trás, sentindo o chão sumir sob meus pés.

— Ariana… eu estou com medo.

— E deveria mesmo estar. — responde ela, firme. — Se a Ana for o Seo-jin… ela pode ser qualquer coisa que respira. Pode estar nos observando agora.

Ela começa a olhar ao redor, inquieta, como se esperasse encontrar alguém escondido nas sombras.

— E a Hae-in? — pergunto, com a voz trêmula. — Será que ela também voltou? O príncipe herdeiro chega a tremer só de ouvir o nome dela…

Ariana não hesita:

— Provavelmente, sim. — diz, séria. —  Ela pode ser qualquer pessoa. Até mesmo… a nossa própria mãe.

Sinto meu corpo gelar.

— Se proteja, irmão. — acrescenta ela, com urgência.

Ela segura as grades com força.

— Agora eu entendo… — murmura. — Entendo por que o Devorador de Íris arranca os olhos das vítimas.

Olho para ela, em silêncio.

— Os olhos… são usados como ingrediente para o elixir que recarrega os poderes deles.

O medo toma conta de mim.

Existe a possibilidade de que o Devorador de Íris seja a Ana…

E pior ainda…

E se a Hae-in for a nossa mãe?

Meu corpo inteiro treme só de imaginar essa possibilidade.

Chego em casa tremendo. Pego o livro de feitiços — eu preciso me lembrar da minha vida passada.

— Livro, eu quero a poção da nostalgia! — digo, encarando as páginas.

Mas nada acontece.

Elas não se movem.

Suspiro, frustrado. Talvez a página onde estava a poção ainda não tenha se regenerado.

— Amanhã eu tento de novo… — murmuro, tentando me acalmar.

Agora, preciso me proteger.

— Livro, me mostre poções de ataque.

As páginas começam a se folhear sozinhas, rapidamente… até pararem em uma.

— “Poção do Dano”… — leio em voz alta.

Analiso com atenção.

É uma poção de ataque que se ativa ao sofrer uma leve pressão.

Resumindo… é como uma bomba.

— Isso vai ser útil… — digo, pensativo.

O preparo é diferente. Aqui, é necessário moer a folha junto com as ervas.

Anoto todos os ingredientes com cuidado.

Viro a página e encontro outra poção interessante.

— “Poção-Chave”…

Leio atentamente.

Essa poção permite abrir qualquer passagem.

Um leve sorriso surge no meu rosto.

— Perfeita…

Anoto os ingredientes também.

Sem perder tempo, vou atrás de tudo o que preciso.

Assim que consigo os materiais, começo imediatamente o preparo.

Não posso perder tempo.

Depois… com mais calma, preparo as outras poções de dando que existe no livro.

Mas, por enquanto, preciso me proteger. A qualquer momento, o assassino pode tentar me atacar.

As poções estão prontas.

A poção de dano se transforma em um pó fino. Eu a coloquei em pequenos saquinhos de papel. Já a poção-chave… eu ainda não entendi muito bem. Seu preparo é como fazer um giz.

— É uma poção-chave… mas não parece uma chave. — digo, confuso, observando o objeto em minhas mãos.

Pego um dos saquinhos com o pó da poção de dano.

Não posso testar isso dentro do meu quarto.

Vou até o jardim.

— Espero que funcione… — murmuro, apreensivo, antes de lançar o saquinho na grama.

Assim que ele toca o chão…

BOOM.

A explosão é tão forte que me joga para trás, derrubando-me no chão.

Quando a poeira baixa, vejo um enorme buraco no jardim.

Funcionou.

— Senhor! — grita um dos seguranças, correndo desesperado na minha direção.

Logo, todos estão ao meu redor.

— Está tudo bem! — digo, levantando-me com dificuldade. — Foi só… uma bomba caseira que eu fiz.

Eles ainda parecem em choque.

Me aproximo lentamente do buraco, observando o estrago.

Respiro fundo.

— Devorador de Íris… — murmuro, com o olhar firme. — Não sei quando você vai me atacar de novo… mas, quando vier…

Faço uma pausa.

— Eu estarei preparado.

#romance

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    Ele abre um buraco no jardim e fala pro segurança que foi só uma bomba caseira, como se isso acalmasse alguém. Esses seguranças que o pai do Victor contratou vão ter muita história pra contar em casa.

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